A insônia em tempos de pandemia

O cenário de incertezas, em virtude da pandemia mundial do novo coronavírus, aumentou nossos níveis de ansiedade e de estresse causando impactos negativos em nossa saúde física e mental. A qualidade do sono foi atingida de maneira significativa, até mesmo naquelas pessoas que não tem histórico de insônia.
E a insônia, ao contrário do que muitos pensam, não se traduz apenas em passar noites em claro. Ela se caracteriza também de outras formas como a dificuldade para pegar no sono, acordar mal depois de um sono não reparador; despertar muito cedo ou acordar várias vezes durante a noite.
O sono é uma das necessidades básicas fundamentais para o bem-estar do ser humano e quando esta necessidade não é atendida traz sérias consequências ao comportamento. No dia seguinte, além da sonolência diurna, há irritação, cansaço físico e mental, dificuldade de concentração e de raciocínio, tendência a cometer erros, queda na produtividade, alteração da memória de curto prazo, funcionamento abaixo do potencial cognitivo, dores musculares, dentre outros danos.
Neste período de pandemia, os principais ladrões do sono são o medo do contágio; a tensão; o tédio, em virtude do isolamento social; a alteração da rotina, incluindo hábitos para acordar e dormir; os impactos econômicos; a dificuldade de planejar a vida, pelo menos em médio prazo; e a incerteza quanto ao futuro. Com isso, este contínuo estresse a que o cérebro é submetido, desencadeia uma fadiga crônica. Ou seja, é difícil desligar, pois diante de tanta tensão, a mente não consegue relaxar, tornando um ciclo vicioso. Por isso, os fatores psicológicos são os que mais contribuem para a insônia, seguidos dos físicos e ambientais.
Para superar estas dificuldades e garantir uma boa noite de sono, além de uma alimentação saudável, com refeições leves no jantar, é preciso criar uma rotina que favoreça o descanso noturno, que inclui algumas medidas como ir para cama sempre no mesmo horário; evitar o cigarro e a ingestão de bebidas alcoólicas, café ou refrigerantes que contenham cafeína; não realizar atividades que demandem muita concentração antes de dormir; isolar o quarto de barulhos; diminuir a exposição à luz, e isso inclui evitar o uso de telas como celulares, computadores e tablets, uma vez que são estimulantes; não praticar atividades físicas à noite, já que elas liberam energia; usar a cama apenas para dormir, e não para estudar, ver TV, trabalhar, pois o cérebro precisa associa-la a um local de descanso.
Como a ansiedade é um dos principais fatores que podem intervir em nosso sono, convém evitar situações que a potencialize. Tentar controlar tudo a nossa volta, característica de quadros ansiosos, é uma ilusão Sendo assim, filtre as informações sobre a pandemia, já que o excesso delas deixa nosso corpo em constante estado de alerta. É preciso também monitorar os pensamentos negativos, pois só pioram a ansiedade.
Enfim, se pensarmos bem, já passamos por várias crises em nossas vidas, sejam coletivas ou individuais. Lembrar que conseguimos supera-las é uma janela que se abre para perceber outras coisas e nos auxilia a restabelecer nosso equilíbrio emocional, imprescindível neste momento.
Créditos: Joselene L. Alvim- psicóloga

By Midia ABC

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