1 de 1Máscaras do tipo cirúrgico ajudam a proteger de respingos de espirros e tosses, mas não evitam completamente a contaminação área — Foto: Getty Images
Máscaras do tipo cirúrgico ajudam a proteger de respingos de espirros e tosses, mas não evitam completamente a contaminação área — Foto: Getty Images
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos, atualizou nesta segunda-feira (5) suas diretrizes sobre os tipos de transmissão do coronavírus, passando a incluir a transmissão pelo ar em determinadas circunstâncias.
Segundo a nova diretriz, pessoas a mais de dois metros de distância podem ser infectadas por gotículas respiratórias emitidas quando algum infectado tosse, espirra, canta, fala ou respira no mesmo ambiente. Este, por sua vez, precisa ser fechado e mal ventilado.
“Esse tipo de disseminação é conhecido como airbone transmission (transmissão pelo ar) e é uma forma importante de disseminação de infecções como tuberculose, sarampo e catapora”, diz a diretriz.
A transmissão aérea ocorre porque, segundo o órgão de saúde americano, as gotículas expelidas pelos infectados, principalmente por pessoas que estão respirando intensamente em atividades como exercícios físicos ou cantar, podem flutuar no ar por alguns minutos e até horas, dependendo das condições de ventilação do ambiente.
“As pessoas que foram infectadas estavam no mesmo espaço durante o mesmo período ou logo depois que a pessoa com COVID-19 saiu”, diz a publicação.
“Essas transmissões ocorreram em espaços fechados com ventilação inadequada. Em alguns casos, a pessoa infectada respirava vigorosamente, por exemplo, enquanto cantava ou fazia exercícios”, informa.
Em julho, 239 cientistas assinaram uma carta aberta pedindo que a OMS reconhecesse a transmissão do coronavírus pelo ar. Em resumo, o documento explica que enquanto gotículas maiores expelidas ao falar ou tossir caem rapidamente no chão, os aerossóis – pequenas gotículas que permanecem no ar por mais tempo – podem flutuar e se espalhar pelo ar em ambientes fechados, podendo ser inalada até horas depois por inúmeras pessoas que passarem pelo local.
Na prática, a carta era um alerta de que o distanciamento entre as pessoas de 1 a 2 metros como única medida não é eficaz contra o coronavírus, principalmente em locais fechados e sem renovação do ar, reforçando a importância do uso da máscara pela população em geral, medida recomendada pela OMS desde o início da pandemia.
O que diz o CDC sobre a transmissão do coronavírus:
- O coronavírus raramente se espalha de animais para pessoas
- Transmissão por meio do contato com superfícies contaminadas pelo vírus é menos comum
- A Covid-19 parece se espalhar de pessoa a pessoa com mais eficiência do que o vírus da gripe, mas não tão eficientemente quanto o do sarampo
- Pessoas que estão infectadas, mas não apresentam sintomas, também podem transmitir o vírus para outras pessoas
- A transmissão mais comum se dá entre pessoas que estão em contato físico próximo
- A Covid-19 pode ser transmitida pelo ar

OMS reconhece evidências da transmissão de Covid pelo ar, mas diz que não são definitivas
No final de setembro, o CDC já havia publicado a diretriz reconhecendo a transmissão pelo ar, mas, no dia seguinte, retirou a publicação do site.
“O esboço de uma versão de mudanças propostas para estas recomendações foi publicado por engano no site oficial da agência”, disse o CDC na ocasião.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a transmissão da Covid-19 pelo ar desde julho, quando um grupo internacional de cientistas publicou uma carta com evidências da transmissão aérea em lugares fechados e mal ventilados. Por isso, uma mudança na diretriz do CDC já era esperado.
