Passageiros de cruzeiro são diagnosticados com hantavírus ao desembarcarem

Um cidadão norte-americano e uma cidadã francesa foram diagnosticados com hantavírus após serem trazidos de volta de um cruzeiro nas Ilhas Canárias, na Espanha. As autoridades de saúde dos respectivos países confirmaram os casos nesta segunda-feira (11). O navio MV Hondius enfrentou um surto da doença que resultou em três óbitos.

O Departamento de Saúde dos EUA anunciou que um americano testou positivo para hantavírus após o desembarque do MV Hondius. Outro passageiro norte-americano, que também estava no voo de repatriação, apresentou sintomas leves relacionados à doença.

Na França, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, informou que uma mulher encontra-se em isolamento em Paris, segundo reportagens da BBC. A condição da paciente francesa tem se agravado, e 22 pessoas que tiveram contato com ela estão sendo monitoradas.

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Três mortes relacionadas ao surto

Após a viagem no navio, três passageiros faleceram: um casal holandês e uma mulher alemã. Desses, dois tiveram confirmação da infecção pelo vírus.

Uma das vítimas é uma mulher holandesa que desembarcou do MV Hondius durante uma parada na ilha de Santa Helena em 24 de abril. Ela estava acompanhada pelo marido, que também estava a bordo e morreu antes dela.

As autoridades suspeitam que o surto tenha se originado a partir de dois passageiros que visitaram um aterro sanitário no sul da Argentina para observar pássaros. É importante ressaltar que o hantavírus é transmitido principalmente por roedores e a transmissão entre humanos é considerada rara.

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Repatriação mobiliza mais de 90 passageiros

Mais de 90 passageiros do navio estão sendo repatriados das Ilhas Canárias. O Hondius atracou no porto de Granadilla na madrugada do último domingo (10), um mês após a morte do primeiro passageiro a bordo.

A operação de desembarque teve início por volta das 5h30 da manhã (horário de Brasília), conforme informações do Ministério da Saúde local. Durante esse processo, barcos da polícia militar faziam patrulhamento ao redor do navio enquanto uma grande equipe terrestre auxiliava na evacuação dos passageiros.

O navio não recebeu autorização para atracar diretamente na costa durante sua aproximação à ilha. Um perímetro de segurança foi estabelecido em um raio de uma milha náutica (1,8 km) ao redor da embarcação.

No voo de repatriação estavam dezessete cidadãos americanos. Outros sete já retornaram aos Estados Unidos e estão sendo monitorados em seus estados de origem.

Vinte cidadãos britânicos chegaram ao Reino Unido no domingo passado. Quatorze espanhóis foram levados para Madrid por via aérea. Vinte e seis passageiros e membros da tripulação, incluindo oito cidadãos holandeses, retornaram à Holanda no mesmo dia.

Quatro cidadãos ucranianos permanecerão a bordo do MV Hondius como parte da tripulação para assegurar o transporte do navio até a Holanda. Após chegarem ao destino final, eles deverão cumprir quarentena em uma unidade médica. Até agora, nenhum sinal da doença foi registrado entre os ucranianos.

Não há registros de brasileiros entre os passageiros evacuados. Outros dois voos para evacuação estão programados para esta segunda-feira à tarde.

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Medidas rigorosas durante o transporte

O governo dos EUA revelou que os repatriados viajaram em “unidades de biocontenção por precaução”. Poucas horas antes do desembarque, equipes médicas inspecionaram o navio para verificar se havia passageiros com sintomas da doença.

Os passageiros foram organizados em grupos por nacionalidade e transportados até a costa em pequenas embarcações. De lá, aviões fretados partiram do aeroporto local para levar cada um deles ao seu país natal.

Antes do embarque nos aviões, todos os passageiros precisaram vestir trajes especiais de proteção e passaram por diversos procedimentos rigorosos. Todos os 17 cidadãos americanos no voo serão avaliados clinicamente em uma unidade médica localizada no estado do Nebraska.

Os espanhóis seguem sob quarentena em um hospital militar em Madrid. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um período de isolamento de 42 dias para aqueles que desembarcaram do MV Hondius.

Cerca de 30 membros da tripulação continuarão a bordo para levar o navio novamente até a Holanda.

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As medidas de segurança locais foram intensificadas significativamente no sábado (9), com equipes policiais militares e grupos especializados montando tendas grandes para recepção. O acesso à orla foi restrito durante esse período crítico.

Especialistas em terapia intensiva estavam prontos no hospital Candelaria, localizado em Tenerife, caso algum dos passageiros apresentasse sintomas severos durante a transferência. Uma unidade isolada foi preparada com leitos equipados para tratar doenças infecciosas, incluindo kits para testes e ventiladores disponíveis.

Uma quantidade considerável de trajes protetores, máscaras e luvas já estava estocada para uso pela equipe médica. “Estamos absolutamente preparados”, afirmou Mar Martin, médico-chefe da terapia intensiva presente na unidade. “Nunca lidamos com [o hantavírus] antes — mas é um vírus que tem algumas complicações semelhantes às doenças com as quais trabalhamos diariamente. Estamos totalmente capacitados para isso.”

A ministra da Saúde espanhola descreveu como “sem precedentes” a complexa operação destinada a conter a propagação dessa rara cepa viral. No dia 9, ela destacou que o risco geral à população era considerado baixo.

“Acreditamos que alarmar as pessoas, desinformá-las ou criar confusão vai contra os princípios fundamentais da preservação da saúde pública”, declarou ela.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, esteve presente em Tenerife para supervisionar o desembarque dos passageiros. Ele elogiou as autoridades pela “resposta sólida e eficaz” diante desse surto potencial.

Em carta aberta aos moradores locais preocupados com a chegada do navio infectado, o diretor-geral tentou acalmá-los: “Sua preocupação é legítima devido à experiência passada com a covid-19: esse trauma ainda está presente na memória coletiva”, reconheceu ele, afirmando também que o risco atual de contágio amplo é baixo “graças aos protocolos adotados pelo governo espanhol”.

As autoridades garantem que as chances de um surto significativo são extremamente baixas.

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Quando o anúncio sobre o desembarque nas Ilhas Canárias foi feito, parte da população local reagiu com indignação. Na sexta-feira (8), trabalhadores portuários realizaram protestos barulhentos diante do Parlamento local preocupados com insuficiência nas medidas preventivas implementadas.

Na noite seguinte (9), toda a logística cuidadosamente planejada enfrentou turbulência quando Fernando Clavijo, presidente das Ilhas Canárias, declarou sua recusa em permitir que o navio atracasse no porto sob alegação de que o desembarque não poderia ser concluído em apenas um dia — levando ao governo central intervir diretamente na situação.

Clavijo chegou até mesmo a afirmar publicamente que poderia haver risco à população caso um rato portador do hantavírus escapasse do barco durante a noite. O secretário estadual teve então que desmentir essa ideia afirmando categoricamente que tal possibilidade “não representava risco algum”.

Por outro lado, muitos habitantes locais demonstram estar tranquilos quanto ao risco percebido como baixo: “O vírus é perigoso sim! Mas ouvi dizer que é necessário ter contato muito próximo pra pegá-lo”, comentou Jennifer enquanto passeava com seu filho pela capital Santa Cruz em Tenerife. “Se formos cuidadosos espero que não seja algo sério.”

By Midia ABC

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