Marcelo Maranata, ex-prefeito de Guaíba e postulante ao governo do estado pelo PSDB, concedeu uma entrevista nesta terça-feira (22) ao gerente de conteúdo da Rádio ABC 103.3 FM, João Paulo Gusmão. A conversa ocorreu nos estúdios da ABC Play devido à ausência dos candidatos Juliana Brizola (PDT) e Zucco (PL) em um debate previamente agendado para o mês de maio.
“Estamos prontos para receber os candidatos, é uma pena que alguns optem por não comparecer, evitando dialogar com o povo gaúcho. Eu nunca deixei de participar de um debate ou painel”, declarou Maranata, referindo-se à falta de Juliana e Zucco no evento organizado pela Central Grupo Sinos de Eleições.
Na sequência, o entrevistador questionou Maranata sobre sua declaração em um painel da Sulpetro na semana anterior, onde mencionou ter recebido uma proposta de outra coligação para não participar dos debates restantes do primeiro turno.
“Essa é a expressão de alguém que vive essa situação desde a pré-campanha. O próprio MDB do Gabriel [Souza] fez várias tentativas para inviabilizar minha candidatura. Todos os concorrentes buscaram manter apenas a polarização entre direita e esquerda, além da continuidade do governo”, explicou.
- “Casca de bala” e “rachar Uber”: Gabriel Souza e Maranata brincam após polêmica sobre debates
Maranata afirmou que o PSDB representa uma alternativa a essas polarizações nas eleições que se aproximam. “Isso me tornou o prefeito mais bem avaliado do Brasil. Pergunto aos meus adversários qual cidade eles já geriram. Querem administrar 497 municípios simultaneamente, sem nunca ter governado um sequer, e ainda assim evitam participar de debates”, afirmou.
Quando questionado sobre sua posição política, Maranata foi claro: “Estou ao lado das pessoas, que é mais relevante do que qualquer partido. A população está cansada e insatisfeita. Os gaúchos não querem se envolver com política. Fui escolhido em Guaíba por ter um perfil voltado ao empreendedorismo.”
O ex-prefeito expressou confiança em sua vitória, lembrando resultados de eleições passadas. “Nunca na história do Rio Grande do Sul alguém que liderava as pesquisas venceu a eleição. Rigotto, Yeda Crusius, Tarso, Sartori e até mesmo Eduardo estavam atrás nas pesquisas e conseguiram triunfar. Espero que a única polarização seja entre aqueles que realmente entregam resultados e os que não fazem nada.”
Experiência em Guaíba
Ao falar sobre sua gestão em Guaíba, ele destacou ter assumido a prefeitura com um déficit orçamentário de R$ 17 milhões. “Deixei o governo com mais de R$ 100 milhões em caixa. Trabalhamos arduamente para melhorar a vida das pessoas e é isso que quero realizar no Rio Grande do Sul”, enfatizou.
O candidato ressaltou a importância do desenvolvimento econômico como prioridade caso seja eleito governador. “Não se pode oferecer saúde ou assistência sem uma base empresarial forte. Quando assumi Guaíba, levava quatro meses para obter um alvará; hoje esse processo leva cerca de 15 horas. Precisamos compreender que existem empreendedores esperando oportunidades.”
Necessidade de recursos no caixa
Em relação à prevenção contra enchentes futuras, Maranata comentou que cerca de R$ 8 bilhões estão disponíveis através do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece). “Esse dinheiro está parado enquanto nenhuma obra avança ou projeto é finalizado. Esse montante deveria ser destinado aos prefeitos, pois eles têm um senso de urgência maior do que o Estado”, argumentou.
O ex-prefeito também manifestou seu desejo de dialogar com o futuro presidente da República para tratar da manutenção do Funrigs, buscando garantir um fluxo mais robusto de recursos e evitar que os pagamentos das dívidas com a União sejam retomados em abril de 2027. “Sem recursos financeiros, não há como investir em saúde ou educação”, alertou.
Maranata enfatizou a necessidade de enxugar a máquina pública como parte fundamental da gestão governamental. “Todos devem fazer sua parte para reduzir custos operacionais na administração pública. Isso nos permitirá cumprir pelo menos o mínimo constitucional de 12% dos investimentos na saúde, algo que atualmente não está sendo realizado pelo governo Leite”, concluiu.


