Um incidente alarmante ocorreu em Porto Alegre, onde um rato sem vida foi descoberto dentro de um bolo adquirido por meio do iFood. A situação, que aconteceu na tarde de quarta-feira (14), deixou os clientes atônitos ao perceberem que haviam consumido parte do produto contaminado.
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Conforme a delegada Milena Simioli, um casal, sendo um homem de 31 anos e uma mulher de 26, não consegue afirmar se chegaram a ingerir partes do animal, embora pelos tenham sido encontrados em outras fatias do bolo. Ambos necessitaram de medicação. Embora não apresentem sintomas visíveis, passaram por testes para leptospirose e precisam ser monitorados por um período mínimo de 30 dias, já que o vírus pode ficar incubado durante esse tempo.
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O local envolvido no incidente é a Casa de Bolos, unidade Cavalhada, que foi fechada após a denúncia. A proprietária, de 41 anos, foi detida também na quarta-feira.
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Por meio de uma nota enviada à equipe da reportagem, a Casa de Bolos expressou seu profundo pesar pelo ocorrido na unidade Cavalhada em Porto Alegre, afirmando que considera inaceitável qualquer situação que comprometa a saúde e segurança dos consumidores. A franqueadora também declarou que está acompanhando o desenrolar do caso com as autoridades competentes e seu departamento jurídico e que está realizando uma investigação interna para esclarecer os fatos e tomar as medidas contratuais necessárias.
“Embora as unidades operem sob franqueados independentes, todas devem seguir as diretrizes e padrões operacionais e sanitários estabelecidos pela rede. A Casa de Bolos reafirma seu compromisso com a segurança dos consumidores e continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.”
Leptospirose: informações sobre identificação, tratamento e prevenção
Compreendendo a doença e sua transmissão
A leptospirose é uma infecção febril aguda provocada pela bactéria Leptospira, encontrada na urina de animais infectados, especialmente ratos. O contágio se dá pelo contato direto ou indireto com essa urina. A bactéria pode entrar no organismo através de cortes na pele, mucosas ou até mesmo pela pele intacta se esta permanecer submersa em água contaminada por longos períodos. Os sintomas geralmente aparecem entre 7 a 14 dias após a exposição, embora o intervalo possa variar entre 1 a 30 dias.
Esse tipo de doença tende a ser mais comum em áreas com saneamento precário e alta infestação de roedores. Enchentes promovem a disseminação da bactéria no ambiente, aumentando as chances de surtos. Nos casos mais severos, a taxa de letalidade pode chegar até 40%.
As informações são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Sintomas da leptospirose
Os quadros clínicos podem variar desde assintomáticos até muito graves e são divididos em duas fases distintas.
Na fase inicial, os principais sintomas incluem:
- febre;
- perda de apetite;
- dor muscular, especialmente nas panturrilhas;
- cefaleia;
- náuseas e vômitos.
Outros sinais podem incluir diarreia, dores nas articulações, olhos avermelhados ou sangrantes, sensibilidade à luz, dor ocular e tosse. Em casos raros, podem aparecer manchas cutâneas ou aumento do fígado, baço ou gânglios linfáticos.
Cerca de 15% das pessoas afetadas evoluem para formas severas da doença após aproximadamente uma semana desde o início dos sintomas. A manifestação clássica é conhecida como síndrome de Weil, caracterizada por icterícia intensa (coloração amarelada da pele), insuficiência renal e hemorragias frequentes nos pulmões. Na fase tardia da doença podem surgir tosse seca, falta de ar e expectoração sanguinolenta; lesões pulmonares agudas também podem ocorrer.
Diagnóstico da leptospirose
O diagnóstico é realizado através de exames sanguíneos que detectam a presença da bactéria ou seus anticorpos. O método varia conforme a fase da doença: na primeira semana são utilizados exames diretos, cultura bacteriológica e PCR (detecção do DNA); posteriormente são aplicadas cultura bacteriológica novamente junto com ELISA-IgM e microaglutinação. Esses testes são realizados pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens). Exames complementares como hemograma completo e raio-X torácico ajudam na avaliação do estado geral do paciente.
Devido à semelhança dos sintomas com outras doenças infecciosas como dengue ou gripe, muitas vezes a leptospirose pode ser confundida com essas condições.
Tratamento para leptospirose
O tratamento deve ser iniciado imediatamente ao suspeitar da doença e é recomendado em qualquer etapa do quadro clínico; sua eficácia é maior nas primeiras semanas. Casos leves podem ser tratados ambulatorialmente; já os graves requerem hospitalização urgente para evitar complicações fatais. Na fase inicial são frequentemente utilizados antibióticos como doxiciclina ou amoxicilina; enquanto na fase tardia recomenda-se penicilina cristalina ou ceftriaxona.
A automedicação não é recomendada. Indivíduos que suspeitam ter contraído a doença devem procurar assistência médica imediatamente informando sobre possíveis exposições ao risco.
Dicas para prevenção
- Água: utilize somente água potável filtrada ou fervida devido ao risco das enchentes quebrarem encanamentos;
- Lama proveniente das enchentes: possui alto potencial infeccioso; sua remoção deve ser feita com luvas adequadas seguida por desinfecção dos locais afetados com solução adequada;
- Evite contato com águas das enchentes: proíba crianças de brincar nessas áreas; trabalhadores envolvidos na limpeza devem usar proteção adequada;
- Controle efetivo dos roedores: descarte correto do lixo e armazenamento seguro dos alimentos são essenciais; dedetizações devem ser realizadas apenas por profissionais treinados.




