Crise no Líbano: Primeiro-ministro renuncia ao cargo; Beirute tem protestos

Em meio manifestações e a uma profunda crise política no Líbano, o primeiro-ministro Hassan Diab anunciou a renúncia do cargo em discurso transmitido pela televisão. Com isso, toda a equipe ministerial se dissolveu. A ministra da Informação do Líbano, Manal Abdel Samad, e o ministro do Meio Ambiente, Damianos Kattar, foram os primeiros deixarem seus cargos, no último domingo. Beirute, capital do país, encara o terceiro dia consecutivo de protestos. A população foi às ruas contra o governo exigindo justiça para as vítimas das explosões registradas na última terça-feira que transformaram a capital do país em uma zona de guerra  e deixaram mais de 150 mortos, além de 5 mil feridos e dezenas de desabrigados.

As autoridades libanesas temem que as explosões possam provocar uma crise alimentar no país, já que o Líbano importa 85% do que consome e já enfrentava dificuldades econômicas. Parte do trigo estocado na capital Beirute foi destruído e a população está preocupada com a possível falta de pão. As manifestações no país do Oriente Médio começaram em outubro de 2019, quando o primeiro-ministro Saad Hariri foi forçado a renunciar do cargo.

Especialistas libaneses investigam se uma substância usada na produção de explosivos e fertilizantes pode ter sido a causa da enorme explosão que arrasou parte de Beirute na última terça-feira, 4. Segundo o presidente libanês, Michel Aoun, 2.750 toneladas de nitrato de amônio vinham sendo armazenadas num depósito na região portuária havia pelo menos seis anos sem o devido cuidado. Incidentes semelhantes com a mesma substância já foram registrados em outras partes do mundo. Outras hipóteses, como a de um atentado, ainda não estão descartadas. Aoun disse que vai investigar as causas do incidente e que “ninguém está acima da lei”.

Ajuda do Brasil

No último domingo, 9, em conferência com outros chefes de Estado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou ajuda humanitária do Brasil ao Líbano e convidou o ex-presidente Michel Temer, filho de libaneses, para chefiar a missão. Temer disse, por meio de nota, que está honrado com o convite feito por Bolsonaro. Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) levarão medicamentos, equipamentos de saúde e alimentos para o país árabe.

 

By Midia ABC

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