1 de 2Foto de reunião dos estados-membros da OMS, de junho, para discutir a situação do coronavírus mostra predominância masculina. — Foto: Reprodução/OMS
Foto de reunião dos estados-membros da OMS, de junho, para discutir a situação do coronavírus mostra predominância masculina. — Foto: Reprodução/OMS
Os homens predominam em mais de 85% dos grupos de especialistas, de forças-tarefa e de órgãos consultivos sobre a Covid-19 em todo o mundo, com paridade de gênero em apenas 3,5% dos locais, revela uma análise dos dados publicada na revista científica BMJ Global Health.
Os autores explicam que, antes da pandemia, haviam vários compromissos globais para se avançar na inclusão de gênero no que diz respeito à governança de órgãos de saúde.
Porém, diante da urgência gerada pela Covid-19, grupos consultivos e painéis de especialistas foram criados rapidamente, sem observar os compromissos com a inclusão de gênero.
Publicada nesta quinta-feira (1), a pesquisa alerta, contudo, que a urgência da situação provocada pelo coronavírus não deveria ser justificativa para não incluir as mulheres nas tomadas de decisão sobre a doença.
2 de 2Tela na sede da União Europeia em Bruxelas, na Bélgica, mostra líderes de países europeus durante cúpula. Somente 4 são mulheres. — Foto: Olivier Hoslet/Pool via AFP
Tela na sede da União Europeia em Bruxelas, na Bélgica, mostra líderes de países europeus durante cúpula. Somente 4 são mulheres. — Foto: Olivier Hoslet/Pool via AFP
Os autores citam como exemplo os Estados Unidos, onde as mulheres representam apenas 9% da Força-Tarefa do Coronavírus da Casa Branca, mas são 82,5% da equipe de Resposta à Covid-19 da agência americana de saúde, o CDC.
Por outro lado, o estudo ressaltou que os países com mulheres no comando foram associados a respostas Covid-19 particularmente eficazes, com menos casos e menores taxas de mortalidade.
O levantamento reuniu dados até junho de 2020 de órgãos de decisão e de especialistas globais e nacionais de 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU).
Consequências
Segundo os pesquisadores, ter maioria de homens tomando decisões sobre a pandemia se tornou um “padrão perturbadoramente aceito de governança da saúde global.”
“Homens que dominam posições de liderança na saúde global têm sido o modo padrão de governar”, afirma o estudo, relacionando esse padrão pouco representativo com maiores chances de reproduzir preconceitos sociais e estereótipos de gênero, sugerem os autores.
Além da inclusão de gênero, os autores lembram que as forças-tarefas internacionais e nacionais de saúde devem ser mais diversificadas no que também diz respeito à “etnia, raça, cultura, geografia e deficiência dos seus dirigentes”.
Veja os vídeos com análise de dados da pandemia
