
Ao ser questionada sobre a afirmação do uso de cloroquina por Bolsonaro, OMS esclareceu que medicamento não deve ser usado em casos hospitalizados da Covid-19. Imagem mostram cloroquina manipulada em laboratório
Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Ao ser questionada sobre as afirmações do presidente Jair Bolsonaro sobre o uso de cloroquina, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (10) que
“A OMS não indica o uso da cloroquina em pacientes de coronavírus porque não conseguimos demonstrar um benefício claro a eles”, afirmou diretor de emergências da OMS, Michael Ryan.
“Nos nossos estudos observacionais, não vimos nenhuma mudança positiva entre aqueles que tomaram o medicamento”, reforçou o diretor de emergências.
Em relação às declarações de Bolsonaro, infectado com a Covid-19, Ryan afirmou que é difícil comentar sobre qualquer uso individual específico de hidroxicloroquina, mas orientou que o medicamento “deve ser usado sob orientação e acompanhamento médico.”
O Ministério da Saúde afirmou ao Supremo Tribunal Federal na quinta-feira (9) que o protocolo sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus, publicado no fim de maio, não obriga médicos e pacientes a adotarem o tratamento.
Bolsonaro defende o uso da substância contra o coronavírus, embora não existam evidências científicas de que o medicamento produza efeitos para esse fim.
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Vírus não será erradicado
Ainda nesta sexta, a OMS afirmou que o coronavírus não será erradicado, então é preciso que os países entrem em ação rapidamente a cada surgimento de novos focos.
“‘Nesta altura, é pouco provável que consigamos eliminar ou erradicar o coronavírus”, afirmou Ryan.
Mesmo que um país ou região consiga controlar a transmissão do vírus, como algumas regiões já conseguiram, sempre haverá a ameaça de casos importados.
“Enquanto o vírus estiver presente, há risco de transmissão”, alertou Ryan.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu que é preciso mais enagajamento da sociedade em geral.
“Precisamos de liderança, participação comunitária e solidariedade coletiva”, disse o diretor-geral da OMS.
Mais de 12 milhões de casos de coronavírus foram relatados desde o início da pandemia, sendo que metade deles foram relatados somente nas últimas seis semanas.
“Nas últimas 6 semanas, os casos mais que dobraram”, disse Tedros.
“Ainda há muito trabalho a ser feito”, concluiu o diretor-geral da OMS.
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Pandemia fora de controle
Na quinta-feira (9), durante a reunião dos estados membros, a OMS alertou que a pandemia continua se acelerando pelo mundo e que maioria dos países não conseguiu controlá-la.
“Mais de 544.000 vidas foram perdidas. A pandemia ainda está se acelerando”, alertou Tedros.
Transmissão pelo ar
Na terça (7), a OMS reconheceu que o coronavírus pode ser transmitido pelo ar, e não somente pelo contato com as gotículas expelidas por pessoas infectadas, como vinha afirmando.
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A líder técnica para prevenção e controle de infecções da OMS, Benedetta Allegranzi, reconheceu que estão surgindo novas evidências desse risco de contágio pelo ar, mas afirmou que elas não são definitivas e que ainda é preciso reuni-las e interpretadas.
Allegranzi destacou que a OMS já recomenda que as pessoas evitem ambientes fechados e lotados, mantenham o distanciamento e usem a máscara em determinadas situações. Sugere ventilação adequada para ambientes internos.
Na quinta, a Organização publicou novo documento com as atualizações sobre o modo de transmissão do coronavírus pelo ar.
OMS publica novo documento sobre formas de transmissão da Covid-19
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‘Não conseguimos demonstrar um benefício claro’, diz OMS sobre o uso da cloroquina em pacientes de coronavírus
