Estudo feito pelo projeto Observatório De Olho na Quebrada em parceria com a Unifesp entrevistou 281 moradores da comunidade na Zona Sul de SP. Pandemia afeta saúde mental de moradores de Heiiópolis, diz pesquisa
Um levantamento divulgado nesta terça-feira (22) aponta que 86% dos moradores da comunidade de Heliópolis, na Zona Sul da cidade de São Paulo, se sentem deprimidos durante a pandemia do coronavírus e 69% declararam estar mais tensos e agoniados neste período.
O estudo foi feito pelo projeto Observatório De Olho na Quebrada em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e entrevistou 281 moradores da comunidade entre os meses de julho e agosto de 2020. A pesquisa revelou também que para 64% dos entrevistados está mais difícil se concentrar durante esses meses. O isolamento prejudicou o sono de 62% deles.
“Elas [as pessoas] não conseguem dormir porque elas não conseguem deitar a cabeça na cama e pensar se aquele vai ser o último dia que vai ter um teto sobre você mesmo e isso acaba passando na pesquisa, né? 69% das pessoas não estão conseguindo dormir direito, estão tendo algum problema para dormir por causa dessas preocupações, porque não tem dinheiro, a maioria mora de aluguel, então não sabe se vai ter a casa pra dormir, se vai ter o que comer, tem que decidir se vai comer ou pagar o aluguel”, conta o pesquisador do Observatório de Olho na Quebrada, João Victor de Paula Pinto.
Devido a pandemia, espaços de educação, cultura e lazer fecharam na região e 90% dos entrevistados relataram que não são mais capazes de desfrutar de atividades antes realizadas em seu cotidiano. Segundo a pesquisa, o momento desencadeou problemas como tristeza, medo, falta de ânimo e até crises de ansiedade nos moradores.
“Eu sou professora de dança também então eu tenho muitos alunos, esse distanciamento para mim pegou meu lado sentimental em tudo, porque através da dança eu ajudava eles também com problemas de bebida, de drogas, essas coisas. Com esse distanciamento, eu fico pensando como eles estão agora. Então, mexe com o psicológico da gente”, conta a pesquisadora do observatório da quebrada, Letícia Avelino.
A comerciante Euzeni Próspero vive na comunidade e é proprietária de um bar na região. Ela conta que desde que uma amiga próxima faleceu ela tem reforçado os cuidados com a Covid-19 no seu estabelecimento.
“Eu fiquei com medo porque a gente nunca viu isso no mundo, então foi uma coisa que veio. Eu achei difícil e quando ela morreu parecia que todo mundo ia acabar, porque não só ela, seis pessoas que eu conheci, de quando eu cheguei, foram embora”, conta o comerciante Euzeni Próspero.
Criar uma rotina e manter contato com amigos e parentes pelas redes sociais ajuda a aliviar os problemas que a pandemia pode trazer para a mente, segundo o psiquiatra Elson.
“O isolamento tem que ser físico e não social, isso implica fazer ligações pras pessoas que você ama, se preocupar, mandar vídeos, ver vídeos, fazer lives, fazer encontros virtuais. porque o afeto transcende essa questão do isolamento físico. O afeto transpõe grandes distâncias”, afirma Elson.
A Prefeitura de São Paulo informou que a região de Heliópolis é atendida por três Centros de Atenção Psicossociais (CAPS ) que oferecem apoio psicológico de graça à população, mas pra ser atendido, é preciso ir antes até uma unidade básica de saúde para receber o encaminhamento.
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86% dos moradores de Heliópolis se sentem deprimidos durante a pandemia, aponta pesquisa
