
Desembargador Eduardo Siqueira afirmou ao Conselho Nacional de Justiça que foi vítima de ‘armação’. Desembargador rasgou multa em Santos, SP
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A defesa do guarda civil municipal humilhado pelo desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo, desmentiu a alegação de que ele foi vítima de uma “armação” e que teria ocorrido abuso de autoridade por parte do GCM. A manifestação da defesa ocorreu após o magistrado afirmar, nesta segunda-feira (27), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que foi vítima de “armação” no episódio em que foi flagrado rasgando uma multa por não usar máscara de proteção em uma praia de Santos, no litoral de São Paulo.
Na ocasião, ele foi visto chamando o guarda de analfabeto. “Leia bem com quem o senhor está se metendo”, disse o desembargador ao guarda, mostrando um documento. Cinco dias depois do episódio, Siqueira divulgou uma nota na qual pediu desculpas e disse que o trabalho do guarda foi “irrepreensível”.
Desembargador humilhou GCM ao ser solicitado que ele usasse máscara em Santos, SP
Após o episódio o magistrado passou a ser alvo de uma investigação, presidida pelo CNJ, que apura se ele feriu a Lei Orgânica da Magistratura, o Código de Ética da Magistratura e se o caso se enquadra nas leis sobre abuso de autoridade e desacato a autoridade.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, Eduardo Siqueira foi alvo de 40 procedimentos de apuração disciplinar nos últimos 15 anos. Todos os processos foram arquivados.
Em defesa, Siqueira afirmou que foi vítima de uma “armação”, pois foi “perseguido e ilegalmente filmado pela Guarda Civil Municipal de Santos”, pois, “ o guarda municipal que permaneceu na viatura sabia das abordagens anteriores, especialmente a última, quando, pela primeira vez, houve uma altercação”, diz a manifestação enviada ao CNJ.
Além disso, a defesa alegou que a identificação como desembargador era “extremamente relevante” e não configurou “carteirada”, pois é “prerrogativa do magistrado não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do Órgão Especial competente para o julgamento”.
Procurados pelo G1, os advogados do Jefferson Douglas de Oliveira e João Manoel Armoa Junior de Cícero Hilário, de 36 anos, emitiram uma nota, informando aber a respeito dos argumentos utilizados por Siqueira, e que ele tem o direito de elaborar sua defesa com os argumentos que entender pertinentes.
Nesse âmbito, conforme os advogados, compete ao CNJ apreciar a sua manifestação, chegando à melhor conclusão possível para o caso. Segundo a nota,os advogados afirmam não concordar com a alegação, principalmente, “pelo fato de ter afirmado que houve crime de abuso de autoridade por parte dos Guardas Municipais e uma ‘verdadeira armação’, o que não é verdade”.
“Diferentemente dos argumentos do Sr. Eduardo em sua manifestação, entendemos que não houve qualquer abuso de autoridade por parte do Guarda Cícero Hilário em sua abordagem. Inclusive, as imagens que circulam nos veículos de comunicação demonstram o comportamento de cada um dos envolvidos no incidente. Estamos colhendo todos elementos necessários para adoção das medidas judiciais que entendermos pertinentes, seja na esfera cível ou criminal”, encerra a nota.
Guarda Civil foi humilhado por desembargador durante fiscalização em Santos.
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Defesa de guarda humilhado por desembargador desmente acusações de abuso de autoridade e armação
