
Caso foi registrado no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde será investigado. Unidade de acolhimento já foi alvo de denúncias de percevejos nos colchões e larvas em alimentos. Prefeitura não se posicionou sobre a agressão. Um frequentador do Centro Temporário de Acolhimento (CTA) da Água Rasa diz ter sido agredido por seguranças da unidade durante a madrugada desta quarta-feira
Reprodução/Pastoral do Povo de Rua
Um frequentador do Centro Temporário de Acolhimento (CTA) da Água Rasa diz ter sido agredido com socos e pontapés por seguranças da unidade durante a madrugada desta quarta-feira (29), localizado na Mooca, na Zona Leste de São Paulo.
O caso foi registrado no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde será investigado.
A vítima sofreu ferimentos na cabeça e procurou ajuda na paróquia de São Miguel Arcanjo, onde o vigário da Pastoral do Povo de Rua, padre Julio Lancelotti, oferece café da manhã para centenas de sem tetos todos os dias.
Lancellotti disse que “ao tentar entrar no CTA e chutar o portão, os seguranças do CTA saíram e o surraram”, e que os seguranças diziam “você é um cagueta, somos pais de família e não queremos perder o emprego”.
A Prefeitura de São Paulo foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Denúncias
Frequentadores do CTA de Água Rasa reclamam de infestação de insetos
A unidade do CTA da Água Rasa funciona 24 horas por dia, tem 440 vagas masculinas para pernoite de pessoas em situação de rua.
Imagens gravadas no centro de acolhimento por sem-tetos mostram insetos nas paredes dos quartos do centro de acolhida. Eles dizem que estão sendo atacados por percevejos e ficam com marcas pelo corpo.
“Já há alguns dias a gente tá sofrendo por isso, meus amigos estão sofrendo por isso”, disse um deles.
“Ah, (a gente) não dorme. Falar bem a verdade: não dorme, não tem como dormir com uma situação dessa. É muito desagradável, você sente os bichos andando no corpo”, assinala ele.
Outro sem-teto disse que teve que ser transferido para outro abrigo após sofrer um ataque alérgico das picadas.
“A boca ficou inchada, dormente; a garganta inchou. Fiquei com um pouco de falta de respiração. Aí fui medicado e depois de algumas horas eu já fiquei um pouco melhor. Porém, a pele foi melhorar só depois que eu saí do ambiente”, disse o frequentador.
Após a onda de picadas e infestações, os sem-teto disseram que a procura no posto de saúde por atendimento é grande.
“Fui no posto da saúde, quando eu cheguei, conversei com a médica. A médica já até falou ‘Olha, moço, a situação está totalmente deplorável porque a gente não tem mais medicamentos aqui na UBS (unidade básica de saúde) da Mooca, porque é muita gente procurando o tratamento”, diz outro sem-teto.
Sem saber que estava sendo gravada, uma funcionária do centro de acolhimento na Mooca diz que os casos de pessoas picadas por insetos no local são frequentes.
Os frequentadores também reclamam das condições de higiene dos banheiros no centro de acolhimento da Mooca e que o local não vem sendo limpo adequadamente.
ONG que administra recebe R$ 400 mil por mês
O centro de acolhimento é administrado pela ONG Nossa Senhora das Graças, que já foi alvo de reclamações sobre as condições de higiene em outros centros. Em 2019, funcionários de três unidades tinham que fatiar sabonetes e encontraram percevejos nos colchões e larvas em alimentos.
Contratos mostram que a Prefeitura pagou, desde junho de 2018, R$ 275 mil por mês para a ONG administrar o local. Em julho desse ano, o contrato recebeu um aditivo e o valor aumentou para R$ 424 mil mensais.
Para o padre Julio Lancelloti, vigário da Pastoral de Rua, pelo que vem sendo pago, o serviço poderia ser melhor executado. Ele diz que também falta fiscalização.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que “os centros de acolhida receberam orientações de serem higienizados constantemente e mantidas as janelas abertas, além de posicionar as camas em distância segura nos quartos”.
Segundo a Prefeitura, “a limpeza do local é realizada por 24 profissionais, em período diurno e noturno, orientados de acordo com o procedimento operacional padrão, fazendo a desinfecção do local com produtos adequados e permitidos pela Anvisa”.
A Prefeitura disse ainda que o local foi fiscalizado nesta semana e que está à disposição para receber reclamações dos usuários.
Frequentador de centro de acolhimento de Água Rasa diz ter sido agredido por segurança
