
Número de casos positivos, falta de medicamente e alta ocupação de leitos preocupam, segundo o secretário de Saúde, Aldenis Borim. Prefeito Edinho Araújo durante reunião com o secretário de Saúde
Divulgação/Prefeitura de Rio Preto
O secretário de Saúde de São José do Rio Preto (SP), Aldenis Borim, afirmou que o Comitê Gestor de Enfrentamento ao Coronavírus estuda a possibilidade de adotar medidas ainda mais restritivas em virtude do número de casos, leitos disponíveis e falta de medicamentos para tratar pacientes com Covid-19.
“Cada momento é um momento. Ou seja, fizemos um lockdown para nos prepararmos. Depois seguimos o estado, aumentamos as restrições das bebidas alcoólicas, dos supermercados, somos a cidade mais restritiva na fase laranja. Só que, em virtude do que estamos vendo, a importância passa a ser o doente. O doente que não pode ser tratado. Essa é nossa maior preocupação. Então, nós estudamos medidas mais restritivas, sim. O Comitê vai decidir esse final de semana.”
De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado na tarde de sexta-feira (31), o município contabilizava 9.021 casos confirmados e 240 mortes causadas pela Covid-19. A cidade ficou próxima de regredir à fase 1 (vermelha) do Plano São Paulo de flexibilização das atividades econômicas.
Aldenis Borim demonstrou preocupação com o aumento do número de casos positivos de coronavírus no município e alegou que as expectativas não são otimistas para as próximas semanas.
“Estamos extremamente apreensivos e tomando várias medidas para que possamos controlar o número de casos, para não entrarmos em uma duplicação a cada três, quatro dias, o que seria desastroso para a cidade”, disse o secretário de saúde, que complementou:
“O Comitê tem tomado atitudes nas horas certas. As restrições que nós fazemos é para o bem da população como um todo. Se novas restrições forem feitas, não é para prejudicar ninguém. Por favor, sigam às normas de higiene, sigam todas as recomendações, não façam aglomerações, evitem horários de pico, é uma maneira de você se proteger.”
Medicamentos e leitos
O secretário de Saúde afirmou que o município abrirá mais leitos para conseguir atender todos os pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.
“Iremos criar novas vagas, estamos lutando para isso. Nós já temos uma opção que foi tomada. Ela depende de alguns ajustes, mas nós criaremos novos leitos. Nós fechamos a UPA Jaguaré para atender exclusivamente casos de Covid-19 e nós já estamos praticamente no limite. Abriremos leitos de enfermaria. Teremos novidade para semana que vem”, disse o secretário de Saúde.
Apesar do plano para abrir novas vagas, permitindo que nenhum morador fique sem receber acompanhamento especializado, Aldenis também informou que a falta de medicamentos é uma realidade em Rio Preto, assim como em hospitais da região.
“Hoje nós temos três grandes preocupações. Uma delas é leito para o que estar por vir. A segunda é a medicação. Nós já comunicamos oficialmente o estado da falta de medicamentos. Você vai abrir leitos, mas não tem medicação para tratar o paciente”, afirmou o secretário de Saúde.
Na sexta-feira (31), a Fundação Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Funfarme), mantenedora do Hospital de Base e Hospital da Criança e Maternidade, encaminhou um ofício ao Ministério Público alegando que o estoque de sedativos e relaxantes musculares durará somente para os próximos seis dias.
O Promotor de Justiça Sérgio Clementino afirmou que afirmou que instaurou procedimento para apurar a situação e que enviará o ofício à Secretaria Estadual de Saúde para cobrar providências. Caso a situação não seja resolvida, será instaurada uma ação civil contra o estado de São Paulo.
“Muitas atitudes não dependem de nós. Por exemplo, você faz a compra, mas o indivíduo não entrega. Todo mundo nem responde os e-mails enviados ou telefonemas feitos. Quando encontramos, os preços são exorbitantes. Muitas vezes temos que justificar isso, como vamos pagar por uma medicação que custava R$ 10 e agora está R$ 70? É uma exploração”, disse Aldenis Borim.
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Rio Preto estuda possibilidade de adotar medidas ainda mais restritivas para combater Covid-19
