
Camila e Adriano enfrentaram a pandemia do novo coronavírus para viajar até a Ucrânia e conhecer a pequena Pietra, filha deles gerada em uma barriga de aluguel. Camila com a filha no colo
Arquivo Pessoal
Depois de cruzar o oceano Atlântico e enfrentar a pandemia do novo coronavírus para buscar a filha Pietra na Ucrânia, o casal Camila Pavan e Adriano Garbelini, de São José do Rio Preto (SP), fez o caminho de volta e já está no interior de São Paulo com a filha nos braços.
O casal teve a filha por meio de barriga de aluguel na Ucrânia, um dos países onde o procedimento é autorizado. A pequena Pietra nasceu no dia 11 de junho. Encarar as mais de 30 horas da viagem de volta não foi tarefa fácil.
“O nosso voo foi por Paris e esperamos um período muito longo, foi complicado ficar com a bebê lá. Nós dois usamos máscaras e protetor facial o tempo todo, mas ela não podia usar e isso foi um ponto de preocupação o tempo todo”, afirma Camila.
Camila e Adriano estão com a filha em Rio Preto desde o fim do mês passado. Pietra nasceu em junho e eles tentaram prolongar o máximo possível a permanência no país europeu por causa da situação do coronavírus em Rio Preto – que tem mais de 9 mil infectados e mais de 240 mortes.
“Chegamos a Rio Preto e foi muito gostoso reencontrar a família, emoção indescritível, estavam todos esperando, toda minha família fez o teste do Covid para saber se tinha condições de conhecer a Pietra. Em Kiev a situação estava bem segura e Rio Preto está bem preocupante, nos preocuparmos muito com isso, com a segurança da Pietra”, diz.
Com a chegada em casa, o casal agora espera ter a vida normal, na medida do possível por causa da pandemia. “Agora é vida normal dentro da possibilidade. Fechamos um ciclo com a chegada ao Brasil, em casa. Agora vamos iniciar outro com a nossa filha”, afirma.
Camila e Adriano com a filha Pietra no colo e a equipe de enfermeiras da clínica
Arquivo Pessoal
Barriga de aluguel
Camila e Adriano tiveram a filha gerada por barriga de aluguel em Kiev, na Ucrânia. Ela tem distrofia muscular, o que impede uma gestação tranquila.
Antes de contratar uma barriga de aluguel em outro país – já que no Brasil esse tipo de gestação é proibida – eles tentaram uma barriga solidária com uma parente, mas não deu certo.
O casal procurou clínicas nos Estados Unidos, Índia, Tailândia, mas foi na Ucrânia o local escolhido por ter o melhor custo-benefício e ter um atendimento bem humanizado.
Com tudo decidido, o casal foi para Kiev fazer a coleta do material genético do marido. Segundo a administradora, por causa da distrofia muscular, ela não pôde doar o óvulo. Assim, o embrião foi colocado em uma mulher escolhida por Camila.
Mesmo no Brasil, eles acompanharam os ultrassons, as informações das medidas do feto e fotos que vinham da clínica de Kiev.
Por causa da Covid, eles tiveram muitas dificuldades para chegar à Ucrânia. Eles tiveram de pedir autorização para o governo ucraniano e essa autorização chegou apenas três horas para o voo.
Camila e Adriano com Pietra na clínica da Ucrânia
Arquivo Pessoal
Realização de um sonho
Por causa da pandemia, na Ucrânia eles tiveram de ficar em quarentena em um hotel por aproximadamente 10 dias e realizaram o teste para detectar o coronavírus. Com ele negativo, puderam ir para o hotel escolhido pela clínica e aguardar o nascimento de Pietra.
“Quando percebi que teria a chance de não estar aqui quando ela nascesse, fiquei desesperada. Minha filha já não passou os nove meses dentro da minha barriga, ela passou na barriga de outra pessoa, e não queria perder mais um minuto longe dela. Foi muito exaustivo, fisicamente e psicologicamente. Nunca passamos por uma pandemia e não sabíamos o que encontrar porque cada país estava reagindo de um jeito”, afirma.
Camila e Adriano, de Rio Preto, com a pequena Pietra nos braços, que nasceu em Kiev
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