Mortes por insuficiência respiratória também subiram 19% entre março e julho, em comparação ao ano anterior, segundo dados do portal da Transparência do Registro Civil. Mortes de adultos por doenças sobem 28% no estado
O número de adultos com idades entre 20 e 59 anos que morreram por doenças aumentou 28% no estado de São Paulo durante a pandemia do coronavírus em relação ao ano passado, segundo levantamento feito pelo SP2.
O dado portal da Transparência do Registro Civil sobre mortes naturais leva em consideração todos os óbitos que não foram causados por causas externas como acidentes ou crimes.
A comparação foi feita entre os dias 16 de março a 16 de julho de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.
A análise por divisão de faixa etária mostra aumento de 10% nas mortes entre pessoas de 20 a 29 anos; 30% em pessoas de 30 a 39 anos; 32% de 40 a 49 anos e 29% para adultos entre 50 a 59 anos.
Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), esse crescimento é muito acima do normal e a única explicação é a Covid-19.
Insuficiência respiratória
Também houve aumento de mortes por insuficiência respiratória em 19% no estado. Em algumas cidades, o número dobrou entre março e julho, em relação ao mesmo período do ano passado.
Seu Teodoro teve todos os sintomas da Covid-19, mas os três exames que ele fez deram negativos, segundo o filho Diego. Internado com problemas respiratórios, ele não resistiu e morreu, no hospital Tide Setubal, na Zona Leste de São Paulo. A causa da morte foi registrada como insuficiência respiratória.
Mas Diego conta que ele, a mulher e uma sobrinha pegaram a doença, depois de contato com o idoso.
“Eu acredito que ele estava, um mero exame não vai mudar nada, porque ele estava com os sintomas. Falta de ar muito forte, e quando a gente levou ele, foi tratado desde o segundo retorno como Covid”, diz Diego Souza Teixeira.
A história dele não é a única. Segundo o levantamento com dados dos cartórios, as mortes por insuficiência respiratória cresceram ainda mais que o estado nas quatro maiores cidades da Região Metropolitana.
Em Osasco, por exemplo, dispararam 211%. Em Guarulhos, 150%. Em São Bernardo do Campo 100% e na capital, quase 70%.
“Normalmente mais de 50, 60% dessas mortes é de acordo com a pandemia que estamos vivendo. Então sim, pode associar isso ao Covid”, diz a infectologista Raquel Muarrek.
Mortes em casa
Também chama atenção a alta dos óbitos em casa: 22%. Nos hospitais o número também subiu, só que menos:12%.
O aumento das mortes em casa tem a ver com os pacientes que já estavam fazendo algum tratamento médico, mas que por medo de pegar a Covid-19, deixaram de ir ao hospital quando a saúde piorou. Na capital, subiu 28% o número de mortos em casa durante a pandemia.
Os dados mostram ainda que entre os idosos as mortes cresceram 11%, bem abaixo do registrado entre adultos com até 59 anos de idade (28%)
Segundo o vice-presidente da Arpen-SP, Luís Carlos Vendramin Júnior, os números refletem a pandemia.
“Todo ano tem um aumento, é natural, que é o aumento do número populacional. Então querendo ou não você tem aumento de falecimento. Agora o aumento de 2019 para 2020 é claramente decorrente da pandemia”, diz.
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Mortes de adultos entre 20 e 59 anos aumentam 28% no estado de SP durante a pandemia em comparação a 2019
