Frango-d’água da África é avistado em Fernando de Noronha


Registro feito há dois anos ganha reconhecimento; Caimão-de-allen é considerada uma espécie vagante, ou seja, sofreu um “desvio” em sua rota de migração. Jovem de caimão-de-allen foi registrado em Fernando de Noronha em 2018
Leopoldo Pivovar
A observação de aves sempre proporciona momentos especiais aos admiradores da natureza. Para muitos é difícil descrever a emoção de ficar frente a frente com uma espécie desejada. Mas entre tantas histórias e sensações que marcam os observadores durante uma “passarinhada” a que se destaca na grande maioria das vezes é aquela relacionada ao elemento surpresa.
Há dois anos Leopoldo Pivovar Plotecya viajou a Fernando de Noronha e todos os dias o amante da vida selvagem acordava cedo para registrar paisagens e as espécies da fauna. E foi durante uma manhã que ele se deparou com uma ave diferente, um jovem caimão-de-allen, uma espécie de frango-d’água distinta das brasileiras.
“O tempo estava bastante nublado avistei de longe a ave caminhando sobre a vegetação aquática e comecei a fotografar. Eu havia estudado alguns dias antes a lista de espécies da ilha, e não tinha visto nada semelhante ou da mesma família, portanto já sabia que seria uma novidade”, diz.
Espécie considerada vagante não é comum de ser encontrada no Brasil
Leopoldo Pivovar
O observador de aves encaminhou os registros para amigos pesquisadores que logo identificaram a espécie. A surpresa, portanto é que a ave registrada não é natural do Brasil, ela ocorre na verdade em algumas regiões da África como das ilhas Madagascar e Comoro, passando por Quênia, Tanzânia, Gana e Marrocos e é considerada rara na Europa tendo registros em Portugal e Espanha. De acordo com o ornitólogo Luciano Lima o caimão é um vagante.
“Provavelmente é um bicho que estava migrando para algum lugar e no meio da migração foi desviado da rota e acabou indo parar em Fernando de Noronha. O arquipélago recebe espécies vagantes, porque às vezes elas estão voando sobre o mar e de repente veem uma massa de terra e se direcionam para pousar lá. Essas ilhas oceânicas são lugares que recebem bastante essas aves vagantes”, explica.
Esta não foi a primeira vez que um caimão-de-allen foi encontrado no país, mas o flagrante é considerado importante principalmente para os pesquisadores tentarem compreender a frequência e ocorrência das aves que não são naturais no país. Para contribuir nesta questão neste ano o episódio se tornou uma nota científica divulgada pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos.
O documento oficial foi publicado em nome de Leopoldo que fez o flagrante e do observador Gabriel Bonfa. “A espécie havia sido registrada próxima da costa brasileira em 2017, norte da foz do Amazonas, e o registro que publicamos reforça a ocorrência dela no Brasil. Além disso, demonstra ainda que o arquipélago de Fernando de Noronha é fonte de registros de espécies vagantes do Velho Mundo, e isso vinha sendo apresentado em artigos publicados por outros pesquisadores anteriormente”, comenta.
Sobre o caimão-de-allen (Porphyrio alleni)
É uma espécie que se assemelha ao frango-d’-água-azul, que ocorre no Brasil. A principal diferença entre eles é que o caimão-de-allen possui as pernas avermelhadas, e o jovem tem um padrão escamado nas penas das costas. Vive em áreas úmidas e assim como outros membros da família Rallidae, é considerado arisco. O nome da espécie é uma homenagem ao oficial da marinha britânica William Allen.

By Midia ABC

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