Emplacamentos de veículos têm queda de 40% em Piracicaba e Limeira: ‘retomada vai ser lenta’, diz economista


No primeiro semestre, queda na venda de veículos na região foi brusca por conta da pandemia. Haroldo Torres avalia que a recuperação do mercado automobilístico após a pandemia pode demorar
Arquivo Pessoal
As duas maiores cidades da região, Piracicaba (SP) e Limeira (SP), registraram uma queda de 40% no número de novos carros emplacados no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2019. O recuo no mercado automobilístico é um reflexo da pandemia, segundo especialista.
De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o total de veículos emplacados entre janeiro e junho de 2019 em Piracicaba foi de 5.294.
Em Limeira, no mesmo período, o número foi de 3.094, totalizando 8.588 nos dois municípios.
Em 2020, os dados mostram que o total de veículos emplacados foi de 3.006 em Piracicaba e 2.020 em Limeira, ou seja, 5.026 ao todo, uma queda de 40,08%. Os dados incluem carros, motocicletas, comerciais leves – que são furgões, vans e picapes, caminhões e ônibus.
Ainda de acordo com os dados da Fenabrave, a média de emplacamentos diários caiu quase pela metade nas duas maiores cidades da região.
No primeiro semestre de 2019, foram em média 29 veículos por dia em Piracicaba. Já este ano, a média dos seis primeiros meses foi de 17. Em Limeira a situação é semelhante. A média passou de 17 no ano passado para 11 este ano.
“A gente pode atribuir o recuo à pandemia. […] Quando olhamos para o setor de veículos é importante dizer que a cadeia produtiva como um todo foi afetada no Brasil”, explicou o doutor em economia e professor da Faculdade Pecege, Haroldo Torres.
A fábrica da Hyundai em Piracicaba foi uma das que ficaram paralisadas por um período e ainda não retornou com a produção total.
Torres afirmou que o ano para o segmento automobilístico começou bem, mas em março, com o início da pandemia, começou a recuar.
A maior queda no setor foi observada em abril. Em maio, a recuperação começou, mas será uma subida muito mais devagar, segundo ele.
“Essa retomada vai ser lenta. A gente estima que vai demorar de quatro a cinco anos para voltar ao patamar de 2019.”
A confiança do consumidor foi um dos fatores que levou à queda brusca. “Acho que o pior já passou, mas como toda a crise as pessoas precisam ter confiança”, explicou.
Produção de veículos na fábrica da Hyundai, em Piracicaba (SP)
Divulgação/Hyundai
Região de Piracicaba
Mesmo com o cenário negativo em todo o país, Torres disse que especificamente na região de Piracicaba, onde o agronegócio é um setor com boa participação na economia, a tendência é que a recuperação seja mais rápida.
Ele citou a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em cerca de 3%, ao contrário de outros setores, que tendenciam queda.
“O agronegócio vai ter um ano muito positivo em função da desvalorização cambial. Ou seja, vai gerar mais renda. Tendo essa maior geração de renda, leva, por sua vez, a um maior nível de consumo. Isso “puxa” a aquisição de máquinas, equipamentos, caminhonetes, carros. Eu diria que Piracicaba tem uma vantagem”, completou.
Julho
Mesmo com a queda brusca, o cenário começou a apresentar melhora significativa a partir de julho. “Apesar de estar muito abaixo do que era antes da pandemia, já surpreende as concessionárias”, afirmou. Torres elencou três motivos para a recuperação nesse momento:
Pessoas adiaram as compras na quarentena
Baixa rentabilidade das aplicações financeiras, com a Selic a 2%
Prorrogação da isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos financiamentos
Em julho, Piracicaba teve 725 emplacamentos de veículos e Limeira 581, conforme os dados da Fenabrave.
Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba.

By Midia ABC

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