Quatro meses após suspensão de visitas, vendedora revê marido preso por meio de sala virtual em SP


Cláudia Pereira fez vídeo-chamada por meio de sistema implantado pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) em presídios. Encontros presenciais foram suspensos por causa da pandemia. Vendedora faz visita virtual a CPP de Jardinópolis (SP) após 4 meses sem contato com o marido preso
Cláudia Roberta Pereira/Acervo pessoal
Com as visitas suspensas por causa da pandemia de coronavírus, a vendedora Cláudia Roberta Pereira, que mora em Ribeirão Preto (SP), ficou quatro meses e meio sem ver o marido, que está preso no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Jardinópolis (SP). Agora, por vídeo-chamada, o casal pôde matar a saudade.
“Só de ver que ele está bem já muda bastante. É o principal. A gente só estava conversando por carta, aí quando vi ele foi muito bom. Ficamos muito felizes”, diz a vendedora, que convidou a filha, de 23 anos, para se juntar à conversa.
Cláudia conta que nunca deixou de visitar o marido, desde que ele foi preso por tráfico de drogas, há seis anos e oito meses. Ela diz que o companheiro aproveitou a conversa para discutir os planos de arranjar um emprego quando sair da cadeia, em 2021.
Detento do CPP de Jardinópolis (SP) faz vídeo-chamada durante a pandemia de coronavírus
Secretaria de Administração Penitenciária/Divulgação
Visitas virtuais
A vídeo-chamada funciona como uma visita virtual aos presídios do estado de São Paulo. Cláudia tem direito a uma ligação por mês, além da possibilidade de enviar duas cartas ao marido por semana, escritas à mão ou por e-mail.
A duração dos encontros é de cinco minutos. Apesar de o tempo ser curto, comparado com as nove horas que ela costumava passar com o marido durante as visitas presenciais, a vendedora diz que a iniciativa trouxe conforto à família.
“Deu para gente conversar e ver que ele está bem. Para mim foi muito bom. Eu gostei. Cinco minutos é pouco, mas antes isso do que nada.”
Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Jardinópolis (SP)
Paulo Souza/EPTV
Projeto
Os encontros são aos sábados e domingos, entre 7h e 16h, o horário tradicional das visitas, nas salas onde são realizadas audiências virtuais em dias úteis. O resultado do projeto tem sido positivo, avalia a diretora do Programa de Atenção ao Egresso e Família da SAP, Carolina Maracajá.
“O contato com o mundo externo ajuda na reintegração à sociedade”, diz Carolina. “A população carcerária entende o motivo da suspensão da visita presencial, mas a angústia e a ansiedade deles são muito grandes, por isso é importante o contato com a família.”
Capacidade de atendimento
Cláudia foi uma das primeiras a participar das visitas virtuais, no dia 25 de julho. Desde então, 25.125 encontros ocorreram em todo o estado e outros 14.976 estão agendados entre sábado (8) e domingo (9), de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).
Com 318 estações de atendimento, as unidades prisionais do estado podem realizar 26.712 vídeo-chamadas por final de semana. Apesar disso, o número não é suficiente para atender os 218 mil detentos de SP.
Em Jardinópolis, são quatro estações de atendimento que podem realizar 1.344 vídeo-chamadas por mês. A disponibilidade alcançaria a capacidade de 1.080 detentos, mas, atualmente, a unidade está superlotada, com 1.737 presos.
A capacidade, no entanto, deve ser ampliada com a instalação de outras 366 estações até o final do ano, ainda de acordo com a SAP. Com isso, o número de atendimentos por final de semana subiria para 57.456.
Familiares interessados em participar das vídeo-chamadas devem agendar um horário no site da SAP. Os visitantes precisam ter cadastro prévio no rol de visitas, com exceção de crianças até 12 anos.
Vendedora faz visita virtual a CPP de Jardinópolis (SP) após 4 meses sem contato com o marido preso
Cláudia Roberta Pereira/Acervo pessoal
*Sob supervisão de Thaisa Figueiredo
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By Midia ABC

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