Setor cultural do Alto Tietê avalia que ainda é cedo para retomar atividades presenciais


Após 18 dias na fase amarela do Plano SP, cidades da região podem retomar atividades culturais, mas profissionais da área ainda refletem a possibilidade. Em Mogi, Secretaria afirma que é cedo. Alto Tietê completa 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo
Artistas e profissionais do setor de cultura, desde o começo da pandemia, convivem com as incertezas do futuro das atividades no Alto Tietê. Com a permanência da região na fase amarela do Plano São Paulo por 28 dias, o setor pode focar em medidas para um retorno seguro.
No entanto, a retomada, liberada para eventos, atividades e espaços culturais, ainda é incerta. Em Mogi das Cruzes, por exemplo, a Secretaria de Cultura já informou que é cedo. Na região, trabalhadores da arte também afirmam esperar pelo momento certo.
Bailarinas e palco. Difícil imaginar um sem o outro. Com a pandemia, as cortinas que tinham acabado de se abrir no começo do ano, tiveram que fechar. A Regina Cunha é proprietária de uma escola de balé em Mogi e conta que dois grandes eventos da companhia foram cancelados.
“Nós tínhamos duas datas, dois eventos programados. Um era a reapresentação do espetáculo que seria em abril, também comemorando o aniversário da escola. Outro seria o Festival Mogi em Dança em maio e em junho seria o Alto Tietê em Dança. Tudo foi cancelado e agora, mesmo tendo essas duas datas no Vasques que já eram até pagas, não sabemos se será possível esse ano”, comenta.
Os grupos de teatro também precisaram se afastar do público. A Associação Cultural Opereta, por exemplo, foi um dos grupos que também cancelou as atividades programadas, como foi o caso do tradicional espetáculo “Passos da Paixão”. Outras atividades, como as oficinas, foram adaptadas.
“As oficinas estão acontecendo on-line, que seriam as oficinas presenciais que a gente realiza no segundo semestre. O festival on-line, nós abrimos as inscrições, as inscrições vão até o dia 15, e elas são voltadas para os artistas munícipes de Poá ou que realizam, já realizaram, alguma atividade cultural na cidade de Poá. Esse festival será totalmente on-line, haverá uma remuneração pela apresentação, e vai do dia 17 de agosto até, pelo menos, o dia 7 de setembro”, explica Anderson Borges, presidente da Opereta.
Foram mais de quatro meses se reinventando, até que a região completasse 28 dias na fase amarela do Plano Estadual de Retomada Econômica. Dessa maneira, espaços públicos culturais como teatros, bibliotecas e cinemas já poderiam voltar a receber o público, mas segundo o secretário, Mateus Sartori, em Mogi o retorno deve esperar.
Setor cultural do Alto Tietê avalia que ainda é cedo para retomar atividades presenciais
Reprodução/TV Diário
“O momento agora é aguardar a entrada de setembro. No meio de setembro fazer uma nova avaliação. Se é possível abrir com algumas atividades. Lembrando que o teatro está sendo usado. Temos ações que são gravadas aqui dentro. Mas assim, com público, acho que vale a pena a gente daqui 30 dias fazer uma nova análise se nós temos isso, que seja possível realizar de forma segura”.
“Nós temos um grupo dos secretários de cultura, diretores e coordenadores de cultura, da região do Alto Tietê. Ainda não é um consenso, um documento, mas na discussão que nós tivemos, boa parte das 12 cidades que fazem parte do consórcio, disseram que não voltarão com as atividades culturais neste momento”, completa o secretário de Cultura.
Ainda segundo o secretário, foi feita uma consulta com as pessoas que tinham agenda com o teatro do começo do ano até setembro e todos ainda acreditam que é cedo.
“O artista que pega o teatro municipal e depende da bilheteria para pleitear sua atividade cultural, se a gente fizer isolamentos como tendem a ser os protocolos, a bilheteria seria para 80 pessoas. Aí o custo fica muito elevado para que o artista custeie o investimento que ele vai fazer aqui”, afirma.
“Não é viável nem para o artista que necessita da bilheteria. Essas atividades que independem da bilheteria, como as escolas de música, de dança, que vem os pais assistir seus filhos, como colocar, por exemplo, 100 crianças, 50 crianças dentro dos camarins? Isso não é seguro nem para a sociedade civil, nem para os artistas e para os colaboradores do teatro municipal”, declara Sartori.
Que é difícil ficar longe do público ninguém duvida, mas para quem faz as apresentações, o que mais vale agora é garantir medidas para que o retorno seja seguro e inesquecível, como afirma Anderson.
“Apesar do Governo liberar, pouco a pouco, essas atividades, nós não temos ainda segurança para circular livremente sem o risco da infecção. Nós vimos que na cidade de Poá, assim como na região, nós temos uma série de casos. Tem pessoas próximas que, infelizmente, faleceram. Por enquanto a gente não conta com essa possibilidade de retorno, infelizmente”.
“Fica difícil você apresentar um conjunto, mantendo uma distância, sendo que a coreografia exigia que você ficasse mais próximo. Tudo teria que ser mudado, coreografia. Enfim, acho que vamos ter que esperar um pouco para que tudo se acerte. Tudo tem sua hora, momento certo”, conclui Regina.
Para a cidade que estiver autorizada e escolher pela retomada das atividades culturais, o plano prevê determinações de segurança como o funcionamento com capacidade limita a 40%, no máximo seis horas diárias e distanciamento entre os assentos.

By Midia ABC

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