Em inquérito sorológico, Unesp aponta contato de 989 moradores de Jaboticabal, SP, com a Covid-19


Terceira e última etapa do estudo testou 258 pessoas e encontrou nove anticorpos para o novo coronavírus. Resultado é menor do que etapas anteriores. A etapa final do inquérito sorológico da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontou que 989 moradores de Jaboticabal (SP) tiveram contato com o novo coronavírus. O número representa 1,28% da população total do município, estimada em 77.263.
Durante os trabalhos, realizados em 25 e 26 de julho, os pesquisadores testaram 258 pessoas. Desses, nove apresentaram anticorpos da Covid-19, sendo quatro para IgM – quando a infecção para o vírus é recente – e cinco para IgM/IgC – que representa o início da imunização.
Para o anticorpo IgG, que indica imunidade total do organismo ao novo coronavírus, nenhuma amostra foi encontrada.
Ainda segundo a Unesp, houve recusa em 23 residências e, em 83, os moradores não foram localizados.
Pesquisa da Unesp vai mapear possíveis zonas de contágio da Covid-19 em Jaboticabal (SP)
Reprodução/EPTV
Mudanças
Houve uma recontagem dos resultados da primeira e segunda etapa da pesquisa, conforme anúncio desta quarta-feira (12).
Segundo a professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, Adolorata Aparecida de Bianco, que está à frente da pesquisa, houve um ajuste de cálculos por conta do acúmulo dos dados consolidados ao final das três etapas.
Na primeira divulgação, em 24 de junho, a Unesp informou que 1.725 moradores da cidade tiveram contato com o coronavírus. O número representava 2,24%. Agora, com o novo cálculo dos pesquisadores, o dado subiu para 2,85%, isto é, 2202 pessoas.
Na segunda fase, detalhada em 20 de julho, o estudo disse que 3,23% da população foram infectados. Isso era equivalente a um total de 2.487 moradores. Porém, na atualização dos dados, a pesquisa apontou que o número subiu para 2.696 pacientes, 3,49% da população.
Central de atendimento para coronavírus em Jaboticabal, SP
Reprodução/EPTV
Queda no inquérito
O dado da última etapa do inquérito é menor do que o apresentado nas duas fases anteriores. Segundo os pesquisadores, esse número não era esperado e agora o foco é tentar explicar o motivo da queda.
A professora Adolorata descarta falhas nos testes adquiridos pelo município e nos profissionais que participaram da pesquisa. No entanto, ela acredita que a estratégia usada para a coleta dos exames poderia ter sido diferente.
No início do inquérito, foram sorteadas 250 residências para serem visitadas na primeira etapa. Para as duas fases seguintes, a ideia foi testar os moradores vizinhos para identificar a disseminação pelo bairro.
“Na maioria de onde foi sorteado não existe mais o contato entre os vizinhos. A estratégia, talvez se tivesse sido outra, de sortear todas casas de uma vez, o resultado poderia ser diferente. Mas o item disseminação, dispersão do vírus na redondeza, não seria possível analisar”, explica a pesquisadora.
Mas apesar do resultado surpresa, a professora acredita que a conclusão do estudo foi positiva para o município e para as ações que as autoridades sanitárias planejam no combate do avanço da pandemia.
“Nós conseguimos ter uma ideia da prevalência e o nosso cálculo é feito estatisticamente, considerando cada individuo testado, que foi positivo ou que foi negativo. Se foi feito dessa maneira, é um valor muito próximo da realidade. Fizeram toda análise estatística para chegar nessa conclusão”, afirma.
Dados da Prefeitura
No boletim epidemiológico desta quarta-feira, a Prefeitura de Jaboticabal confirmou o registro de 22 novos casos em relação ao dia anterior e uma nova morte. Com isso, o município tem 387 diagnósticos positivos da doença e 21 óbitos.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, são 587 suspeitos em monitoramento e três pessoas ainda aguardam os resultados o exame.
A cidade tem 15 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes em estado grave com a Covid-19. Desses, dez estão com internações. A taxa de ocupação é de 66,6%.
Por fazer parte do Departamento Regional de Saúde 13, com sede em Ribeirão Preto (SP), a cidade está na fase amarela do Plano São Paulo, que determina a retomada da economia durante a pandemia.
Com isso, o comércio de rua, shoppings, escritórios, academias, bares, restaurantes e salões de beleza podem funcionar, com restrições.
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Na primeira etapa, pesquisadores visitaram 250 moradores de diversas regiões de Jaboticabal (SP)
Reprodução/EPTV
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By Midia ABC

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