Rede pública fez apenas 25% do total de 1,7 milhão dos testes do tipo PCR, indicado para confirmar se a pessoa está com a doença no momento. O Estado de São Paulo chegou a três milhões de testes
O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (14) que o estado realizou mais de 3 milhões de testes de Covid-19. O valor considera todos os tipos de testes, nas redes pública e privada. A maioria dos exames foi realizada na rede particular.
Entre abril e agosto, foram realizados 1,7 milhão de testes do tipo RT-PCR no estado, que são mais precisos para indicar se a pessoa está contaminada naquele momento. Destes, apenas 25% foram feitos na rede pública (441 mil).
Os demais testes são do tipo sorológico, que indicam se a pessoa possuem anticorpos contra o coronavírus, indicando um contato no passado.
Após nova determinação da Agência Nacional de Saúde, os planos de saúde terão agora que cobrir os custos dos testes do tipo sorológico, seguindo algumas regras. O plano só é obrigado a pagar pelo teste do paciente a partir do oitavo dia dos sintomas e de crianças e adolescentes que já tiveram a Covid-19 e estejam com suspeita de síndrome inflamatória grave.
Na rede pública, moradores ainda relatam dificuldades para realizar o exame PCR para confirmar a contaminação.
“Já fui no posto de saúde tentar fazer, falou não, tem que ter o pedido médico. Tem que passar pelo pronto socorro pra fazer esse teste, então é difícil o acesso”, afirma a bancária Sonia Maria Pimenta.
Maria Vitória conseguiu fazer o PR na AMA do Jardim Peri, mas precisou voltar ao local pra saber o resultado.
“Quando eu chego lá e questiono, ela falou: o que você está fazendo aqui? Eu falei vim buscar meu resultado, porque ninguém me ligou, ninguém me falou nada. A moça falou: você tem que ir pra casa porque testou positivo”, diz.
A circulação de pessoas contaminadas precisa ser evitada. Por isso os testes e a divulgação dos resultados são tão importantes: pra detectar quem está doente, saber com quem esse paciente teve contato, e, assim, barrar a circulação desse grupo.
A rede pública só conseguiu ampliar de forma significativa o número de testes RT-PCR em julho, quando passou de 200 mil, de acordo com o sistema de monitoramento inteligente do estado. O número de testes do tipo feitos em agosto, até agora, já é mais alto do que o registrado em todo o mês de maio, por exemplo.
O coordenador de Controle de Doenças da secretaria de Saúde do estado, Paulo Menezes, diz que o número de testes realizados pela rede pública vem aumentando mês a mês.
“Há uma perspectiva e um esforço para que progressivamente o número de testes processados por dia vá crescendo, mas há um limite para isso que é a rede laboratorial instalada no estado de São Paulo e no país”, afirma.
Segundo Menezes, a capacidade de testes processados na rede pública aumentou de 1,5 mil amostras por dia para 10 mil amostras.
Para a epidemiologista do Observatório Covid-19 BR, Brigina Kemp, é importante testar mais pessoas e saber como aplicar esses dados na contenção da doença.
“Tem que ser uma testagem relacionada com as ações de assistência e as ações de vigilância. Uma testagem sem estar relacionada com vigilância, com rastreamento de contato, com verificação de casos, com manejo dos pacientes ela pode não levar a nada”, afirma a especialista.
Apenas quatro meses após o registro do primeiro caso no estado, o governo anunciou a criação de uma ferramenta unificada para que os municípios façam o monitoramento de pessoas que tiveram contato com casos confirmados de Covid-19. Nesta semana, o programa de rastreamento foi ampliado.
Estado de SP realiza 3 milhões de testes de Covid-19, maioria na rede particular
