De acordo com sindicato, que pede retomada de benefícios e melhores condições de trabalho, adesão é de 90%. Correios falam em crise financeira e criticam intransigência de entidades representativas. Greve afeta funcionamento dos Correios em Ribeirão Preto
A greve dos funcionários dos Correios completa nesta sexta-feira (28) 11 dias sem previsão de término e com prejuízo à prestação dos serviços na região de Ribeirão Preto (SP).
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios (Sintect-RPO), a adesão na região é de 90% e afeta principalmente os setores de atendimento e entrega.
Os trabalhadores – que pedem melhores condições de trabalho na pandemia da Covid-19, são contra um processo de privatização da empresa e reclamam de cortes de benefícios – ocupam nesta sexta-feira a central de entregas de encomendas do Parque Candido Portinari, na zona leste da cidade.
Segundo a diretora do Sintect-RPO, Fernanda Romano, funcionários de gerência e supervisão estão trabalhando, mas toda a parte operacional está parada. Em outras unidades de Ribeirão Preto, o atendimento é parcial, mas há cidades da região, de acordo com ela, em que todos os serviços das agências foram interrompidos.
Em nota (leia a íntegra ao final da reportagem), os Correios alegam que discussão de benefícios concedidos em outros momentos foi adotada em função de uma crise nas finanças. A empresa critica o que considera uma intransigência por parte das entidades que representam os funcionários e que a paralisação prejudica prejudica não só a eles, mas toda a população.
“Famílias podem ser impactadas com a espera de remédios e produtos de saúde, enquanto aguardam o desenrolar da paralisação. Os Correios transportam, ainda, materiais biológicos – como amostras de sangue, por exemplo – para detecção de doenças e análises clínicas para secretarias de saúde e laboratórios em todo o país”, comunicou.
A paralisação dos funcionários foi aprovada na noite de 17 de agosto. No dia 18, os trabalhadores ocuparam uma central de triagem do bairro Lagoinha, responsável por processar até 500 mil encomendas por dia antes da redistribuição para 92 cidades da região. O local foi desbloqueado pelos funcionários por determinação judicial um dia depois. Na liminar, o juiz da 1ª Vara do Trabalho, Fabio Natali Costa, ponderou que o serviço postal é considerado essencial, inclusive no contexto da pandemia.
Uma das principais reivindicações da categoria é o corte de benefícios que, segundo o sindicato, reduziram em até 35% a remuneração. “Não estamos pedindo aumento, só queremos resgatar o que nos foi tirado desde 1º de agosto”, afirma Fernanda Romano.
Em meio ao impasse, os Correios entraram com um pedido de dissídio no Tribunal Superior do Trabalho (TST), solicitação que ainda aguarda julgamento, segundo a empresa.
Correios
Os Correios emitiram uma nota sobre a greve nesta sexta-feira. Leia na íntegra:
Desde o início da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, os Correios têm sido transparentes sobre a sua situação econômico-financeira, agravada pela crise mundial causada pela pandemia de Covid-19. Conforme já amplamente divulgado, a empresa não tem mais como suportar as altas despesas, o que significa, dentre outras ações que já estão em andamento, discutir benefícios que foram concedidos em outros momentos e que não condizem com a realidade atual de mercado, assegurando todos os direitos dos empregados previstos na legislação.
A paralisação parcial em curso somente agrava esta situação. A intransigência das entidades representativas, que tornaram a greve uma prática quase anual, está prejudicando não só o funcionamento da empresa, mas, essencialmente, a população brasileira.
Isso porque se trata, também, de uma questão de saúde pública: famílias podem ser impactadas com a espera de remédios e produtos de saúde, enquanto aguardam o desenrolar da paralisação. Os Correios transportam, ainda, materiais biológicos – como amostras de sangue, por exemplo – para detecção de doenças e análises clínicas para secretarias de saúde e laboratórios em todo o país.
Sobre esta categoria de objetos, destacam-se o envio mensal de leite em pó (cerca de 300 mil latas), medicamentos (mais de 100 mil itens), 7 mil testes do pezinho, dentre outros tipos de materiais, que somam mais de 425 mil objetos desta natureza por mês, contabilizados somente os clientes com contrato, fora as postagens que ocorrem diretamente nas agências.
Além disso, empreendedores estão sofrendo impactos nos seus negócios, tendo em vista que dependem dos serviços da empresa para conseguirem se manter com a pandemia. A economia brasileira está sendo afetada como um todo.
Diante dessa situação, amplamente exposta nos últimos meses, a empresa aguarda o julgamento do Dissídio de Greve pelo Tribunal Superior do Trabalho para por fim ao impasse. Vale ressaltar que os Correios têm preservado empregos, salários e todos os direitos previstos na CLT, bem como outros benefícios do seu efetivo.
A empresa confia no compromisso e responsabilidade de seus empregados com a sociedade e com o país, promovendo o retorno ao trabalho das pessoas que ainda se encontram em greve, já que a questão encontra-se em juízo e será resolvida pelo TST.
Como retirar suas encomendas diretamente nas unidades dos Correios
O padrão dos Correios é entregar no endereço indicado pelo remetente. Porém, quando o objeto for endereçado a localidade onde não há distribuição domiciliar ou quando as tentativas de entrega não forem bem sucedidas, a encomenda ficará disponível para retirada na unidade mais próxima do endereço indicado.
Para acompanhar a movimentação de um objeto, basta informar seu código de rastreamento em nosso site. Se nossos sistemas já mostrarem o nome e endereço da unidade para retirada, o objeto já estará disponível para coleta pelo cliente.
Caso o próprio cliente não possa retirar sua encomenda, outra pessoa poderá ser autorizada a fazê-lo. Encontre aqui o modelo de autorização para pessoa física.
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