
Ivam Rodrigues, do Sintricom, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (27). Afastamento se estende a toda diretoria. Sindicalistas são investigados por extorsão a empresas e ameaças a trabalhadores. Justiça afasta sindicalista preso da presidência de sindicato em São José dos Campos
Sintricom/Divulgação
A Justiça do Trabalho determinou o afastamento do sindicalista Ivam Rodrigues, investigado por extorsão a empresas e ameaças a trabalhadores, da presidência do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção e Montagem Industrial (Sintricom).
A decisão vale mesmo no caso dele conseguir a revogação da prisão. Além disso, o afastamento se estende a todos os membros da diretoria.
Na decisão, a Justiça do Trabalho determinou ainda que Marcelo Rodolfo Costa, que ocupava o cargo de secretário geral, assuma a presidência. Ele acionou a Polícia Militar para ir até a sede e assumir o sindicato neste sábado (29).
No local, houve um princípio de confusão com membros da diretoria que foi destituída com a decisão e a Polícia Militar precisou intervir. Ninguém foi detido. O acesso ao sindicato só foi possível após um chaveiro ser chamado.
Na prática, a decisão do juiz Bruno da Costa Rodrigues, assinada nesta sexta-feira (28), anula as eleições no sindicato e dá poderes para Marcelo ocupar o cargo no mandato que segue até o dia 9 de setembro. Novas eleições devem ser realizadas.
O G1 tentou contato com a defesa de Ivam Rodrigues, mas a advogada que o representa não atendeu as ligações.
Sindicalista investigado por extorsão e ameaças é preso em São José dos Campos
Reprodução/TV Globo
Prisão
O sindicalista Ivam Rodrigues está preso n o Centro de Detenção Provisória do Putim em São José dos Campos (SP). Ele foi preso na manhã desta quinta-feira (27) em frente à Refinaria Henrique Lage (Revap) em São José dos Campos (SP).
Ivam foi levado ao presídio na tarde de quinta-feira após ser preso em frente à refinaria. Havia uma ordem judicial para que ele não se aproximasse do local e também um mandado de prisão preventiva contra ele expedido pela Justiça Federal por causa de ameaças.
O pedido de prisão havia sido feito pelo Ministério Público Federal após denúncias de ameaças e descumprimento de medidas cautelares.
Ivam é investigado pela Polícia Federal pela atuação no Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção e Montagem Industrial (Sintricom). Ele nega as acusações e diz que é alvo de perseguição.
Em outubro de 2019, a PF promoveu a operação ‘Pau na Gata’, com objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada a prática de crimes de extorsão, ameaça e crimes contra organização do trabalho praticados, em tese, por representantes do sindicato contra trabalhadores terceirizados da Revap.
Na ocasião, o policiais apreenderam R$ 260 mil em dinheiro, uma pistola com silenciador e numeração raspada, munições de .380, um bloqueador de sinais de celular, computadores e documentos.
As investigações tiveram início após denúncias de várias empresas terceirizadas da Revap. Elas denunciaram que a ação do sindicato era extremamente violenta, com depredação de ônibus e de veículos particulares, ataques às casas de empregados das empresas, inclusive com disparos de arma de fogo, entre outras.
PF investiga denúncias de extorsão e ameaças em sindicato de São José dos Campos
Em entrevista ao Fantástico no início do ano, Ivam negou as ameaças e extorsão para forçar as contratações de pessoas ligadas ao sindicato. “As empresas falam que muitas vezes aqui na nossa base territorial não tem mão de obra especializada. E o sindicato tem um banco de dados. Aí eu ofereço”, disse.
Ivan negou ser dono da arma apreendida no sindicato e disse que o dinheiro apreendido em operação no local é lícito. Ele ainda acusou empresas de infiltrar pessoas em movimento para reprimir trabalhadores.
Histórico
A investigação da Polícia Federal teve início após confusões envolvendo sindicalistas na portaria da Refinaria Henrique Lage.
Os incidentes tiveram início por causa da contratação de terceirizados para trabalhar na refinaria. Foram quase 70 boletins de ocorrência contra sindicalistas e desde 2019 a Polícia Militar escolta ônibus com funcionários até o trabalho.
Alguns atos chegaram a terminar em confusão. Em junho de 2019, cinco pessoas foram detidas após conflito na portaria da refinaria. Em fevereiro do mesmo ano, os sindicalistas chegaram a fechar a marginal da Dutra e foram dispersado pela Polícia Militar.
Em ocasiões anteriores, o sindicato alegou que a presença na portaria da Revap era para fazer assembleias e fiscalizar o cumprimento do acordo coletivo, que prevê contratação de mão-de-obra local. Desde o início, os sindicalistas alegam que essa cláusula não é cumprida, o que é contestado pelas empresas terceirizadas.
Integrantes do Sintricon foram até a Polícia Federal de São José dos Campos após sindicalista ser detido pela PM
Pedro Melo/ TV Vanguarda
