Em meio à pandemia, Campinas tem menor número de assistidos por planos de saúde em nove anos


Cidade encerrou primeiro semestre com 572,1 mil beneficiários, diz ANS, após 5 mil contratos finalizados em três meses. Antes disso, menor quantidade foi verificada em junho de 2011. Leito de UTI em Campinas ocupado com paciente para tratamento da Covid-19
Reprodução/TV Globo
Em meio à pandemia do coronavírus, Campinas (SP) encerrou o 1º semestre com o menor número de assistidos por planos de saúde em nove anos, de acordo com levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A pesquisa mostra que as operadoras perderam 5 mil beneficiários entre março e junho e, para um economista da PUC-Campinas, o resultado é consequência do aumento do desemprego e redução da renda disponível provocada pela crise sanitária durante o período avaliado.
Segundo a pesquisa, a metrópole tinha 572,1 mil beneficiários até fim de junho – total que representa 47,5% da população estimada em 1,2 milhão de habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antes disso, a menor quantidade ocorreu em junho de 2011, quando o número de clientes contemplados pela rede particular era de ao menos 570,1 mil. Veja abaixo evolução.
Os dados divulgados pela instituição são trimestrais e o cliente considerado na pesquisa é o titular do plano, ou seja, ele pode ter mais pessoas vinculadas como dependentes, informa a agência.
Economista
De acordo com o Ministério da Economia, Campinas perdeu 994 postos de emprego formal em julho, enquanto que o saldo negativo acumulado desde janeiro chega a 16.877. A Região Metropolitana (RMC), por outro lado, encerrou o mês anterior no “azul”, após quatro meses marcados por demissões.
“As empresa demitiram muito em março, abril e maio. Muitas pessoas perderam o direito ao benefício”, falou o economista Roberto Brito de Carvalho ao ponderar que algumas das companhias podem ter optado por estender por alguns meses a assistência aos ex-funcionários durante a pandemia.
Para ele, há tendência de diminuição de assistidos por planos de saúde nos próximos meses, até que a geração de postos de trabalho volte a crescer na região. “Há sinais de que, com a flexibilização, alguns setores estejam retomando as atividades, mas a gente ainda deve caminhar para perdas. Há empresas com dificuldades, além de beneficiários com restrições que estão tentando manter pagamentos”.
Reflexos no SUS
Questionada sobre o levantamento, a Secretaria Municipal de Saúde diz que “vem absorvendo pacientes que perderam planos de saúde há alguns anos”, principalmente desde 2017, e reforça que o Sistema Único de Saúde (SUS) está à disposição da população.
“Em 2013, 55% da população tinha plano de saúde e 45% eram exclusivamente dependentes do SUS. Hoje, esse número está, provavelmente, invertido”, informa texto ao destacar entregas de 17 centros de saúde desde 2013, uma UPA, unidades de especialidades, além das reformas de 42 serviços na área.
Leitos lotados em Campinas
A necessidade de manter leitos livres exclusivos Covid-19 para avanço na flexibilização da quarentena pressiona o sistema de saúde de Campinas (SP). O secretário de Saúde, Carmino de Souza, diz que a pressão, no momento, é para equilibrar a oferta de leitos de UTI para outras doenças.
“Há uma necessidade nas próximas semanas de fazer uma reformatação da nossa rede. Os leitos de enfermaria geral, esses são menos complicados”, afirma.
De acordo com o prefeito, Jonas Donizette, que também é presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), a entidade tem debatido com o Ministério da Saúde a transição, além de observar os critérios de flexibilização da quarentena do Plano SP, que estabelece um índice de leitos livres para cada fase.
“Se ocupar todos os leitos de Covid (com não Covid), tem que voltar para fase vermelha. Precisamos agora fazer esse ajuste, uma diminuição do percentual, para poder acomodar os leitos.”
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By Midia ABC

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