Covid-19: gasto de Campinas com compra de leitos em julho chega a R$ 6 milhões e supera maio e junho juntos

Levantamento feito pela prefeitura a pedido do G1 aponta que a lotação no SUS durante os meses com mais demanda na pandemia já equivale a uma soma de R$ 11.374.598,39 aos cofres públicos. O mês de julho em Campinas (SP) será lembrado neste ano de pandemia do novo coronavírus como o período de pico de casos e mortes provocados pela infecção. Os leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) do município ainda eram insuficientes e a prefeitura precisou gastar R$ 6 milhões com a compra de vagas de hospitais privados.O cenário foi parecido com junho e maio, mas bem mais caro.
Os contratos para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfermarias – além de hospedagem para aqueles pacientes que moram em hospitais – começaram a vigorar em maio, quando os leitos começaram a faltar. A administração municipal gastou R$ 1,7 milhões no primeiro mês.
Já em junho, marcado pela alta de casos, internações e mortes por Covid-19, R$ 3,5 milhões foram desembolsados pela Saúde de Campinas. Os dois meses juntos somaram R$ 5.298.850,95, e julho ultrapassou.
Em 31 dias de uso de leitos privados contratados pela prefeitura, R$ 6.075.747,44 foram gastos. O total dos três meses chega à cifra de R$ 11.374.598,39, de acordo com o levantamento feito pela Secretaria de Saúde a pedido do G1.
13 contratos
Os 13 contratos firmados pela prefeitura com hospitais particulares – PUC Campinas, Irmandade da Misericórdia, Beneficência Portuguesa, Casa de Saúde, Samaritano e Metropolitano – e uma hospedagem somam 150 leitos de UTI, enfermaria e hospedaria. O valor contratado total é de R$ 40.752.595,20.
A diária de cada leito de UTI Covid custa R$ 2.460,98 à prefeitura. Já as enfermarias, que são leitos de retaguarda, custam cerca de R$ 1 mil por dia.
No entanto, a prefeitura paga pelo que, efetivamente, usar, e em julho começou a haver uma queda na necessidade de leitos comprados. Campinas contava com o hospital de campanha, que foi instalado na unidade dos Patrulheiros, e também foi necessário transferir pacientes para hospitais fora da cidade.
No início de julho, terminou a sequência de 19 dias de 100% de ocupação no SUS municipal. A taxa de ocupação de leitos de UTI começou a ter uma queda por conta do aumento na oferta de vagas para a cidade. Foram cerca de 30 leitos de terapia intensiva a mais do que em junho.
Entenda os usos e os gastos
Em caso de lotação nas vagas SUS, a prefeitura negocia com hospitais a compra de leitos.
O valor dos contratos varia de acordo com o número acertado de diárias ocupadas.
A quantia do acordo muda para vagas de UTIs, mais caras, ou em enfermarias, mais baratas.
Conforme os leitos contratados vão sendo ocupados, a prefeitura realiza os pagamentos.
A prefeitura paga 100% do valor do contrato se todos os leitos forem usados por todos os dias previstos no acerto.
O fato da vaga estar disponibilizada para a regulação de leitos do município garante pagamento de 70% do valor, pois o leito estava reservado.
O pagamento é sempre feito no mês seguinte à ocupação.
O dinheiro sai do caixa da prefeitura, mas tem verba do governo federal, que o município precisa complementar para chegar no valor da diária do leito.
Se for necessário, a prefeitura pode fazer requisição de leitos, quando o hospital privado é obrigado a receber o paciente, mesmo quando não há negociação.
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By Midia ABC

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