Covid-19: professores das redes estadual e particular de Campinas relatam falta de estrutura e medo com reabertura de escolas


Sindicatos das categorias são contra a abertura das instituições de ensino no próximo dia 8 de setembro para atividades complementares de reforço escolar. Prefeitura afirma que está reavaliando questão junto ao governo do estado. Sindicato das escolas estaduais de Campinas querem que escolas permaneçam fechadas durante a pandemia
Pedro Santana/EPTV
Sindicatos que representam os professores das redes estadual e particular de Campinas (SP) e região afirmam que falta estrutura em escolas, principalmente nas localizadas em periferias, e que educadores estão com medo de que as escolas reabram na próxima semana, em 8 de setembro. Nesta quarta-feira (2), as entidades informaram ao G1 que são contrárias à volta das atividades escolares durante a pandemia.
A abertura das instituições de ensino que respondem ao governo do estado de São Paulo – escolas estaduais e particulares de ensino fundamental e médio – foi autorizada pelo comitê que avalia o enfrentamento da Covid-19. Atividades complementares e de reforço escolar podem ser realizadas, sob protocolos e restrições, a partir da próxima terça-feira.
No entanto, Campinas tem enfrentado resistência de educadores. De acordo com o Sindicato dos Professores de Campinas e Região, que representa as instituições particulares, professores estão preocupados com o retorno e há escolas com problemas em relação à adoção dos protocolos.
Já o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) diz que já fez contato com o governo estadual para que seja suspensa a abertura das escolas, e que vai entrar com uma ação no Ministério Público.
“Não queremos o retorno das aulas presenciais durante a pandemia em hipótese alguma. O prefeito e o governador não tem noção de como estão as nossas periferias. Nossa realidade é drástica. Não tem condição sanitária nenhuma. Antes da pandemia, as escolas públicas não tinham nem papel higiênico. Na pandemia, vai conseguir manter?”, questiona Suely Fátima de Oliveira, diretora estadual da Apeoesp Subsede Campinas.
Segundo Suely, que também é docente do estado, no geral as salas de aula são pequenas e a maioria das escolas não tem ventilador. Há salas com mais de 45 alunos.
“Estamos trabalhando com vidas. O aprendizado, você recupera. Mas vidas, você não recupera. Para nós da Apeoesp, a vida está em primeiro lugar. Não podemos colocar a vida dos alunos e dos professores em risco. Tivemos mortes de professores e muitos infectados.”
O que diz a prefeitura?
Na última sexta-feira (31), o prefeito Jonas Donizette anunciou os critérios para a retomada das aulas presenciais – prevista para o início de outubro, seguindo os protocolos e as regras do Plano São Paulo. Sobre a abertura em setembro, o chefe do Executivo afirmou que escolas municipais e também as de educação infantil não vão abrir as portas.
Apesar de ter dito que as instituições particulares de ensino fundamental e médio e também as estaduais vão respeitar a autorização de SP, nesta quarta-feira a Secretaria de Educação de Campinas informou que está reanalisando a questão junto ao estado.
Em transmissão ao vivo, Donizette não falou no tema nesta quarta, mas disse que terá novidades sobre a Educação na cidade na próxima sexta (4).
Estado garante autonomia
De acordo com o governo estadual, apesar da Secretaria de Educação de SP ter autorizado a abertura para casos específicos em setembro, é das prefeituras a decisão de aderir ou não nas suas escolas estaduais e particulares.
O Estado disse, ainda, que não houve nenhuma oficialização da parte da Prefeitura de Campinas quanto à adesão. A prefeitura ainda precisará publicar um decreto municipal informando sobre essa adesão, o que não ocorreu até esta quarta-feira.
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By Midia ABC

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