Empresa volta atrás e diz que vai manter Cidade das Crianças em funcionamento no ABC Paulista


Prefeitura de São Bernardo do Campo disse que foi procurada pela ExpoAqua nesta segunda-feira (31) pedindo retratação “quanto ao pedido de encerramento das atividades como permissionária do parque.” Cidade da Criança, em São Bernardo, anuncia que vai encerrar as atividades
Após o anúncio de que não manteria mais a Cidade das Crianças em funcionamento, o Grupo ExpoAqua voltou atrás e informou nesta quarta-feira (2) que vai continuar a administração do parque em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Segundo a Prefeitura de São Bernardo do Campo, a administração foi procurada pela ExpoAqua nesta segunda-feira (31) pedindo retratação “quanto ao pedido de encerramento das atividades como permissionária da Cidade da Criança.”
De acordo com nota da prefeitura, “no documento, a empresa reafirma seu compromisso em garantir o pleno funcionamento das atividades do parque – somente após as devidas autorizações previstas no Plano São Paulo, do governo do Estado.”
Na quinta-feira (27), um grupo de pessoas havia feito manifestação na porta do parque para pedir a garantia do emprego e do funcionamento do espaço. Na nota enviada ao G1, a prefeitura informou que a “empresa também se comprometeu a manter os atuais funcionários do espaço e a cumprir todos os protocolos sanitários necessários. Os serviços internos no local (neste momento, sem atendimento ao público) retornarão assim que a permissão de uso for retomada.”
Em nota, a ExpoAqua confirmou a decisão de retratação perante a Prefeitura de São Bernardo do Campo sobre o pedido de encerramento das atividades como permissionária da Cidade da Criança, ocorrido na semana passada.
“A reconsideração ocorreu por meio de ofício junto à Administração Municipal, nesta segunda-feira (31/08), cujo teor reforça seu compromisso em garantir o pleno funcionamento das atividades do parque – somente após as devidas autorizações previstas no Plano São Paulo, do governo do Estado”, diz a empresa.
Ainda segundo a nota, a empresa “assume o compromisso em manter os atuais funcionários do espaço e a cumprir todos os protocolos sanitários necessários. A decisão atende a milhares de manifestações, sobretudo em redes sociais, e principalmente em zelar pelos 150 empregos diretos e outros 50 indiretos de funcionários que honraram, ao longo de tantos anos, a manutenção do espaço.”
O parque está fechado desde 20 de março de 2020 por conta da pandemia do coronavírus. “Por se tratar de um parque temático, vai continuar acompanhando o Plano São Paulo e, por enquanto, manterá interrompidas suas atividades”, disse a nota da ExpoAqua.
Anúncio de fechamento
Em uma rede social o grupo ExpoAqua, que administrava o local havia dez anos, anunciou o encerramento da gestão na quinta-feira (27) e um grupo de cerca de 120 pessoas realizou um protesto na porta do local pedindo a reabertura do parque e a garantia dos empregos.
A Cidade da Criança foi um marco turístico na cidade durante as décadas de 1970 e 1980, sendo considerada um cartão de visitas da cidade. O parque atraiu turistas de vários pontos do país, principalmente do Rio de Janeiro. Os anos passaram e o local chegou a ficar abandonado de 2005 até 2010, quando foi reaberto (leia mais abaixo).
Em nota, a Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo informou que recebeu nesta quinta-feira uma proposta de uma empresa para administrar o parque.
A prefeitura disse que “vem norteando suas decisões com base nos apontamentos epidemiológicos, na busca de preservar vidas. Da mesma forma, são as decisões para a reabertura de qualquer atividade no município, que está na fase Amarela do Plano SP, do Governo do Estado, responsável pelas permissões de reabertura de atividades em todo o Estado, seguindo orientações do Centro de Contingenciamento.”
Ainda segundo a prefeitura, “para a reabertura de Parques Temáticos, como é o caso da Cidade das Crianças, é necessário que a cidade esteja na fase Verde (seguinte à Amarela), obedecendo a uma série de protocolos sanitários. Toda esta situação vinha sendo dialogada junto ao permissionário.”
Manutenção
Em relação aos cuidados com os brinquedos e espaço físico da Cidade da Criança, a prefeitura informou que “os serviços de limpeza, segurança e manutenção do parque são de responsabilidade da prefeitura e seguirão sendo executados normalmente por equipe de funcionários próprios mantida no local.”
O Grupo ExpoAqua tinha autorização para exploração e gestão dos equipamentos de diversão e demais atrações, “mediante pagamento de preço público, com autonomia para contratação de funcionários terceirizados para ações que envolvessem a permissão de uso.”
A prefeitura disse que “assim que a cidade for para a fase verde do Plano São Paulo, o parque irá reabrir com este ou outro permissionário que já manifestou interesse em explorar o espaço.”
Empresa que administrava o Parque Cidade das Crianças, em São Bernardo do Campo, fecha o local
Reprodução/Redes sociais
Morte no brinquedo
A Justiça de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, arquivou o inquérito policial que apurava a morte de Ilma Pereira de Souza, de 40 anos, em um brinquedo do parque Cidade da Criança, em 24 de julho do ano passado. Ela acompanhava a filha no brinquedo conhecido como “Brucomela” e bateu a cabeça em um ferro após passar mal.
O juiz Leonardo Fernando de Souza Almeida, da 2ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, disse em sua decisão que acolheu a manifestação do Ministério Público pedindo o arquivamento do inquérito. O relatório policial concluiu pelo não indiciamento de nenhum funcionário ou dos responsáveis pelo parque Cidade da Criança.
“Da análise dos autos, não se pode afirmar que os fatos que, lamentavelmente, ensejaram na morte da vítima, decorreram de falha humana, uma vez que, durante as investigações não se verificou ação ou omissão, culposa ou dolosa, de terceiro que ocasionasse o acidente durante o trajeto do brinquedo”, disse a manifestação do Ministério Público.
Mulher caiu da Brucomela, uma mini montanha-russa da Cidade da Criança, em São Bernardo do Campo
Reprodução/TV Globo
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Santo André apontou que a causa da morte da mulher que caiu de um brinquedo no Parque Cidade da Criança foi traumatismo craniano.
Testemunhas afirmaram que a mulher passou mal enquanto ainda estava no brinquedo, mas o exame necroscópico apontou a queda como a causa da morte.
Em fevereiro, o G1 procurou o Aquário de São Paulo, responsável pela administração do parque Cidade da Criança, para comentar a decisão da Justiça, mas os responsáveis disseram que não vão se manifestar.
“Vítima entrou viva e saiu morta”
Para Ariel de Castro Alves, advogado da família de Ilma, mesmo com a decisão de arquivamento do inquérito ainda é possível requerer indenização por danos morais e materiais. “As ações criminais e cíveis são independentes. Mesmo com o arquivamento cabe ação cível de indenização dos danos morais e materiais decorrentes da morte da Ilma.”
Segundo o advogado, a “família buscará um ressarcimento da empresa responsável pelo parque já que a vítima entrou no parque acompanhada de sua filha com vida e saudável e saiu de lá com múltiplos ferimentos e morta. Além disso, sua filha de 6 anos viu tudo e disse que gritou para a operadora parar o brinquedo a pedido de sua mãe, que estava com vontade de vomitar, conforme disse a criança na delegacia.”
“O Parque deveria dispor de ambulância com equipe própria de socorristas, já que atende diariamente, principalmente nos meses de férias escolares, um grande número de clientes, principalmente crianças e adolescentes. Ilma estava aproveitando as férias e levou sua filha de 6 anos para passear no parque. A criança estava ao lado da mãe quando ocorreu o acidente e ficou traumatizada. Todas as circunstâncias da ocorrência precisam ser devidamente esclarecidas”, disse Castro Alves.
Mulher morta em parque de diversões em São Bernardo do Campo será enterrada nesta sexta
O advogado afirmou ainda que mesmo que seja considerado de pequeno risco aos usuários, o brinquedo precisa de melhorias na segurança. “Claramente a barra de segurança não protege os usuários e o brinquedo sequer tem cinto de segurança. Se uma pessoa da estatura dela, com apenas 1,50 metro bateu a cabeça na barra de proteção ao se inclinar na lateral, o que ocorreria então com outros usuários, que podem ser crianças, adolescentes e adultos, de estaturas maiores que a dela? Certamente outras tragédias! Um parque infanto-juvenil que deveria ser seguro para seus clientes e usuários, na verdade é um local de risco e perigo, como o acidente que vitimou a Ilma demonstrou.”
Castro Alves disse que “é obrigação do estabelecimento comercial indenizar seus consumidores pelos danos gerados pelas falhas na prestação de serviços, principalmente quando ocorre morte. A diarista colaborava com o sustento de seus filhos, um jovem universitário e uma criança, que repentinamente ficaram sem a mãe após ela ir passear no parque Cidade das Crianças. E a criança ficou traumatizada para o resto da vida por ter visto a mãe se acidentar e morrer naquele dia.”
Em nota na época do fato, o Parque Cidade da Criança disse estar solidário aos familiares e acrescentou que aguardava laudos periciais e médicos para que o incidente fosse completamente esclarecido.
“Em seus mais de 50 anos de história, este é o primeiro incidente registrado no Cidade da Criança. O parque preza e sempre prezou pela segurança de seus visitantes, com um rígido calendário de manutenção e avaliação das condições de funcionamento dos brinquedos. O Cidade da Criança reitera este compromisso e está à disposição das autoridades”, diz a nota.
História
A Cidade da Criança foi um marco turístico em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, durante as décadas de 1970 e 1980, sendo considerada um cartão de visitas da cidade. O parque atraiu turistas de vários pontos do país, principalmente do Rio de Janeiro. Os anos passaram e o local chegou a ficar abandonado de 2005 até 2010, quando foi reaberto.
O tempo não colaborou com o espaço, que deixou de ser o cartão de visitas da cidade, já não atrai tantos turistas como no passado, mas ainda proporciona lembranças para quem viveu o auge do parque.
O parque funciona em um terreno arborizado de 37.742 m² na região central da cidade e foi tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compach), em 1990.
Cidade da Criança tem 48 anos, mas deixa de ser cartão de visita de São Bernardo do Campo

By Midia ABC

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