Projeto no Alto Tietê ajuda egressos do sistema prisional a encontrarem oportunidade de trabalho


Ex-detentos encaram preconceito e falta de oportunidade para se recolocar na sociedade. Região também possui iniciativa que estimula a inteligência emocional, fundamental para o processo de ressocialização. Projeto Recomeçar ajuda egressos do sistema prisional a entrarem no mercado de trabalho
Encontrar recolocação na sociedade é um desafio para os egressos do sistema prisional. A falta de oportunidade no mercado de trabalho e o preconceito atrapalham o processo, a autoestima e a vida de quem quer recomeçar.
No Alto Tietê, projetos atuam para que essas dificuldades sejam minimizadas. Há também quem atue pela inteligência emocional de ex-detentos, policiais e agentes penitenciários. Tudo por um único objetivo: dar uma chance.
“Hoje eu trabalho, hoje eu tenho um cargo de confiança. Graças a Deus, eu estou inserido novamente na sociedade, trabalho, tenho minha autoestima, graças a Deus, reconquistada”, diz o ex-egresso Claudinei Ribeiro da Silva.
Nem sempre foi assim. Faz três anos que o Claudinei saiu da prisão. Foram 10 anos na cadeia por cometer vários delitos. Tudo começou quando ele tinha 31 anos depois de uma frustração e sem ter dinheiro para levar para casa.
“Já não estava bem por estar desempregado. Por conta desse ‘não’, eu me senti muito mal. Eu falei: ‘pô, eu não estou conseguindo nem trazer o pão para dentro de casa’. A minha autoestima caiu muito. Eu acabei roubando esse comércio”, relembra.
“Comecei a praticar crimes e, na medida que você vai dando continuidade, você vai crescendo e seu crime vai aumentando, até que chegou ao ponto de eu sofrer as consequências”, desabafa.
Claudinei atua no Projeto Recomeçar e hoje auxilia outros egressos do sistema prisional
Reprodução/TV Diário
O Claudinei conheceu o Projeto Recomeçar com sede em Poá. Hoje ele é mediador e faz o primeiro contato com os egressos.
“Eu diria que o ‘Recomeçar’ foi a minha mãe. Foi a minha casa. Foi o que me abriu braços e que me recebeu com carinho. Me deu um norte, me deu a direção, para hoje eu ter o posicionamento que eu tenho enquanto sociedade”, diz.
“Por conta da oportunidade que eu tive, por conta do ‘Recomeçar’, eu consegui reescrever meu nome na sociedade”.
Assim como a mudança de vida do Claudinei, desde 2015 junto com a ONG Gerando Falcões, o projeto conseguiu recolocar cerca de 150 ex-detentos no mercado de trabalho.
“No Centro de Desenvolvimento Social de Egressos e Empreendedorismo, nós desenvolvemos essa pessoa, temos uma equipe preparada para atender esse egresso. Temos assistente social, temos psicólogas, para fazer esse trabalho com essa pessoa”, explica o gestor do projeto e ex-egresso Leonardo Precioso. Ele completa que depois de qualificar e desenvolver, a ideia é recolocar o egresso no mercado de trabalho.
O instituto atende todas as regiões do estado de São Paulo, mas de acordo com o gestor do projeto, existe dificuldade em abrir vagas nas empresas do Alto Tietê para ex-egressos. “Aqui no Alto Tietê o Recomeçar tem uma boa aderência, pois os egressos aqui da região, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, sempre procuram por nós. O que a gente não tem, realmente, no Alto Tietê, são as empresas geradoras de oportunidade. Egressos nós temos um contingente legal, porém, empresas que investem em oportunidade, infelizmente, é muito defasado na região”.
Para ajudar detentos de varias penitenciarias do Brasil, o coach e mentor de carreiras Paulo Vieira tem realizado um curso de inteligência emocional. O método já treinou mais de 600 mil pessoas, incluindo policiais militares e agentes penitenciários.
“São 55 horas de curso, 12 horas por dia de curso. As pessoas entram na plataforma, o curso é ao vivo, eu vou conduzindo. Conteúdo, técnica, ferramenta, exercício. As pessoas vão vivenciando. Temos juízes, temos médicos. É para todo ser humano, independente da origem, idade. Todo mundo precisa de inteligência emocional”, declara o coach.
No Alto Tietê o trabalho tem sido realizado com policiais. O treinamento emocional é para ajudar a diminuir casos de depressão na categoria.
“Qual é a mudança que nós percebemos? A primeira mudança é nas emoções deles, na forma que eles reagem ao estresse. O que eles relatam, antes, o estresse na rua, uma reação, um estresse diário [agora] é muito menor. Não só no momento de abordagem, no dia a dia, com os próprios colegas. Eles criam um relacionamento muito mais harmônico com os colegas deles”, completa.
“Em casa também. Nós temos depoimentos de esposas de policiais e maridos de policiais, falando que tem outro companheiro em casa, outra companheira. Os filhos relatam. Inteligência é a base”.

By Midia ABC

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