Alto Tietê tem mais de 99,1 mil edificações em áreas de risco; 19,8 mil classificadas em risco alto ou muito alto

Mapeamento foi realizado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente entre 2018 e 2020 e abrangeu na primeira etapa as cidades do Alto Tietê e o município de Guarulhos. O Mapeamento de Riscos de Movimentos de Massa e Inundações realizado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente apontou que o Alto Tietê tem mais de 99,1 mil edificações em áreas de risco inundações ou escorregamento de encostas. Do total, 19,8 mil foram classificadas nos níveis alto ou muito alto.
A cidade de Mogi das Cruzes aparece com o maior número absoluto de construções em risco, que ultrapassa 30,7 mil. No entanto, quando verificadas as que estão em maior risco, classificadas em R3 e R4, Itaquaquecetuba aparece com 7,4 mil, que é maior número entre os dez municípios.
Os relatórios de cada um dos municípios foram entregues às prefeituras. Entre setembro e novembro, os técnicos vão realizar reuniões com cada uma das administrações municipais para detalhar os resultados.
O pesquisador científico do Instituto de Geologia, Paulo César Fernandes da Silva, que integra ainda o Núcleo de Geologia de Engenharia Ambiental, explicou que para se chegar à classificação de risco do local são verificados tanto o perigo quanto a vulnerabilidade.
O primeiro analisa a incidência das inundações, por exemplo, o volume de água acumulado, enquanto o segundo verificou a infraestrutura do local como a situação do solo e das casas daquele perímetro.
“Em caso de inundação, o perigo mostra a declividade do terreno e a frequência da ocorrência dos registros. Em campo, a gente percebe se tem trinca no chão, nas casas ou o histórico de outros escorregamentos. Esses elementos determinam o perigo e a vulnerabilidade e, consequentemente, o risco que representam”, destacou.
Ele esclarece ainda que nem sempre esses riscos são iminentes, pois dependem de fatores climáticos, como volume de chuva e outros eventos geodinâmicos.
Segundo o histórico da pasta estadual, nos dez anos que antecederam o de início da pesquisa iniciada em 2018 – de 1997 a 2007 – o Alto Tietê teve mais de 2,9 mil eventos de inundações ou escorregamento de encostas.
A cidade de Mogi das Cruzes também lidera entre as ocorrências, com 1,2 mil registradas na década, o que representa 40% do total.
O estudo
O Mapeamento de Riscos de Movimentos de Massa e Inundações foi realizado como contrapartida de fortalecimento institucional do financiamento realizado pelo governo do estado junto ao Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD), via o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), para mapeamento geográfico da rodovia Mogi-Bertioga (SP-098), em 2018, ano em que a litorânea registrou uma série de deslizamentos.
O Instituto Geológico, responsável por realizar o estudo, propôs a realização do mapeamento dos 38 municípios que integram a Região Metropolitana. Nesta primeira etapa do estudo foram analisados os 10 municípios do Alto Tietê e também a cidade de Guarulhos.
Na segunda etapa, prevista para ser finalizada até o final do ano, contempla os demais municípios e ainda a rodovia Mogi-Bertioga.
A análise das áreas foi realizada em três escalas diferentes. Primeiro o levantamento mapeou todo o território dos municípios. Depois, em uma escala menor, foram observadas as áreas críticas, que definiram os locais visitados pessoalmente pelos técnicos.
Maior número de risco
Mogi das Cruzes aparece como o município da região com o maior número de edificações em risco. O secretário municipal de Segurança, Paulo Roberto Madureira Sales, que entre os órgãos a Defesa Civil, esclareceu que a cidade tem listadas todas as famílias que moram em áreas de risco, e que elas são monitoradas diariamente.
Segundo Sales, atualmente a pasta contabiliza 143 famílias em áreas de deslizamento e outras 598 em regiões que podem sofrer inundações. Entre os bairros com maior número de famílias aparecem os jardins Piatã e São Paulo, e também o Residencial Itapeti.
“A gente realiza um trabalhado diariamente de análise desses locais e também de fiscalização, para que outras pessoas não se instalem por aqui. Diariamente a gente faz derrubada de casas e barracos que estão sendo construídos. Realizamos um trabalho preventivo e também corretivo, que é reforçado ainda na Operação Verão”, garantiu.
O secretário disse que a partir do relatório do estudo recebido, as equipes vão verificar se esses locais precisam de alguma ação, e passarão a ser monitorados, bem como os outros.
“O estudo do estado é mais complexo, porque ele mensurou o solo, esse estudo feito pelo estado vai nos auxiliar na Operação Verão. Eu já determinei que em cima desse trabalho, que ela faça o monitoramento. Nós vamos fazer um levantamento, mas na nossa análise técnica a maior parte é de risco médio e baixo, porque a gente tem atualizado constantemente esses endereços”, pontuou.

By Midia ABC

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