
Os cursinhos preparatórios para os vestibulares passaram a transmitir as aulas pela internet. Pandemia muda rotina, mas não tira foco de quem quer vaga em universidade
Em meio ao cenário de pandemia, os estudantes do Alto Tietê carregam mais uma preocupação com o temido vestibular. Na fase de ingresso em vestibulares, muitos recorrem aos cursinhos para terem melhores resultados nas provas.
Para não esquecer do que foi estudado, os lembretes são colocados todos na parede. Todos os dias, durante quatro horas, Gabriela Miti, que mora em Biritiba Mirim, senta em frente ao computador para assistir as aulas pela internet e se preparar para o Enem.
“Eu estudo de noite e as aulas são ao vivo, com 4 horas de duração, das 19h às 23h. Eles deixam a aula gravada, então quando eu tenho alguma dúvida ou preciso revisar algo, eu vejo de manhã, porque à tarde eu trabalho”, conta Gabriela Miti.
Gabriela Mitti estuda 4 horas por dia para se preparar para o vestibular.
Repordução/ TV Diário
O esforço é para conseguir uma vaga na UFABC, no curso de bacharelado em ciência da tecnologia. Para isso, a estudante precisou adaptar o tempo e o jeito de estudar, e para ajudar nos estudos, ela conta com internet em casa.
“O maior desafio para mim, foi ter concentração e foco, porque o professor não está ali com você e acabamos criando um autodidatismo, o que me impactou muito, mas agora estou melhorando e me adaptando”, explica Gabriela Miti.
Desde o inicio da pandemia, os estudantes e professores precisam transportar as salas de aula ao mundo virtual. Como um cursinho pré-vestibular totalmente gratuito em Mogi das Cruzes, que para atender os alunos, foi para as plataformas digitais.
Os conteúdos são postados na internet, além da videoaula, como a que a professora de biologia Regina Maria de Freitas, prepara para ensinar os alunos. Dos 130 estudantes matriculados no começo do ano, com a pandemia apenas 15 têm mantido a frequência nas mentorias e vídeo chamadas.
“O maior desafio é o engajamento dos alunos, porque o meio on-line é muito frio, então para ter um feedback ou para o aluno se expressar é difícil. Quando pedimos para os alunos ligarem o microfone, eles não falam. Depois do recesso em julho, houve uma redução grande no número de alunos”, explica a professora.
Cerca de 85% dos estudantes do cursinho tem internet. Segundo a professora, ainda é um desafio para a organização atender quem não tem acesso ao material.
“As pessoas que não têm acesso a internet, realmente estão sem apoio, porque temos parcerias com as escolas públicas, que não retornaram as aulas, e o acesso desigual tem sido um desafio e um fator limitante”, explica a professora Regina Maria de Freitas.
Conquistar a vaga em uma universidade é um desafio e ter uma boa nota no Enem já é difícil, ainda mais com tudo que tem acontecido em 2020 com a pandemia. De acordo com a professora, são vários obstáculos para o estudante neste ano de vestibular.
“Mesmo tendo um calendário de referência, temos notado um desgaste emocional por conta dessa pandemia. Tanto por parte dos professores, como para os estudantes, principalmente os alunos do ensino médio, que precisam fazer as tarefas da escola e estudar para o vestibular. Também os professores que dão aulas em várias escolas e precisam atender uma demanda grande de alunos. Então, todo esse cenário e as incertezas, acabam impactando bastante o emocional e o psicológico”, explica a professora.
Pandemia muda rotina dos alunos, mas não tira o foco de quem quer uma vaga na universidade para 2021
