Linha 15-Prata do monotrilho isola vagões para proteger funcionários e causa aglomeração entre passageiros

Foram colocadas faixas amarelas para isolar passageiros de funcionários, apesar de relatório dizer que trens operam sem operadores; metrô diz que vai ampliar espaço de circulação dos passageiros. Áreas isoladas dos vagões do Monotrilho geram mais aglomeração de passageiros
Parte da área dos primeiros e últimos vagões na Linha 15-Prata do monotrilho, na Zona Leste, foi isolada para que funcionários do metrô possam trabalhar na operação dos trens mais afastados dos passageiros. Mas a medida tem causado aglomeração de usuários no restante do espaço dos vagões.
Foram colocadas faixas amarelas para isolar passageiros de funcionários do metrô. A justificativa é de se trata de uma medida para proteger os operadores na pandemia, mas na teoria, eles nem deveriam estar nos metrôs.
De acordo com um relatório de empreendimentos, o próprio metrô diz que o monotrilho é um sistema com uma tecnologia “pioneira” no Brasil e que os trens operam de forma automática, sem a presença de condutores.
Na prática, acontece o contrário. Os funcionários ficam na parte da frente dos vagões, coordenando a operação. O metrô diz que o funcionamento dos trens é “supervisionado por operadores”, que monitoram a velocidade e a performance dos equipamentos. Mas com eles isolados sobra menos espaço para os passageiros.
“Demorou e quando quiseram terminar, terminaram rápido. Então acredito que ainda veio com muita falha… E eles ficam tentando de uma certa forma minimizar e acaba compensando uma coisa com a outra. E no final, quem se prejudica é a população mesmo”, afirma o estudante Júlio César Plácido Gonçalves.
Histórico de problemas
A Linha 15-Prata do monotrilho começou a funcionar há seis anos. Ela foi anunciada pelo governo do estado como mais rápida e barata do que um trem tradicional, mas foi campeã em tempo de espera do metrô no começo do ano. O intervalo mínimo chegou a quase 4 minutos.
A linha também foi recordista de falhas no sistema. Em março, parou de vez, por causa de problemas nos pneus, e só voltou a operar três meses depois, em junho.
O projeto da linha também foi encurtado.Em 2016, o governo estadual decidiu que estação final seria o Jardim Colonial e não mais Cidade Tiradentes.
“Poderia ser melhor né. Pelo dinheiro que a gente paga, já é o suficiente né?”, afirma a assistente administrativa Patrícia da Rocha Rodrigues.
Para a manicure Elivânia da Rocha Alecrim, é um alívio poder chegar em São Mateus mais rápido depois de décadas de sofrimento.
“Aantes era o ônibus sempre lotado, demorava muito tempo para os ônibus chegarem, demorava muito. A gente ficava em filas e filas esperando ônibus… Muito difícil”, afirma.
O Metrô reforçou que os trens do monotrilho não têm cabine de operador, mas que esses funcionários, que nós vimos na reportagem, podem atuar em qualquer situação e auxiliar os passageiros.
De acordo com o Metrô, durante a pandemia, as pontas dos vagões foram isoladas, por questão de segurança do trabalho. O metrô prometeu que vai reduzir essa área para permitir a abertura da primeira porta dos trens e ampliar o espaço de circulação dos passageiros.

By Midia ABC

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