Diretora de escola estadual de SP afirma em vídeo que alunos que não entregarem tarefas perderão vaga na rede pública

Secretaria Estadual de Educação nega que alunos podem perder vagas e afirma que advertiu diretora e abriu investigação sobre o caso. Diretora diz que alunos que não fizerem tarefas perderão vagas na rede pública em SP
A diretora de uma escola estadual de São Paulo causou apreensão entre pais e alunos ao dizer em um vídeo que estudantes que não entregassem tarefas das aulas online de educação à distância poderiam ficar sem sua vaga na rede pública. A Secretaria Estadual de Educação negou que alunos podem ficar sem vagas (leia mais abaixo).
“As escolas públicas estão lotadas de alunos das escolas particulares. Se vocês não entregam, vão abrindo mais vagas para os alunos de fora. Os professores precisam digitar as notas em cima das avaliações, em cima das atividades que eles fazem. Não havendo atividades, não havendo avaliações, o sistema vai entender como são alunos desistentes. E aluno desistente sai da lista”, afirmou Érica Pampolin.
A diretora da escola estadual Amélia Moncon Ramponi, que fica na Zona Sul de São Paulo, alegou que a rede estadual de ensino recebeu 17 mil novos alunos durante a pandemia.
As escolas foram fechadas em São Paulo em março, no início da quarentena obrigatória contra o coronavírus. Desde estão, muitos estudantes têm enfrentado dificuldades para acompanhar o ensino à distância.
É o caso de Miguel, que estuda na Amélia Ramponi e não consegue fazer todas as tarefas que os professores passam. Ele só pode usar o celular da mãe quando ela está trabalhando. Além disso, em abril toda a família pegou a Covid-19 e passou por momentos difíceis.
“Eu internada, meu esposo internado. Ele faleceu. [Com] o falecimento do pai ele ficou muito tempo sem fazer lição”, diz a mãe Daniela Moraes Dutra.
Uniformes
A diretora também chegou a pedir no vídeo que os pais contribuam financeiramente com a escola. “Certamente vocês colaborando comprando as máscaras, os uniformes para os próximos anos, vai estar ajudando indiretamente a escola.”
A equipe do SP2 foi até a escola nesta quarta-feira (23) e a secretaria estava funcionando. No balcão de atendimento, um cartaz informava o preço das peças de uniforme. A camiseta custa R$ 27, o conjunto de calça e blusa R$ 100 e a máscara que a diretora mostra no vídeo, R$ 10.
Logo depois da gravação das imagens pela equipe, o cartaz foi retirado. A atendente afirmou que a diretora não veio nesta quarta-feira (23) à escola e que deve estar no local apenas na próxima sexta-feira (2). Ela não deu detalhes sobre o pedido para que as famílias comprem as peças.
O subsecretário de articulação da Secretaria Estadual da Educação, Henrique Pimentel Filho, afirmou que a diretora foi advertida verbalmente logo depois de mandar os vídeos para os pais.
“Nenhum aluno perderá vaga na rede estadual de São Paulo por não estar entregando as atividades. A rede estadual vai atender a todos os alunos que precisarem da rede pública. É nosso dever ter sempre vaga disponível para todos os estudantes”, disse.
Uniformes não são obrigatórios na rede estadual. Segundo Pimentel, as informações corretas foram passadas para a comunidade escolar.
Além disso, o subsecretário disse que diretores não podem fazer propaganda dos uniformes e que as máscaras serão dadas pelo governo, quando as aulas voltarem.
O subsecretário afirmou que abriu uma apuração preliminar sobre o caso da diretora. Também disse que só conseguirá contar quantos alunos desistiram de estudar durante a quarentena quando as aulas presenciais voltarem, e que o governo está mandando dinheiro para os diretores preparem as escolas para a retomada.
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By Midia ABC

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