Incor de SP inicia pesquisa para avaliar efeitos colaterais da Covid-19 nos corações de pacientes

A equipe médica vai acompanhar a evolução da função cardiológica dessas pessoas que foram infectadas pelo vírus. Resultados devem ser apresentados em novembro. Instituto do Coração pesquisa efeitos colaterais do coronavírus no coração
O Instituto do Coração (Incor) de São Paulo iniciou uma pesquisa para avaliar os efeitos colaterais da Covid-19 nos corações de pacientes que precisaram ser internados por causa da doença.
A equipe médica vai acompanhar a evolução da função cardiológica dessas pessoas que foram infectadas pelo vírus.
Os resultados dos exames estarão no primeiro Registro Nacional de Complicações Cardíacas, trabalho pioneiro liderado pelo InCor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com outras 26 instituições do país em dez estados.
Os médicos já sabem que a doença causada pelo novo coronavírus é sistêmica, ou seja, pode ter sequelas em todo o organismo, e não apenas no pulmão. Por isso, a pesquisa vai apontar quais as implicações clínicas relevantes podem ocorrer no coração nesse pós-covid.
“A covid é uma doença predominantemente pulmonar. Então ela agride o pulmão, como já foi amplamente divulgado. Porém ela agride outros órgãos também. E agride o coração. Tanto na fase de hospitalização, os casos mais graves, como na fase de recuperação. Tem vários estudos mostrando atualmente que há uma agressão no coração”, explica o cardiologista Roberto Kalil, presidente do Conselho Diretor do InCor.
O projeto, cujos estudos já tiveram mais de mil pacientes de todo o Brasil incluídos, também ganhou o nome de “CoronaHear”, e os primeiros resultados devem sair a partir de novembro. “Até outubro fecharemos essa pesquisa com 2 mil casos”, espera Kalil.
De acordo com o cardiologista, outras doenças virais também causavam danos ao coração, mas “a agressão do coronavírus é muito maior”.
“Sabemos que o vírus agride o coração. E muitas vezes quando você está internado, até nos casos mais graves, pode não ter manifestação cardíaca, mas o vírus está no coração. E no período de recuperação pode ter alguma consequência”, conta o cardiologista.
Segundo Kalil, o registro vai ajudar a acompanhar esses pacientes e o ajuste de medicação e exames mais sofisticados na avaliação deles.
“A avaliação do vírus no coração são três diferentes: uma, ele pode agredir diretamente o músculo do coração, causando um quadro grave, chama miocardite. É agressão direta. A segunda, ele pode causar infarto porque causa coágulo nas artérias, fechando as artérias. E pela falta de oxigênio nos organismos, os casos mais graves, o coração é afetado”, fala o especialista.
Nesta terça-feira (29), ocorrem ações por causa do Dia Mundial do Coração. Kalil orienta as pessoas que tiveram covid a fazerem exames cardíacos em razão de terem tido contato com o vírus.
“O mais importante é que mesmo as pessoas que tiveram formas leves da covid ou moderadas, façam uma avaliação do coração. Principalmente pessoas que já tinham problema cardíaco e foram acometidas pelo vírus”, sugere o médico.

By Midia ABC

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