Lava Jato denuncia Paulo Vieira de Souza e outro ex-diretor da Dersa por lavagem de dinheiro


Segundo a denúncia, Mário Rodrigues Júnior e Paulo Vieira são acusados de receber propina da Galvão Engenharia entre 2005 e 2009. Transações realizadas para contas na Suíça podem ter chegado a US$ 10,8 milhões. Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa e apontado como operador do PSDB, em foto de 2010
Robson Fernandes/Estadão Conteúdo
O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu à Justiça Federal nesta terça-feira (29) uma nova denúncia contra Paulo Vieira de Souza, e outro ex-diretor da estatal paulista Dersa por lavagem de dinheiro.
Entre os acusados estão Mário Rodrigues Júnior, que era da Desenvolvimento Rodoviário S/A, a Dersa, e o ex-executivo da Galvão Engenharia José Rubens Goulart Pereira. Também foram denunciados Cristiano Goulart Ferreira e Andrea Bucciarellli Pedrazzoli.
O G1 não conseguiu localizar os investigados ou suas defesas para comentarem o assunto. Se a Justiça aceitar a denúncia, os cinco se tornaram réus no processo.
Segundo os procuradores da República que compõem a Força-Tarefa da Lava Jato em São Paulo, os denunciados “praticaram atos de lavagem de capitais em contas mantidas na Suíça e abertas em nome de offshores, servindo para receber pagamentos ilícitos vinculados ao Grupo Galvão Engenharia”.
De acordo com a denúncia, Paulo Vieira de Souza recebeu propina em 2007 e 2010, quando foi diretor de engenharia da Dersa. Ele tinha assumido o cargo em 2005. Nesse período, trabalhou nos governos de Geraldo Alckmin e José Serra, ambos do PSDB.
Paulo, que foi ex-operador do partido tucano, já havia sido condenado pela Justiça Federal a 27 anos de prisão devido a irregularidades em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário Metropolitano de São Paulo entre 2004 e 2015.
Ele também foi preso preventivamente em 2019, na 60ª fase da Operação Lava Jato.
A denúncia
Na nova acusação, a Força-Tarefa de São Paulo concentrou-se na ocultação dos recursos ilícitos pagos pela Galvão Engenharia para fazer parte do cartel de construtoras que definiu a divisão e o superfaturamento das obras.
De acordo com a denúncia, Mário Rodrigues Júnior e Paulo Vieira de Souza receberam o dinheiro no exterior por meio de empresas registradas em paraísos fiscais. José Rubens Goulart Pereira foi o principal articulador dos pagamentos.
O ex-diretor da Galvão Engenharia contou com a colaboração de seu irmão, Cristiano Goulart Pereira, também denunciado.
Profissional do mercado financeiro suíço, ele atuava como representante dos ex-diretores da Dersa na movimentação das contas no país europeu e facilitava as transações ilícitas.
Os investigadores identificaram que Cristiano, Mário Rodrigues e Paulo Vieira mantinham contas no banco Bordier & Cie, todas abertas em nome de offshores geridas por uma mesma pessoa jurídica, a Del Toboso Trust Co. S.A..
A mulher de Mário Rodrigues, Andrea Bucciarelli Pedrazzoli, também foi denunciada, acusada de receber parte dos recursos transferidos ao marido.
Ao final do processo, a força-tarefa da Lava Jato quer que eles sejam condenados à devolução dos valores ilícitos recebidos e à reparação dos danos causados aos cofres públicos.
Histórico
Paulo Vieira de Souza é réu em quatro ações sob responsabilidade da Força-Tarefa da Lava Jato e responde por vários crimes, incluindo corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e destruição de provas.
Ele já foi condenado em pelo menos duas ações, pelo juízo da 5a Vara Federal de São Paulo. Uma das sentenças foi anulada por decisão que foi objeto de recurso.
A outra denúncia apresentada no dia 3 de setembro contra ele por lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo também a mulher e as 2 filhas ainda não foi aceita pela JF, segundo o MPF.

By Midia ABC

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