
Muita gente ficou sem renda durante a pandemia e, com o setor de delivery ganhando força neste período, muitas pessoas foram trabalhar como ”motoboys”, mas infelizmente esses trabalhadores viraram alvos de criminosos. Motoboys reclamam de onda de assaltos e pedem por mais segurança no Alto Tietê
A pandemia do novo coronavírus afetou a renda de grande parte da população e, com o setor de delivery ganhando força neste período, muitos foram trabalhar como ”motoboys”, mas infelizmente esses trabalhadores viraram alvos de criminosos. Os ladrões levam motos e, se tiver, o dinheiro da entrega também.
Todos o dias são pelo menos 5 mil motoboys rodando pela ruas da região, segundo dois aplicativos de entrega.
Quem trabalha nas ruas sentiu que a quantidade de motos cresceu durante a pandemia.
Wesley Oliveira começou a rodar no início do ano, depois que não conseguiu emprego na área que se formou. “Nesse período da pandemia a rua está um pouco perigosa”, diz.
A insegurança nas ruas está fazendo com que muitos motoboys tenham um gasto extra.
Luciano Silva da Cruz tem uma moto de R$ 3.5 mil e contratou um seguro. Vai pagar 20% do valor do veículo só com isso. “Tirar de onde eu não tinha isso que é pior, entendeu? Eu vou ter que tirar alguma coisa que eu fazia de lazer com a minha família para pagar o meu instrumento de trabalho”, lamenta.
Criminosos assaltam motociclistas em Mogi das Cruzes
Reprodução/TV Diário
No começo do mês, dois motoboys foram assaltados em Mogi das Cruzes. Uma câmera gravou o crime. Eles aparecem no canto esquerdo da tela e são surpreendidos por outras duas motos na esquina de uma rua.
Os criminosos descem e rendem as vítimas. Elas conseguem correr para longe enquanto os ladrões pegam as motos.
Antes de fugir, um deles se abaixa para pegar uma garrafa de refrigerante que caiu de uma das bolsas de entrega.
“Duas pessoas estão abordando a gente, né? Tem um vídeo na internet, próximo de Mogi mesmo, onde aconteceu muito assalto, com uma moto vermelha, que está roubando as motos paradas”, diz o vice-presidente da Associação dos Motoboys de Mogi das Cruzes e Alto Tietê. “Levaram uma moto na Vila Oliveira também, que é bem seguro, e é onde que a gente está assustado”, continua.
Desde março, a quantidade de motos roubadas só em São Paulo cresceu 30%. Em Mogi das Cruzes, de acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, quando se considera roubo de veículos em geral, houve queda de janeiro a agosto. Neste ano foram 123 roubos e no ano passado foram 179 no mesmo período. Comparando só o mês de agosto, o deste ano teve quatro casos a menos.
O mesmo levantamento, porém, não revela a quantidade de carros e de motos roubados neste período.
Um levantamento informal da Associação dos Motoboys do Alto Tietê mostra que só em setembro foram 10 ocorrências em toda região. A grande maioria está concentrada em Mogi das Cruzes, em uma região que fica entre o centro e o limite da cidade com Suzano.
Carlos Eduardo de Jesus mora em um bairro que fica nesta região. Ele é porteiro e desde o ano passado usa a moto pra complementar a renda da família. “A volta pra casa é tensa. Na hora que você sai para trabalhar é mais tranquilo, 7h é mais tranquilo. Agora quando você volta, entre umas 22h, 22h30 até 0h é complicado”, diz.
Eles contam que a atenção é redobrada quando o pagamento é feito em dinheiro. Os roubos estão até fazendo com que os motoboys limitem a área de atendimento.
Renan Luiz fez isso. “À noite eu parei. Tem bastante companheiro que perdeu a moto já. Chegou já tira a chave do contato e aí vai do cliente atender rápido ou não. Quanto mais demora o cliente, mais possibilidade de sofrer um assalto”, avalia o motoboy.
De acordo com os motoboys, o Jardim Jundiaí e ao Conjunto Oropó são as regiões mais inseguras. A categoria fez até um protesto para chamar a atenção das autoridades para o problema.
“Esse manifesto que a gente fez foi pra chamar a atenção da mídia, da população mogiana, que a gente está sofrendo. Eu pedi para a secretaria, mandei um ofício, pedindo um levantamento”, diz o vice-presidente da Associação dos Motoboys de Mogi, Luiz Fernando Branco.
“É xingo de cliente, xingo de motoboy, xingo de restaurante, somos parados pela polícia, somos taxados como vagabundos, porque a gente anda de moto, e ainda somos obrigados a passar por isso: ladrão roubando a gente”, afirma Luciano.
A Polícia Militar foi procurada, mas por enquanto não se posicionou sobre o assunto.
Assista a mais notícias
