
Manifestantes são contra obras do Governo do Estado, que tem como objetivo aproveitar a bacia do rio para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo. Eles afirmam que projeto trará graves impactos ambientais. Grupo fez protesto contra transposição de Rio Itapanhaú, em Bertioga, SP
Mar Franz/Foto Nativa
Representantes de um movimento contrário às obras de transposição do Rio Itapanhaú, em Bertioga, no litoral de São Paulo, montaram um cenário fúnebre em protesto contra o projeto nesta sexta-feira (2). As obras do Governo do Estado tem como objetivo aproveitar a bacia do rio para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo. Segundo defendem os manifestantes, isso acarretará em impactos ambientais irreversíveis.
Os grupos que são contra a transposição afirmam que a obra trará grandes impactos ao ecossistema local e prejuízos que impactarão para gerações futuras. Em entrevista à TV Tribuna, o ativista ambiental Carlos Eduardo de Castro afirmou que a luta deles é para barrar a obra.
“É uma obra desnecessária. A Sabesp recentemente transpôs mais dois rios que já abastecem a área da região metropolitana de São Paulo, portanto, eles têm uma oferta muito maior que a demanda. E é suficiente inclusive para períodos de crise hídrica. No entanto, eles insistem para essa obra. Então nós estamos produzindo documentos, laudos técnicos, com grandes especialistas que são voluntários e estão trabalhando junto conosco, provando que é uma obra desnecessária”, diz Castro.
O ativista ainda relata que o projeto prevê uma retirada de volume do rio de mais de 216 milhões de litros por dia, o que, de acordo com ele, a Sabesp aponta como 10% de sua vazão.
Grupos afirmam que transposição trará danos ambientais irreversíveis ao ecossistema local
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“Os estudos feitos para o licenciamento são insuficientes e inadequados. Dez por cento da vazão do rio já é muito, no entanto, eles tirarão esse volume de água da cabeceira do rio, que corresponde a mais de 60%. É o decreto da morte do rio, uma tragédia anunciada, que estamos lutando contra, por conta da qualidade de vida das gerações atuais e futuras”, destaca.
O protesto foi realizado pelo grupo de voluntários do Greenpeace Bertioga, em parceria com o Movimento Popular Salve o Rio Itapanhaú. Eles realizaram uma ação no manguezal, com a montagem de um cenário fúnebre, com cruzes e faixas.
Importância para cidade
Em entrevista ao G1, o biólogo e ativista do Greenpeace Bertioga, Raphael Roberto de Castro Rodrigues, de 26 anos, afirmou que o ato desta sexta quis mostrar a ameaça que os manguezais da região estão sofrendo com o início das obras de transposição, além de reforçar o compromisso dos grupos manifestantes em iniciar um monitoramento para produção de dados independentes sobre a Bacia do Itapanhaú, para reconhecimento da importância do rio para a cidade.
“São previstos inúmeros prejuízos na Bacia do Rio Itapanhaú, devido a diminuição da vazão natural do rio e da maior intrusão da cunha salina, alterando as condições de ecossistemas muito importantes e sensíveis, como o Manguezal e a Restinga. Também será afetada as captações de água da cidade, a pesca artesanal e o turismo ecológico”, destaca.
Em nota, a Sabesp afirma que cumpre as determinações previstas na legislação e as obrigações constantes das licenças ambientais estaduais e federais para o projeto para a bacia do Rio Itapanhaú, incluindo realização de audiência pública.
Protesto foi realizado nesta sexta em Bertioga, SP
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Segundo informa, o empreendimento prevê uma nova captação de água para transferir até 2,3 m³ por segundo desse rio para a represa Biritiba Mirim, que pertence ao Sistema Alto Tietê. A Sabesp afirma que a ação visa aumentar a segurança hídrica para mais de 20 milhões de pessoas e se junta ao sistema São Lourenço e a interligação Jaguari-Atibainha, realizados após a crise hídrica. O investimento na obra é de R$ 91,7 milhões, com prazo de conclusão de 12 meses.
Já a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) afirma, por meio de nota, que o licenciamento ambiental seguiu rigorosamente o regramento pertinente. Segundo o órgão, a avaliação foi realizada de forma criteriosa e técnica, estabelecendo exigências a serem cumpridas nas fases subsequentes do licenciamento e quando da operação do empreendimento, incluindo adoção de medidas de proteção adequadas e suficientes para resguardar a qualidade ambiental da região, tanto do setor planalto como dos ecossistemas estuarino e terrestre.
A Cetesb ainda relata que no licenciamento foram estabelecidas exigências de monitoramento intensivo, em especial da qualidade das águas e da biota aquática, visando estabelecer a proteção ambiental.
Voluntários fazem protesto no Rio Itapanhaú, em Bertioga
Grupo monta cenário fúnebre em protesto contra obra de transposição do Rio Itapanhaú, em Bertioga
