
Eleitores com idade entre 16 e 17 anos caiu de 6,3 mil para 4,3 mil, em dois anos. Número de jovens com o título de eleitor é menor no Alto Tietê na eleição deste ano.
TRE/Divulgação
O número de jovens com 16 e 17 anos, que são facultativos para votar, caiu 31% na comparação da eleição de 2018 com o pleito desde ano, no Alto Tietê .
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições presidenciais havia na soma das dez cidades da região 6,3 mil eleitores nessa faixa etária, enquanto na atualização de agosto do TSE eles são apenas 4,3 mil.
Dos 10 municípios que integram a Região, apenas na cidade de Biritiba Mirim houve aumento no número de eleitores menores de idade, nos últimos dois anos.
A queda foi maior entre as mulheres do que os homens. Em 2018, 3,2 mil eleitores eram do sexo feminino, agora elas são 2,1 mil, o que representa uma diminuição de 34%.
Já do sexo masculino a redução foi de 27% em dois anos, de 3 mil para 2,2 mil.
De modo geral, o total de eleitores subiu em 2,39% na comparação de 2018 para 2020. No pleito presidencial de 2018 eram 1.148.862 e este ano são 1.176.381. Na comparação com 2016, o percentual foi 5,2% maior.
Pandemia muda calendário
Com a pandemia do novo coronavírus, o Congresso Nacional aprovou e promulgou em sessão solene no começo do mês de julho a emenda constitucional que adia para novembro as eleições municipais deste ano em razão da pandemia do novo coronavírus.
a partir de 11 de agosto: as emissoras ficam proibidas de transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato, sob pena de cancelamento do registro do beneficiário;
de 31 de agosto a 16 de setembro: prazo para a realização das convenções para escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações;
até 26 de setembro: prazo para que os partidos e coligações solicitem à Justiça Eleitoral o registro de candidatos;
a partir de 26 de setembro: prazo para que a Justiça Eleitoral convoque partidos e representação das emissoras de rádio e TV para elaborarem plano de mídia;
a partir de 27 de setembro: prazo para início da propaganda eleitoral, também na internet;
27 de outubro: prazo para partidos políticos, coligações e candidatos divulgarem relatório discriminando as transferências do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral), os recursos em dinheiro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os gastos realizados;
até 15 de dezembro: prazo para o encaminhamento à Justiça Eleitoral das prestações de contas de campanha dos candidatos e dos partidos políticos, relativas ao primeiro turno e, onde houver, ao segundo turno das eleições;
até 18 de dezembro: será realizada a diplomação dos candidatos eleitos em todo país, salvo nos casos em que as eleições ainda não tiverem sido realizadas.
Responsabilidade
Beatriz Carrião Portella tem 16 anos e está no 2º ano do ensino médio, em Mogi das Cruzes. Ela não tirou o título de eleitor, apesar de já poder, porque julgou ainda não ser o momento, sobretudo porque acredita que o voto é um ato de muita responsabilidade.
“Eu converso muito com a minha tia sobre política e também vejo na matéria de sociologia. Muita gente não tem consciência do que acontece na política antes de votar. Isso é uma questão muito pesada, porque você precisa saber como cuidar de uma cidade, de um país. Eu até tento me informar, mas está tudo tão caótico, então ainda não consigo decidir”, pontua.
A estudante do terceiro ano do ensino médio de Mogi, Mariana Ribeiro de Castro, de 17 anos, tirou o título de eleitor, mas diz que apenas para adiantar o procedimento e não ter de fazê-lo talvez em uma época em que estiver mais ocupada. Para ela, o momento está “difícil” para ter vontade de votar, porque os candidatos não têm ideais parecidos com os que ela acredita.
“Tem pessoas que são candidatas e eu já conhecia, mas também não me despertaram o interesse em votar neles. Se a eleição fosse presidencial, com a idade em que eu estou hoje, eu estaria na mesma situação, sem querer votar também”, diz.
Análise
O sociólogo Afonso Pola atribui a queda no número de eleitores com idade entre 16 e 17 anos a uma combinação de fatores. Ele ressalta que, geralmente, as eleições municipais mobilizam mais as pessoas do que as gerais, sobretudo no eleitorado jovem, já que o pleito municipal geralmente abrange candidatos que são da comunidade.
Ele relembra também outro ponto, em que há uma tendência da população com menos jovens, em função da mudança na taxa de natalidade no Brasil inteiro e Mogi e região não fogem à regra. Mas, segundo ele, isso não explica a queda tão acentuada.
“Então entramos nos outros fatores, como a pandemia, que tem gerado obviamente uma forma generalizada nas pessoas em determinados cuidados e acaba desestimulando os jovens a tirarem o título de eleitor para votar. Eu tenho falado que teremos um coeficiente menor do que em 2016, justamente pelas abstenções”, avalia. Este ano, os jovens puderam tirar o título de eleitor até maio, pela internet.
“E tem também a descrença com o cenário político e as pessoas que exercem um papel que não condiz com o que elas foram eleitas para fazer. No caso de Mogi tem o aspecto particular envolvendo seis vereadores suspeitos de corrupção. Isso não interferiu que a pessoa tirasse o título, mas vai ter uma repercussão no comportamento do eleitorado de Mogi nessa eleição atual”, completou.
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