Visitas restritas e cuidado nas missas: como a pandemia alterou a rotina dos padres da Basílica


Convento dentro do Santuário Nacional de Aparecida, que abriga 34 sacerdotes e missionários, tem adotado medidas de segurança para evitar a contaminação da Covid-19 no local. Padre Arcanjo Valdevino Santos chega para missa na Basílica de Aparecida; no altar, há frascos de álcool gel
Danilo Sardinha/G1
O relógio marcava 11h50 e o altar da Basílica de Aparecida já estava pronto a celebração. Velas acesas, bíblia aberta e frascos de álcool em gel. Eis que, em um corredor, surge o padre Arcanjo Valdevino Santos com a tradicional vestimenta e com um item que ele retira somente quando sobe no altar: a máscara facial.
Diante da pandemia de coronavírus, é a desta forma que ocorrem as missas no Santuário Nacional. Assim como há protocolos de segurança a serem seguido pelos fiéis, os padres também tiveram a rotina alterada nos últimos meses.
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As medidas de segurança não são apenas nas missas, mas também na casa onde vivem, dentro do próprio Santuário. Como muitos padres são idosos e fazem parte do grupo de risco para complicações da Covid-19, os cuidados são redobrados.
Refeições distantes e sem visitas
O convento Missionários Redentorista fica dentro do Santuário Nacional e serve de moradia para os sacerdotes e missionários. São 34 que vivem lá, e o mais velho tem 96 anos de idade. A vida ali sofreu alterações desde o início da pandemia.
Convento Missionários Redentoristas dentro do Santuário Nacional
Danilo Sardinha/G1
O G1 esteve no local, mas pôde ir até a sala de recepção. Acessar o interior do local agora é ainda mais restrito por questão de segurança sanitária. De acordo com o sacerdote José Ulysses da Silva, que é porta-voz do Santuário Nacional, cada morador tem um apartamento individual e, nas áreas comuns, como o refeitório, o distanciamento tem sido feito.
“A nossa casa era mais acolhedora, mais aberta, principalmente para sacerdotes, bispos. A gente tinha o maior prazer de acolher colegas que vinham de outros lugares. Agora, por prudência, a gente limita o acesso das pessoas. Até dos nossos familiares, que não podem nos visitar tão facilmente. Ou seja, tudo aquilo que aconteceu nas famílias, aconteceu aqui. Nós somos aqui uma família. Temos idoso de até 96 anos conosco. Então, o cuidado tem que ser muito grande. Restringiu a nossa vida social”, disse.
Recepção do convento Missionários Redentoristas, no Santuário Nacional
Danilo Sardinha/G1
Ulysses da Silva diz que não foram realizados testes de Covid-19 em todos os moradores do convento. Segundo ele, somente nos que poderiam ser contaminados.
“Graças a Deus e a Nossa Senhora Aparecida, ninguém foi contaminado. Graças a Deus. E não é por falta de pessoas. Aqui nós acolhemos colegas idosos e enfermos, que necessitam de cuidados 24 horas. Essa é a casa que dá uma assistência de saúde para todos que estão fragilizados e não tem autonomia. Mas nenhum deles ainda passou por isso. O medo é, por exemplo, temos que levá-los aos hospitais, aos médicos. Mas nada. Acho que Deus tem nos protegido nesse sentido”, comentou.
Padre José Ulysses da Silva, do Santuário Nacional de Aparecida
Danilo Sardinha/G1
“Não fizemos testes, a não ser alguns que poderiam ser contaminados. Se por acaso um de nós realmente se agravar alguma situação, daí todos passarão pelo teste. Nós estávamos com um medo muito grande: vai que chega a festa (da Padroeira) e, de repente, estamos todos isolados, sem poder atender o povo? Mas, até agora, graças a Deus, não. Estamos tendo muito cuidado com aqueles que vêm aqui”, acrescentou.
Protocolo nas missas
Nas missas na Basílica, há várias medidas de segurança a serem seguida pelos fiéis. Ainda próximo ao estacionamento, há a medição de temperatura. No caminho até o local da celebração, há totens com álcool em gel. Há um limite de pessoas que podem assistir à missa e os fiéis precisam sentar nos bancos com o devido distanciamento entre um e outro.
Missa na Basílica de Aparecida; fieis respeitam o distanciamento nos bancos
Danilo Sardinha/G1
Com os responsáveis pela celebração, os cuidados são parecidos.
“Nós permitimos apenas o presidente da celebração não usar máscara no momento da missa. Mas, mesmo assim, pedindo que os demais usem máscaras, mantenham a distância. Perto deles sempre tem álcool”, ressaltou Ulysses Silva.
Álcool gel à disposição do padre e dos ministros na missa no Santuário Nacional
Danilo Sardinha/G1
As missas na Basílica ficaram por alguns meses suspensas. Retornaram há pouco tempo, mas ainda de forma gradativa, com esse protocolo de saúde. No período da Festa da Padroeira, no entanto, o público será restrito e formado apenas por pessoas ligadas à Arquidiocese.
As confissões ainda não são feitas, para segurança do fiel e do sacerdote.
“Nós, sacerdotes, procuramos nos cuidar na medida do possível. Até porque muito de nós somos da faixa etária de risco. Não temos tantos jovens. Fazemos as celebrações com o número limitado de participantes, atendemos as pessoas da medida do possível. Mas, por prudência, ainda não vamos atender confissões pessoais. Exatamente para tomar esse cuidado. Nós vamos começar a fazer algumas celebrações comunitárias, mantendo as distâncias devidas. Se Deus quiser, vamos começar. Mas dentro daquilo que é a proteção prudente, aquilo que a proteção que usamos, o álcool, a temperatura e a máscara. A gente tem procurado seguir todas as medidas de segurança”, afirmou o padre Ulysses da Silva.
Missa na Basílica de Aparecida
Danilo Sardinha/G1
No dia 12, o Dia de Nossa Senhora Aparecida, todas as missas na Basílica serão fechadas ao público. Será possível acompanhar as celebrações somente pela televisão ou pela internet. Confira como será o dia 12 de outubro na Basílica de Aparecida.
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By Midia ABC

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