Forte calor e estiagem fazem PCJ emitir alerta para risco de falta de água na região de Campinas


Consórcio pede consumo sustentável para evitar ‘agravamento de medidas mais restritivas ao consumo’; volume de água liberada pelo Cantareira à região atinge, a partir desta quinta (8), o máximo permitido pela outorga, e significa a maior vazão já enviada pelo sistema da história. Rio Atibaia, onde é captado água para abastecer Campinas
Reprodução/EPTV
O forte calor e a estiagem prolongada fizeram com que o Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) emitisse nesta quarta-feira (7) um alerta para o risco de escassez de água na região de Campinas (SP). O órgão recomenda o uso sustentável da água, sem desperdícios, para evitar o agravamento de medidas mais restritivas ao consumo.
Diante da necessidade por mais recursos hídricos para atender à região, o Cantareira passa a liberar, nesta quinta-feira (8), o maior volume de água da história, segundo o PCJ. Os 13 metros cúbicos por segundo (m³/s) para os rios Atibaia e Jaguari representam o máximo estabelecido pela nova outorga. Atualmente, a liberação é de 12 mil litros por segundo.
“Por necessidade, esse é o maior volume já liberado pelo sistema. Esse um metro cúbico a mais ajuda a compensar na qualidade da água captada, mas também na quantidade. Está faltando aos municípios”, destaca José Cezar Saad, coordenador de Projetos do Consórcio PCJ.
Esse maior volume de água na região deve chegar ao pontos de captação entre sete e 15 dias, dependendo da cidade.
Segundo Saad, as características da região, que não dispõe de tantas reservas naturais, cria essa dependência pelo recurso enviado do Cantareira. “Nesta ano já liberamos quase o dobro que havia sido liberado em 2018 inteiro”, ressalta.
Alerta
No comunicado emitido nesta quarta, o PCJ destaca que em setembro, as chuvas ficaram 73% abaixo das médias históricas, e o consumo passou a ser pressionado devido à primavera mais quente.
“A atual estiagem prolongada surpreendeu a todos, por se tratar de um evento climático extremo. No momento temos que unir esforços para superá-la. Recomenda-se o consumo sustentável da água, sem desperdícios durante esse período atípico que estamos passando. A participação da comunidade nesse contexto é fundamental para evitar o agravamento de medidas mais restritivas ao consumo”, diz o alerta.
Crise de 2014
Para o coordenador de projetos do PCJ, a população esqueceu os problemas causados durante a crise hídrica de 2014, que motivou uma mudança de comportamento e consumo mais consciente da água.
“Infelizmente parece que 2014 já foi esquecido da memória das pessoas, muita gente lavando calçada, carro, desperdiçando água. É preciso voltar essa consciência do uso sustentável. Usar água dentro do padrão de sustentabilidade”, orienta.
Saad aponta que após os alertas de 2014, houve uma redução em torno de 20% a 30% do consumo na região. Situação que se inverteu neste ano, em um período que se adiciona, além do calor e estiagem, o fator pandemia pelo novo coronavírus.
“Hoje nós temos coletados com os operadores de saneamento que houve aumento em torno de 20% no consumo de água. A questão é que não é para não utilizar. As pessoas devem se manter limpas, higienizadas, o que não pode é desperdiçar”, pede.
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By Midia ABC

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