A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou um aumento contínuo de notificações de casos suspeitos de pancreatite associada ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil entre 2020 e 2025. O total foi de seis mortes suspeitas, de acordo com informações do G1 e confirmadas pela Folha.
As notificações envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida.
A Anvisa informou que recebeu 145 notificações de suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras entre 1° de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025, de acordo com o sistema VigiMed. Os números mostram que em 2020 houve apenas um caso, que subiu para 21 em 2021 e 23 em 2022. Em 2023, as notificações chegaram a 27 e subiram para 28 em 2024, atingindo o maior volume em 2025, com 45 registros.
Das notificações, seis indicam desfecho suspeito de morte, segundo os próprios notificadores, mas não foi informado em quais anos isso ocorreu. Considerando também notificações de pesquisas clínicas, o total de casos suspeitos de pancreatite sobe para 225 no período analisado.
A possibilidade de pancreatite já está descrita nas bulas desses medicamentos no Brasil como um evento adverso conhecido. A empresa Elly Lilly, fabricante de Mounjaro (tirzepatida), destaca na bula a inflamação do pâncreas como uma reação adversa incomum e orienta os pacientes a interromper o tratamento e informar o médico em caso de suspeita de pancreatite.
A Anvisa ressalta que a notificação de eventos adversos não confirma uma relação direta com o medicamento, mas é importante para monitorar a segurança dos produtos em uso. A agência alerta que pode haver mais casos não relatados pelos notificadores, especialmente aqueles codificados apenas pelo princípio ativo.
Casos suspeitos de pancreatite relacionados a canetas emagrecedoras também foram registrados em outros países. No Reino Unido, pacientes apresentaram inflamação grave do pâncreas associada a medicamentos para obesidade e diabetes, levando a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde a emitir alertas sobre o uso desses medicamentos.
Especialistas destacam que o risco de desenvolver pancreatite em pessoas que utilizam esses medicamentos é baixo, mas alertam para o acompanhamento adequado e a suspensão em caso de sintomas suspeitos. A preocupação com os efeitos no pâncreas desses medicamentos é discutida há duas décadas, segundo especialistas consultados.
