A presença de candidatos com patrimônio superior a R$ 1 milhão nas eleições gerais de outubro de 2026 atingiu um recorde histórico. De um total de 20.530 candidatos registrados até a noite de segunda-feira (17), 3.816 informaram à Justiça Eleitoral que possuem bens avaliados em pelo menos R$ 1 milhão, representando 18,6% do total, ou seja, um em cada cinco postulantes.
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Esse percentual é maior do que o observado em 2022, quando apenas 14,2% dos candidatos declararam bens acima de R$ 1 milhão, considerando a correção pela inflação. A diferença de mais de quatro pontos percentuais entre os dois pleitos marca a maior oscilação registrada na série histórica entre eleições gerais consecutivas.
Entretanto, é necessário ter cuidado ao analisar esses dados. As declarações de bens enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) podem conter falhas, e não há um sistema de auditoria para verificar as informações apresentadas. Muitos candidatos podem deixar de informar parte do seu patrimônio nas declarações.
Partido Liberal e Centrão se destacam entre os milionários
O Partido Liberal (PL) se destaca em números absolutos, com 494 candidatos (30,4% do total da sigla) declarando patrimônio igual ou superior a R$ 1 milhão. Dentre eles está o senador Flávio Bolsonaro (sem partido), que possui um patrimônio declarado de R$ 8,2 milhões.
O PRTB lidera em termos proporcionais, embora tenha lançado apenas dez candidatos. As três principais legendas do Centrão — PP, PSD e União Brasil — ocupam as próximas posições nesse ranking.
Em termos regionais, os estados que apresentam as maiores proporções de candidatos milionários são Tocantins (30,3%), Mato Grosso (28,8%) e Santa Catarina (26,2%).
Para contextualizar essa realidade financeira, a renda média mensal no Brasil é de R$ 3.376. Assim, um indivíduo que conseguisse poupar integralmente esse valor levaria aproximadamente 24 anos e oito meses para reunir R$ 1 milhão nos valores atuais.
Redução no número total de candidaturas
O total de registros caiu em 29,8% em comparação com o ano anterior. Essa diminuição representa a primeira queda no número total de candidatos desde 2006; desde então, a quantidade havia crescido continuamente em todas as eleições gerais.
O prazo para envio das candidaturas se encerrou às 19 horas do sábado (15). Na segunda-feira (17), o número final de postulantes ainda não estava definido devido a atrasos nos sistemas da Justiça Eleitoral para processar todas as atualizações; as variações previstas são mínimas e não devem impactar significativamente o panorama geral da análise.
