
Paralisação começou na noite de segunda-feira (17) e maioria dos trabalhadores que cruzaram os braços é do setor de distribuição; estatal afirma que atendimento não está prejudicado. Central de Distribuição dos Correios em Piracicaba, onde trabalhadores paralisaram
Edijan Del Santo/EPTV
A adesão à greve nacional dos Correios aumentou na região e chega a 90% em Piracicaba (SP), Limeira (SP) e Santa Bárbara d’Oeste (SP) nesta quarta-feira (19), segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Correios de Campinas e Região (Sintect-Cas).
Grande parte dos trabalhadores que cruzaram os braços é da distribuição (carteiros) e, com isso, conforme a entidade, há impactos no serviço de entrega de correspondências e de encomendas.
Os Correios afirmam que os serviços de atendimento não estão afetados e que “colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população”.
Segundo o sindicato dos trabalhadores da região, os funcionários das agências próprias da estatal também devem aderir à paralisação a partir de quinta-feira (20).
Fila nos Correios de Piracicaba, na Avenida 31 de Março, durante greve da estatal
Giuliano Tamura/EPTV
Entre as reivindicações dos grevistas estão melhores condições de trabalho durante a pandemia do novo coronavírus, garantia de direitos trabalhistas e a não privatização da estatal.
Entenda as reivindicações da categoria
Na terça-feira (18), a adesão ao movimento paredista em Piracicaba e Santa Bárbara d’Oeste era de 70%, conforme o Sintect-Cas. Uma fila se formou em frente à Central de Distribuição da estatal na Avenida 31 de Março, em Piracicaba.
Fila em frente aos Correios na Avenida 31 de Março, em Piracicaba
Giuliano Tamura/EPTV
Greve dos Correios
A greve nacional dos Correios começou na noite de segunda-feira (17). A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect) afirmou ao G1 que os sindicatos tentam dialogar desde julho com a direção dos Correios e que foi surpreendida com a revogação do atual Acordo Coletivo, que estaria em vigência até 2021.
Ainda conforme a federação, foram retiradas 70 cláusulas com direitos, como adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias e indenização em caso de morte, além de pagamento de adicional noturno e horas extras.
Confira a íntegra da nota dos Correios enviada ao G1 nesta quarta:
Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.
Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.
Diversas comunicações inverídicas e descontextualizadas foram veiculadas, com o intuito apenas de provocar confusão nos empregados acerca dos termos da proposta. À empresa, coube trazer as reais informações ao seu efetivo: nenhum direito foi retirado, apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado.
Os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício do Auxílio-creche, para dependentes com até 5 anos de idade. Os tíquetes refeição e alimentação também continuam sendo pagos, conforme previsto na legislação que rege o tema, sendo as quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada empregado: 22 tíquetes para quem trabalha de segunda a sexta-feira e 26 tíquetes para os empregados que trabalham inclusive aos sábados ou domingos.
Estão mantidos ainda – aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento -, os respectivos adicionais.
Vale ressaltar que, dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto – bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições –, sem qualquer perda salarial.
Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.
É importante lembrar que um movimento paredista agrava ainda mais a debilitada situação econômica da estatal. Diante deste cenário, a instituição confia no compromisso e responsabilidade de seus empregados com a sociedade e com o país, para trazer o mínimo de prejuízo possível para a população, especialmente neste momento de pandemia, em que a atuação dos Correios é ainda mais essencial para o Brasil.
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Adesão à greve dos Correios na região de Piracicaba aumenta e chega a 90%, afirma sindicato
