
Cento e trinta e três dias se passaram entre a primeira e a milésima morte pela Covid-19 na região. Especialistas avaliam que a taxa de mortalidade está baixa em relação aos casos confirmados, mas o Alto Tietê ainda vive uma ascensão de novos casos da doença. Coronavírus Sars-Cov-2 em imagem de microscópio eletrônico
NIAID-RML/Handout via Reuters
O Alto Tietê ultrapassou nesta terça-feira (4) a marca de mil moradores da região que perderam a vida em decorrência da Covid-19. Entre a primeira morte, em 24 de março e a milésima, 133 dias se passaram. Especialistas avaliam que a taxa de mortalidade está baixa em relação aos casos confirmados, mas a região ainda vive uma ascensão de novos casos da doença.
MÉDIA MÓVEL: veja em que estados as mortes estão subindo, em estabilidade ou em queda
Nas últimas 24 horas, a região somou mais 11 óbitos de pacientes que foram infectados pelo novo coronavírus. Eles eram um de Arujá, um Ferraz de Vasconcelos e um de Poá, quatro de Itaquaquecetuba e quatro de Mogi das Cruzes. O total de mortes na região chegou a 1001.
Os dados de vítimas fatais do Alto Tietê apontam para uma desaceleração nas mortes. Para avançar de 700 para 800 e de 800 para 900 óbitos se passaram igualmente nove dias. Já de 900 para 1000, foram 11 dias. Ou seja, o Alto Tietê levou dois dias a mais para contabilizar mais uma centena de mortes.
De todos os óbitos, 25% foram em Mogi. O município, que possui o maior número de habitantes, tem o maior número de mortes de toda a região. Já Salesópolis tem o menor número de vítimas fatais, com 9.
A região registrou nas últimas 24 horas mais 405 novos casos do novo coronavírus, além de 70 pacientes curados. No acumulado desde o início da pandemia já são 15.050 casos confirmados e 8.411 curados no Alto Tietê
Média Móvel
Na comparação com duas semanas atrás, a média móvel de mortes no Alto Tietê passa de 11 para 12 mortes diárias. Já em novos casos, a alta é de 163 para 270 novos casos da doença por dia.
Média móvel do Alto Tietê em 4 de agosto
Evolução
Mapa mostra a evolução da média móvel de casos confirmados e mortes pela Covid-19 no Alto Tietê.
G1 Mogi das Cruzes e Suzano
Gonzalo Vecina Neto, médico e professor de saúde pública da USP, avaliou o gráfico com a evolução dos casos e mortes pela Covid-19 na região. Ele destacou que a curva na região vai ascendente de 22 de março até 12 julho quanto atinge o pico de 290 novos casos da doença, na média móvel. Em seguida ela cai mais do que a metade, chegando a 140, mas volta a subir de novo.
“Provavelmente houve um bom sucesso na questão do isolamento neste período que vai até 12/07, por isso há uma queda no momento de caso. E aí deve ter havido uma liberação na atividade econômica da região, e há um crescimento de número de casos”, pontua.
Nesta época, a região passou da fase laranja para a amarela, o que permitiu a abertura de mais atividades econômicas a partir de 13 de julho.
Vecina Neto, no entanto, pontua que nem sempre o que está no gráfico reflete exatamente a situação da região, sobretudo nos casos confirmados da doença.
“Provavelmente o número de casos é subestimado, porque nós [capital] estamos testando pouco e aí vocês [Alto Tietê] testaram muito pouco também. Então nós estamos vendo menos casos do que está ocorrendo. Os óbitos são mais evidentes, porque boa parte deles acaba ocorrendo em ambiente hospitalar, então você acaba fazendo um teste de RT PCR e identificando a presença de vírus no paciente. No número de óbitos ocorre menor subnotificação. Embora, também possa ocorrer em casos em que, eventualmente morre em casa, e o diagnóstico fica de Síndrome Respiratória Aguda Grave e não de Covid-19”, avalia.
O professor destaca ainda que o novo coronavírus se dissemina por meio do contato humano. Quando as pessoas saem e se encontram, elas trocam material biológico. Desse contato podem ocorrer novos casos. Ainda que haja um número elevado de casos e mortes, ele diz que o cenário ainda está longe da imunidade coletiva, ou da chamada imunidade de rebanho.
“Nós estamos vendo na Europa que abre [economia] e sobe o número de casos. Fecha, cai o número de casos. Se a sociedade não tiver consciência de manter o isolamento e do uso de máscara e distanciamento social, não se acumular nos pontos de comércio, shopping center, ruas, nós vamos ter picos, picos, com segundas e terceiras ondas, até chegar a vacina”, ressalta.
Ao analisar os dados da região, a médica e especialista em gestão de saúde da FGV, Ana Maria Malik, verificou que a taxa de mortalidade está abaixo de 10%, em relação aos casos confirmados da doença.
“Isso é uma coisa plenamente aceitável. É claro que cada morte é inaceitável. Cada óbito significa uma pessoa de que cujo convívio fomos privados. As pessoas não são estatísticas. Estatisticamente não está mal (a região). O Alto Tietê é próximo de São Paulo e não dá para ser isolado. É difícil trabalhar como isolado. Mas dá para dizer que, sim, está havendo uma continência no âmbito da região, mas que dá para melhorar.
Perfil
O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê acompanha o perfil dos mortos na região – incluindo Santa Branca, do Vale do Paraíba que também integra o Condemat e soma três óbitos. Dos dados, 42% dos mortos eram mulheres e 58% homens.
Initial plugin text
Alto Tietê ultrapassa a marca de mil mortes causadas pela Covid-19
