Amiga teve aula com personal minutos antes dela ser morta a facadas: ‘Fiquei apavorada’


Moradora de Rio Preto conta que soube da morte de Andressa Serantoni após receber vídeo pelo celular. Vítima de 28 anos foi morta com mais de 30 golpes; casal suspeito de cometer o crime teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Andressa morreu após ser esfaqueada em bairro de Rio Preto
Reprodução/Instagram
Era para ser uma quarta-feira como outra qualquer, mas o dia 12 de agosto jamais sairá da memória de Pâmela Castro de Oliveira. Por volta das 10h30, ela se encontrou com personal trainer Andressa Serantoni, fez exercícios e se despediu.
Vinte minutos depois, a comerciante de 25 anos reproduziu um vídeo enviado pelo WhatsApp e não conseguiu acreditar nas imagens que viu:
“Percebi que era a Andressa por causa da calça que vestia. Fiquei apavorada. Não consegui mais comer. Não sei como as pessoas conseguem fazer isso. Foi uma verdadeira tragédia. Ela tinha acabado de sair daqui”, afirma.
Andressa e Pâmela durante aula em Rio Preto
Arquivo Pessoal
Andressa de 28 anos foi golpeada mais de 30 vezes por um casal de vizinhos da mãe dela. O crime foi registrado no bairro Vila Anchieta.
Joel Fernandes Santos e Sidileide Normanha da Paixão Santos foram presos depois de cometer o homicídio. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Ainda abalada com a morte da personal, Pâmela diz não conseguir entender o motivo que levou o casal a cometer o homicídio e que tenta superar a perda precoce da amiga.
“Inicialmente, eu pensei que ela tinha sido assaltada. Não conhecia ninguém que não gostasse dela ou tivesse algo contra. É inimaginável que tenham feito isso com ela”, afirma.
A comerciante conta que Andressa era tranquila, não se envolvia em discussões e brigas. Pelo contrário, a personal pedia para Pâmela ser um pouco mais calma.
“Ela tinha muitos planos, projetos e queria ser mãe. Todos foram interrompidos de uma hora para outra. Não tenho palavras para demostrar o que sinto com a morte dela”, afirma a jovem, que complementa:
“A Andressa era minha irmã de alma, uma pessoa doce, realmente muito especial. Ela merece que as pessoas esclareçam o quanto era boa. Espero que os dois paguem pelo que fizeram com ela”.
Amor pela educação física
Assim como Pâmela, Inara Sofia, que também é personal trainer, diz que Andressa era uma pessoa doce e extremamente especial.
As duas se conheciam havia mais de nove anos e se formaram juntas em educação física. A última conversa entre as amigas ocorreu na noite de terça-feira (11), horas antes do assassinato ser registrado.
“Ela sempre foi uma menina muito alegre, divertida, amava os animais e cuidava com muito carinho de todos. A Andressa era extremamente inteligente e esforçada. Nós abrimos nossas academias no mesmo período. Enfrentamos perrengue juntas”, conta.
Inara relembra que estava tirando um cochilo depois do almoço, quando começou a receber ligações. Em seguida, um amigo foi até a casa dela e disse que Andressa tinha sido morta.
Inara e Andressa se conheciam há mais de 9 anos
Arquivo Pessoal
“Eu não conseguia acreditar. Ela não tinha inimizade com ninguém, era uma pessoa muito doce, ajudava muita gente. Ela não teve chance de pedir socorro, não deu tempo de fazer nada”, afirma.
“Estou muito abalada. Mesmo que tento não pensar, não tem como. É a terceira noite que eu não consigo dormir. Quando eu descobri, sentei no sofá e não consegui levantar. Eu fiquei no sofá até as 19h. Eu desmarquei com todas as minhas alunas, porque não tenho condições”, complementa.
A pesonal afirma que o sentimento é de muita dor, mas que se empenhará ainda mais na profissão para fazer jus à amiga que amava a educação física.
“Diante de tudo que estamos vivendo com a pandemia, a Andressa estava tentando se manter e exercendo a profissão com muito empenho. Ela veio de uma família humilde e batalhou muito para abrir a academia dela”, diz.
Crime
Casal que matou personal a facadas presta depoimento em Rio Preto
Segundo o relato de uma das testemunhas que presenciou o crime, Sidileide tinha o costume de filmar as pessoas que passavam pela rua, o que gerava incômodo entre a vizinhança. No dia do assassinato, Andressa foi ao imóvel da mãe para alimentar seu cachorro de estimação.
Ao ver que estava sendo filmada, a jovem foi até a mulher reclamar. Em certo momento, a criminosa segurou a vítima pelo braço e disse para o marido, que acompanhava a discussão: “vai lá, pega lá para a gente resolver”.
Joel foi até o carro, pegou duas facas, entregou uma para a mulher e os dois começaram a atacar a vítima ao mesmo tempo.
Os golpes se concentraram na região do pescoço e tórax. Contudo, também foram identificadas lesões de defesa nas mãos e nos braços da vítima. Andressa não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O corpo dela foi velado e enterrado no cemitério Jardim da Paz, em Rio Preto.
Após cometer o crime, o casal se escondeu dentro de casa. Os policiais precisaram pular o muro para localizar os assassinos.
“Foi necessário que arrombássemos a porta e começássemos a negociação para que eles pudessem sair. Depois de algum tempo conversando, eles saíram, e a prisão dos autores”, afirma o comandante do pelotão do 9º Batalhão de Ações Especiais da Polícia (BAEP), Felipe Guimarães Juvino.
Casal acusado de assassinar personal trainer cumpre prisão preventiva
Joel e Sidileide saíram do imóvel acompanhados pelos quatro filhos, com idades entre 4 e 12 anos, e foram presos em flagrante. Revoltados, moradores depredaram o carro do casal.
Em seguida, os foram foram levados à delegacia e autuados por homicídio qualificado por motivo fútil. Eles passaram por audiência de custódia e tiveram a prisão convertida em preventiva.
O homem foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto. A mulher permanece à disposição da Justiça na Cadeia Feminina de Nhandeara (SP). Os filhos do casal foram levados ao Conselho Tutelar e encaminhados para um abrigo do município.
Passagem pela polícia
Suspeitos foram transferidos para carceragem da DEIC em Rio Preto
Reprodução/TV TEM
Joel responde na Justiça por uma tentativa de homicídio contra um vizinho, em 2015. De acordo com o processo, o criminoso tentou matar um homem no bairro Maria Lúcia, também em Rio Preto.
Na ocasião, ele discutiu agrediu a vítima com um facão, mas ela conseguiu escapar. O motivo seria o barulho na casa da vítima.
O suspeito responde a esse crime em liberdade e deve ir a júri popular. O Tribunal de Justiça ainda não marcou o julgamento. O advogado de defesa de Joel neste caso disse ao G1 que tramita recurso para derrubar uma das duas qualificadoras do crime.
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By Midia ABC

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