
Paulo e Gisele já tinham recorrido à fertilização in vitro e aos procedimentos de adoção e barriga solidária, antes de gravidez espontânea. Maya nasceu sábado e pai brinca: ‘chegou a tempo’. Maya nasceu às 9h35 deste sábado, na Maternidade de Campinas
Paulo Rodrigues
Foi no sábado (8) que Paulo Henrique Bueno, de Itapira (SP), viu nascer a sua primeira filha. A história do dia em que um homem se tornou pai parece comum, a princípio, mas esta tem um toque de superação: Bueno e a esposa perderam seis bebês antes de Maya vir ao mundo às vésperas de um Dia dos Pais.
Em busca de realizar o sonho de ser pai, o montador de touros e a comerciante Gisele Priscila Bonatelli viveram cinco gestações – todas interrompidas espontaneamente – entre 2017 e 2019, sendo que duas delas aconteceram por fertilização in vitro. A gravidez de Maya, porém, foi espontânea e pegou o casal de surpresa.
“Se eu imaginava que ia ter uma filha nos braços neste Dia dos Pais? Olha, eu não pensava em mais nada porque, depois de tantas perdas, já era até difícil esperar alguma coisa. Agora, temos a Maya. Nasceu às vésperas do Dia dos Pais, chegou a tempo”, brinca Bueno.
Tentativas, adoção e barriga de aluguel
As duas primeiras gestações da esposa de Bueno aconteceram espontaneamente em 2017, mas os fetos, um de cada gravidez, deixaram de evoluir nos primeiros meses. A terceira, fruto de uma FIV, gerou três bebês, que morreram no sexto mês. O quarto filho, também gerado por fertilização, também morreu enquanto era gestado.
Paulo e Gisele durante o procedimento de fertilização in victro
Arquivo pessoal/Paulo Bueno
“A gestação dos trigêmeos foi até os seis meses, então, nós já tínhamos os nomes definidos quando os perdemos. Já não tínhamos mais força para correr o risco de perder outros bebês. Desistimos de tentar gerar, mas não desistimos de ter um filho”, lembra Gisele.
Casal gravou na pele os nomes dos trigêmeos que perderam no sexto mês de gestação
Arquivo pessoal/Paulo Bueno
A alternativa pensada por Paulo e Gisele, na época, foi a adoção. Em paralelo, a cunhada do casal se ofereceu para ser barriga solidária — procedimento no qual uma mulher da família, com parentesco consanguíneo até o quarto grau, gesta o filho de outra.
O curso para adoção foi iniciado em novembro de 2019. Em dezembro do mesmo ano, o casal fez as entrevistas e foi aprovado no processo, mas ainda precisa aguardar a retomada das atividades do Fórum em que tramita o procedimento para formalizar a entrada na fila de adoção, já que o local suspendeu o serviço devido à pandemia da Covid-19.
O processo legal da barriga solidária também foi finalizado com sucesso, e o casal esperava apenas a cunhada fazer uma cirurgia bucal para depois gerar o filho deles. Foi então que Gisele descobriu a gestação de Maya, em janeiro de 2020.
“Nós realmente não estávamos mais tentando gerar um bebê. Estávamos, inclusive, usando métodos contraceptivos. Então, você imagina a surpresa quando eu contei para o Paulo que estava grávida? Foi um milagre”, diz Gisele.
‘Não pode desistir’
Com os procedimentos de adoção e barriga de aluguel bem encaminhados, o casal não descarta a possibilidade de ter, no futuro, mais um filho – este não gerado por Gisele. Ressalta, porém, que tem focado em viver o novo momento com Maya.
“O que eu tenho para dizer a quem tem o sonho de ser pai é que a gente não pode desistir. Com a Maya, tive a certeza disso”, diz Paulo.
* Sob supervisão de Bruna Ferreira
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