Após votação, Câmara de Arujá arquiva processo que poderia cassar mandados de prefeito e vice


Os dois foram denunciados por meio de uma Comissão Processante (CP) por suspeita de falta de decoro e omissão diante das investigações deflagradas pela Polícia Civil no âmbito da Operação Soldi Sporchi (Dinheiro Sujo). Câmara de Arujá arquiva processo que poderia cassar mandados de prefeito e vice
Com oito votos a favor do afastamento, cinco abstenções e duas ausências, a Câmara de Arujá arquivou, em uma sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (24), o processo que investigava o prefeito José Luiz Monteiro (MDB) e o vice-prefeito Márcio José de Oliveira (PRB).
Os dois foram denunciados por meio de uma Comissão Processante (CP) por suspeita de falta de decoro e omissão diante das investigações deflagradas pela Polícia Civil no âmbito da Operação Soldi Sporchi (Dinheiro Sujo). O vice-prefeito chegou a ficar 13 dias preso e responde em liberdade por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Apesar do relatório da CP indicar a cassação, eram necessários que dois terços da Câmara Municipal votassem a favor, o que corresponde a 10 votos.
“A ata está sendo lavrada. Eu vou assinar a ata. Vamos encaminhar o ofício para a Justiça Eleitoral e o processo infelizmente seguirá para o arquivo”, disse o presidente da Câmara, Gabriel dos Santos.
Prefeito de Arujá fala sobre seus planos para os próximos quatro anos
Reprodução/TV Diário
Procurada, a Prefeitura de Arujá disse que o prefeito José Luiz Monteiro respeita as atribuições do legislativo e os trabalhos da comissão processante, mas não concorda com os argumentos para seu afastamento. Monteiro ressaltou ainda que não é investigado na operação que apura indícios de irregularidades nos contratos de coleta de lixo e da gestão do Hospital Municipal Dalila Ferreira Barbosa.
Ainda de acordo com a administração, foi com base em opiniões subjetivas e infundadas em relação a uma suposta de falta de decoro por parte do prefeito e em informações veiculadas na mídia sobre o inquérito conduzido sob segredo de justiça pela Polícia Civil de Guarulhos, que parte dos vereadores, votou pelo impeachment. O prefeito afirma que é inocente.
O vice-prefeito de Arujá, Márcio José de Oliveira, conversou com a produção do Diário TV por telefone e alegou não ter nenhuma relação com essa operação. Ele disse, ainda, que só ficou preso porque teria sido advogado de um dos envolvidos no crime em 2011 e essa pessoa o teria acusado de envolvimento.
Vice-prefeito de Arujá é preso durante operação ‘Soldi Sporchi’ da Polícia Civil
Reprodução/TV Diário
Veja como votou cada vereador:
Ausências
Marcelo José Oliveira (Republicanos)
Divinei Silva – suplente convocado para a votação no lugar de Renato Caroba, do PT, autor da denúncia e que, por isso, não pode votar
Abstenções
Abel Franco Larini (PL)
Edval Barbosa Paz (PSDB)
Edmar do Rosário (Republicanos)
Reynaldo Gregório Júnior (PTB)
Gabriel dos Santos (PSD)
A favor da cassação
Rogério Gonçalves Pereira (PDT)
Cristiane Araújo Pedro (PSD)
Rafael Santos Laranjeira (Rede)
Paulo Henrique Maiolino (PSD)
Ana Cristina Poli (PL)
Júlio Taikan Yokoyama (Pros)
Edvaldo de Oliveira Paula (PTB)
Sebastião Vieira de Lira (Republicanos)
Comissão
A comissão foi constituída no dia 15 de junho e os trabalhos iniciados em 22 de junho. Em 21 de julho, a CP opinou pelo prosseguimento das investigações dando início à segunda etapa dos trabalhos.
Nesta fase foram ouvidas as testemunhas arroladas pela defesa, entre as quais, o secretário adjunto de Saúde e cogestor Martino José Piatto, o próprio prefeito e o vice.
Após o encerramento das oitivas, os denunciados tiveram prazo até o dia 21 de setembro para apresentar suas alegações finais. O prefeito as incluiu no processo. O vice-prefeito não se manifestou, de acordo com informações do presidente da CP.
Anderson Lacerda é suspeito de desviar medicamento se hospital público para produzir cocaína em Arujá
TV Globo/Reprodução
Investigação da Polícia Civil
A Polícia Civil investiga contratos da Prefeitura de Arujá que podem ter relação com o traficante Anderson Lacerda Pereira, o Gordão, integrante de uma facção criminosa, que já foi condenado por tráfico internacional de drogas. O prefeito José Luiz Monteiro (MDB) não foi investigado nas fases iniciais da operação, ao contrário do vice Márcio José de Oliveira (PRB).
De acordo com a investigação, conduzida pelo delegado Fernando Goes Santiago, do 4º DP de Guarulhos, Anderson controlava a gestão de um hospital e de uma Unidade de Pronto Atendimento do município. Uma das suspeitas é que a quadrilha desviava medicamento do hospital público para produzir cocaína.
Além disso, era Anderson quem controlava a antiga empresa de coleta de lixo da cidade, que também tinha contrato para coleta de lixo hospitalar do Hospital e Maternidade Dalila Ferreira. As contratações foram feitas por meio de laranjas.
No dia 3 de junho, foi realizada a primeira parte da Operação “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo), com foco na empresa que na época era responsável pela coleta de lixo na cidade. Segundo a polícia, 12 suspeitos foram presos.
No dia 30 de julho, foi realizada a segunda etapa da operação, com mais oito presos, entre eles o vice-prefeito, que era advogado e vizinho de Anderson e suspeito de facilitar a assinatura de contratos com a Prefeitura.
Ainda de acordo com a polícia, a interferência de Anderson na rede municipal de saúde de Arujá começou em 2018, por meio da contratação de uma organização social sem licitação. O escolhido como laranja para esta entidade, segundo o delegado, foi um morador de rua. Depois a gestão foi trocada por outra, mas o domínio de Anderson foi mantido. A organização se manteve na gestão até fevereiro de 2020.
Os contratos na saúde e na coleta de lixo não estão mais em vigor, mas de janeiro de 2018 a janeiro deste ano, Anderson recebeu R$ 77 milhões da Prefeitura de Arujá.
Segundo as investigações, o traficante financiou parte da candidatura do vice-prefeito.

By Midia ABC

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