Cardiologista explica perigo de tromboses vasculares em resposta à Covid-19

Segundo o especialista, tratamento com anticoagulantes reduz os indicadores de tempo de intubação e mortalidade. Microágulos sanguíneos são encontrados nos pulmões de pessoas que morrerem por Covid-19
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo revelou imagens que mostram tromboses vasculares causadas pela resposta imunológica à infecção da Covid-19.
Segundo o médico cardiologista da Sociedade Brasileira de Hemodinamia e Cardiologia Intervencionista Roberto Botelho, a Covid-19 promove uma inflamação chamada tempestade inflamatória. “Ela libera substâncias na circulação que mandam o organismo aumentar a coagulação para defesa. Os coágulos são feitos para ajudar o organismo quando há risco de sangramento”, explica o cardiologista.
O tratamento com anticoagulantes reduz os indicadores de tempo de intubação de UTI e mortalidade. “A comunidade científica mundial já está estudando qual o melhor anticoagulante para o tratamento porque muda os indicadores, diminui o tempo de internação, diminui o tempo de intubação e melhora o diagnóstico”, explica Roberto Botelho.
De acordo com Roberto Botelho, no caso da morte do jornalista e apresentador do Esporte TV Rodrigo Rodrigues, ocorreu uma trombose no sistema de veias. “As veias têm um fluxo de sangue mais lento do que as artérias, então elas são mais vulneráveis à coagulação. No trombo nas veias do cérebro, o paciente está vivendo um momento de inflamação que leva a coagulação. Por isso está sendo estudado se é necessário manter o tratamento anticoagulante”, explica o cardiologista.
Ainda segundo o médico, 70% das pessoas recuperadas da virose, apresentam lesões no coração. As lesões também podem aparecer em outros órgãos. “Há uma lesão na superfície dos vasos, que facilita a formação dos coágulos. O Rodrigo tinha outros fatores que levam a uma coagulação mais fácil do sangue”, explica Roberto Botelho.
Diabéticos e pessoas com síndromes metabólicas estão no grupo de risco das tempestades de inflamações. “Essas pessoas, independente da Covid, têm que controlar os fatores de risco”, ressalta o cardiologista.
A pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto analisou o tecido sublingual sem um processo invasivo. “Essa pesquisa é importantíssima porque agrega valor e traz um sinal concreto de que o trombo acontece, desencadeando pesquisas como a de Nova Iorque, para procurar o tratamento mais adequado”, explica Roberto Botelho.
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By Midia ABC

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