Prefeitura diz que “hospital passa por reformas, inclusive para a impermeabilização do telhado”. Na sexta, TCM determinou que a Prefeitura não assine contrato com a OS Albert Einstein, que passaria a administrar hospital da Zona Sul em agosto. Chuva atinge equipamentos, macas e cadeiras de roda do Hospital do Campo Limpo
A chuva que atingiu São Paulo na madrugada deste domingo (16) molhou equipamentos do Hospital do Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista. Dez pacientes foram remanejados de uma ala para outra do hospital.
Vídeos feitos dentro do hospital mostram o estacionamento das ambulâncias com uma enxurrada de água que atinge cadeiras de rodas e macas (veja acima). Outro vídeo mostra uma das enfermarias com poças d’água e goteiras no teto. Segundo um funcionário, alguns pacientes desse setor foram transferidos de quartos pois as goteiras molharam os leitos onde estavam.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, “o hospital passa por reformas, inclusive para a impermeabilização do telhado. O término dos trabalhos está previsto para ocorrer até dezembro.”
“Com as chuvas de ontem, sábado (15), por precaução, dez pacientes foram rapidamente remanejados para outra ala da Unidade. Os equipamentos atingidos (macas e cadeiras de rodas) ficam do lado externo do hospital para atender prontamente os pacientes que chegam de ambulância”, diz a nota.
Na sexta-feira (14), o Tribunal de Contas do Município de São Paulo determinou que a Prefeitura da capital não assine um contrato com a organização social Sociedade Beneficente Israelita do Hospital Albert Einstein, que administra o Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, para a terceirização dos serviços e da administração da unidade.
O contrato tem o valor de R$ 115 milhões. O hospital do Campo Limpo é alvo de diversas reclamações de precariedade no atendimento por parte de funcionários e pacientes e passou a receber internados com Covid-19 durante a pandemia.
Em julho, a Prefeitura anunciou que passaria a administração do hospital à OS Albert Einsten, que seria responsável pelo Pronto-Socorro, UTI Adulto e Pediátrica, centro cirúrgico, clínicas ortopédica e médica, leitos da internação e atendimentos ambulatoriais, a partir do dia 1º de agosto. Mas, segundo o TCM, o contrato ainda não foi assinado.
Em nota após a decisão do TCM, a Prefeitura informou que há um erro no relatório feito pelo Tribunal, que o que está realizando com a OS Albert Einstein é um termo de colaboração e não um aditivo e que os questionamentos estão “descontextualizados” e “e não estão aptos a macularem o projeto”. (veja, ao final, a íntegra da nota da Prefeitura).
O relatório feito por auditores ao conselheiro do TCM que analisa o caso, Edson Simões, apontou diversas irregularidades no chamamento público para a escolha da organização que vai administrar o hospital e também levanta a possibilidade de “uma emergência fabricada” para permitir a terceirização dos atendimentos.
Segundo o relatório dos auditores, pode ter ocorrido falhas tanto na escolha da organização social para assumir o hospital quanto na escolha da forma de pagamento, além da prorrogação do contrato por um período superior ao previsto em lei.
Em caráter temporário, Simões determinou que a Prefeitura não assine o contrato com a OS Albert Einstein até que todo o TCM avalie o caso e também pediu explicações à Prefeitura sobre o processo.
Profissionais do hospital Campo Limpo protestam na zona sul
Em julho, funcionários do hospital do Campo Limpo fizeram um protesto contra a privatização da entidade de saúde. Os funcionários dizem que não sabem para onde serão transferidos e que os recursos destinados à OS poderiam ser utilizados na melhoria do hospital.
A prefeitura disse, na ocasião, que o contrato vai ampliar o atendimento e que nenhum servidor vai ser demitido ou transferido.
Veja a nota da Prefeitura sobre a suspensão:
“A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), esclarece que o ajuste celebrado com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein se refere a um Termo de Colaboração – e não um Termo Aditivo – e que as representações apresentadas estão descontextualizadas e não são aptas a macularem o prosseguimento do projeto”
Chuva atinge macas e cadeiras de rodas do Hospital do Campo Limpo; dez pacientes são remanejados
