Cidades do Alto Tietê atingem meta do Ideb no ensino médio, mas médias ainda são inferiores às do fundamental


O subsecretário de articulação regional da Secretaria de Estado da Educação, Henrique Pimentel Filho, confirma que há uma disparidade entre as notas do ensino fundamental e do médio, mas diz que o Governo Estadual tem se inspirado em boas práticas para melhorá-las. Ideb das escolas municipais de BH tem queda entre 2017 e 2019
Raul Santana/Fiocruz
O Ministério da Educação divulgou na última semana os resultados obtidos pelas escolas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2019. No Alto Tietê, todos os municípios avaliados atingiram a meta estipulada para o 3º ano do ensino médio e avançaram na comparação a 2017.
Embora o dado seja positivo, os índices apontam para uma queda na qualidade do ensino da rede pública em relação às fases anteriores. Na avaliação da 4ª série ou 5º ano do fundamental, a média da região ficou em 6,4. Já na 8ª série ou 9º ano, atingiu 5,2. No ensino médio, caiu para 4,3.
Na região, o ensino médio é oferecido nas escolas da rede estadual de ensino, enquanto o fundamental se divide entre as administrações do Estado e dos municípios.
O subsecretário de articulação regional da Secretaria de Estado da Educação, Henrique Pimentel Filho, confirma que há uma disparidade entre as notas do ensino fundamental e do médio, mas diz que o Governo Estadual tem se inspirado em boas práticas para melhorá-las (confira a resposta completa abaixo).
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Para Caio Sato, coordenador do núcleo de inteligência da ONG Todos Pela Educação, os índices registrados na região são um reflexo do que ocorre em todo o país.
“Quando a gente pega o ensino médio, os estados [por exemplo] ainda estão muito distantes da meta que era estipulada para 2019, mas existe um que é o primeiro lugar e um estado que é o último. Independentemente disso, todos estão muitos distantes do que era esperado para aquela etapa”, comenta.
Sato reforça que os índices devem ser considerados na hora de os candidatos proporem pautas nas Eleições 2020.
“A gente vê os candidatos argumentando que eles vão investir em escolas profissionalizantes, escolas integrais, que são um pouco mais caras. A gente defende que seja ampliado, mas isso não pode ser ampliado ao ponto de afetar outros estudantes. Não podem ser criadas ilhas dentro do território. Tem que vir desde a educação básica”, destaca Caio.
O G1 também destaca as instituições de ensino que mais avançaram ou mais regrediram em comparação com suas próprias notas nas avaliações de 2017 e 2019 (confira abaixo).
O Ideb é um indicador geral da educação que calcula a relação entre rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e o desempenho dos estudantes em português e matemática na Prova Brasil – aplicada para crianças do 5º e 9º ano do fundamental e do 3º ano do ensino médio –, e no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
“Quando ele foi criado, os formuladores do Ideb entenderam que um bom sistema educacional era aquele que empregava a máxima de aprendizagem para os estudantes, mas sem gerar exclusão educacional. Por isso eles incluíram a questão da aprovação também”, explica o coordenador.
O índice é divulgado a cada dois anos e faz projeções até 2021. As metas estabelecidas pelo Ideb são diferenciadas para cada escola e rede de ensino, mas tem o objetivo único de alcançar 6 pontos até 2022, o que seria comparável aos países desenvolvidos.
Notas do Alto Tietê no Ideb – 4ª série / 5º ano
No Alto Tietê, a média dos anos iniciais ultrapassa a nota 6 em oito das dez cidades. Ficam abaixo, apenas nos municípios de Biritiba Mirim, com 5,9 pontos, e Itaquaquecetuba, com 5,6.
“Guararema tem o maior Ideb de todos os municípios, um Ideb de 7,2 nos anos iniciais. Tinha um Ideb de 6,6 em 2017. Avançou 0,6 pontos de uma edição para outra”, comenta Caio.
Já na comparação entre as notas obtidas por município, quatro avançaram de uma edição para outra: Arujá, Guararema, Santa Isabel e Suzano. Também houve avanço no cumprimento da meta, como observa o especialista.
“Quando a gente olha para o cumprimento da meta, Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Mogi, Poá e Santa Isabel atingiram o que era esperado para 2019. Muito embora Poá não tenha avançado de uma edição para outra, ela já estava em um patamar que permitiu o município de cumprir a meta ainda assim”.
Notas do Alto Tietê no Ideb – 8ª série / 9º ano
A nota média dos anos finais do ensino fundamental, porém, começa a cair em relação à etapa anterior. O número de municípios que atingiram suas metas também é menor, embora tenha havido avanço entre o Ideb de 2017 e do ano passado em mais cidades.
“Quando a gente vai para os anos finais, todos os municípios avançaram de uma edição para outra. Porém, somente Poá cumpriu a meta. Todos os outros municípios, a despeito desse avanço, alcançaram um Ideb ainda menor do que era esperado para 2019”, diz.
Notas do Alto Tietê no Ideb – 3º ano do ensino médio
Em relação às duas etapas anteriores, a queda da média regional permanece nas notas do 3º ano do ensino médio. No entanto, todos os municípios do Alto Tietê atingiram o esperado.
Na comparação com 2017, todas as cidades avançaram, com exceção de Salesópolis, que não foi avaliada naquela edição porque o número de participantes no Saeb foi insuficiente para que os resultados fossem divulgados.
O G1 questionou a Secretaria de Estado da Educação sobre as notas obtidas no ensino médio serem menores em comparação aos anos anteriores. De acordo Henrique Pimentel Filho, subsecretário de articulação regional da pasta, o Estado de São Paulo voltou a crescer no Ideb no fundamental e ainda tem um caminho a percorrer para que o médio chegue em resultados melhores.
“Certamente, se vê uma disparidade das notas do ensino médio quando comparadas às notas das outras etapas, mas isso é um processo de construção que leva anos para a gente chegar. É muito importante dar celeridade a isso”, aponta.
Ele destaca que algumas cidades do Alto Tietê, como Biritiba Mirim e Mogi das Cruzes, atingiram as metas esperadas para o ano e que, agora, elas servem de referência para as iniciativas da Secretaria Estadual.
“As ações do Governo do Estado estão pegando as boas práticas das localidades onde tivemos os melhores resultados e das políticas públicas que trazem bons resultados, como a expansão das escolas de tempo integral, os projetos relacionados ao novo ensino médio, como fruto também de combater a evasão escolar nessa etapa, que é algo muito latente”.
“Esses são alguns dos esforços que a Secretaria já vem empenhando e vai continuar empenhando nos próximos anos para que a gente consiga avançar de forma homogênea tanto no ensino fundamental, como também no ensino médio”, conclui Pimentel.
Escolas
Como as metas variam para cada escola, Sato explica que a análise das notas deve ser feita de forma individual, por etapa de ensino, considerando dois fatores: o avanço, na comparação com os Idebs anteriores, e o cumprimento da meta.
“Essa análise por essas duas perspectivas, garante que a educação melhore continuamente e que melhore em um patamar adequado. É uma forma de driblar a diferença entre os municípios, porque cada [nota] é específica ao seu município”, comenta.
Por esse mesmo motivo, o coordenador do núcleo não considera justa a criação de rankings por escolas. Ele lembra que cada unidade escolar tem sua particularidade, seja pela sua localização ou pelo perfil socioeconômico dos estudantes, o que impactará diretamente nos resultados obtidos.
“A forma como o estudante chega na sala de aula, a bagagem cultural que ele traz, as oportunidades que ele tem fora da escola, as relações familiares mais estáveis, contribuem para que esse resultado seja maior”.
“Fazer a comparação entre escolas não parece correto. Idebs maiores refletem um nível maior de trajetória desses estudantes, mas tem muita coisa no meio dessa receita de bolo que explica isso”.
Por isso, o G1 destacou, por cidade, as escolas que avançaram ou regrediram com base em suas próprias notas nos Idebs de 2017 e 2019. Além disso, foram consideradas apenas as instituições públicas avaliadas nos dois períodos.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Ideb, algumas escolas podem ficar de fora da avaliação nas seguintes condições:
quando o número de participantes no Saeb é insuficiente para que os resultados sejam divulgados;
quando não há média no Saeb, seja porque não participou ou porque não atendeu aos requisitos necessários para ter o desempenho calculado;
quando houve solicitação de não divulgação conforme portaria do Inep.
Arujá
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EM Recanto Primavera: 2017 – 6.6 | 2019: 7.9
Mais Regrediu: EM Bairro Da Penhinha: 2017 – 6.6 | 2019: 6.0
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professora Edir Paulino Albuquerque: 2017 – 4.4 | 2019: 5.2
Mais Regrediu: EE Professor Esli Garcia Diniz : 2017: 5.2 | 2019: 4.5
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Amadeu Rodrigues Norte: 2017 – 4.4 | 2019: 5.1
Menos Avançou: EE Republica Dominicana: 2017 – 4.4 | 2019: 4.8
Biritiba Mirim
4ª Série / 5º Ano
Menos Regrediu: EMEF Professor João Cardoso de Siqueira Primo: 2017 – 6.5 | 2019: 6.4
Mais Regrediu: EMEF Nelson de Oliveira Camargo: 2017 – 6.3 | 2019: 6
8ª Série / 9º Ano
Única Avaliada: EE Angelica de Jesus Ferreira: 2017 – 4.8 | 2019: 5.4
3ª Série Ensino Médio
Única Avaliada: EE Professor José Carlos Prestes: 2017 – 3.7 | 2019: 4.4
Ferraz de Vasconcelos
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EMEB Maurice Bou Assi: 2017 – 6 | 2019: 6.5
Mais Regrediu: EMEB José Sebastião: 2017 – 6 | 2019: 5.5
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professor Justino Marcondes Rangel: 2017 – 3.9 | 2019: 4.9
Mais Regrediu: EE Professora Ângela Sueli Pontes Dias: 2017 – 4.4 | 2019: 4.3
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Professor Edir do Couto Rosa: 2017 – 3.5 | 2019: 4.1
Mais Avançou: EE Martha Calixto Cazagrande: 2017 – 3.5 | 2019: 4.1
Mais Regrediu: EE Zélia Gattai Amado: 2017 – 4.5 | 2019: 4.3
Guararema
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EM José Donizete de Paiva: 2017 – 5.5 | 2019: 6.8
Menos Avançou: EM José Benedito dos Santos: 2017 – 6.4 | 2019: 6.9
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Emília Leite Martins: 2017 – 4.4 | 2019: 5.4
Mais Regrediu: EE Antônio Lerário: 2017 – 4.9 | 2019: 4.8
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Antônio Lerário: 2017 – 3.9 | 2019 – 4.4
Menos Avançou: EE Emília Leite Martins: 2017 – 4.1 | 2019 – 4.2
Itaquaquecetuba
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EE Doutor Ervin Horvath: 2017 – 5.5 | 2019 – 6.7
Mais Regrediu: EM Engenheiro Chiozo Kitakawa: 2017 – 5.6 | 2019 – 5
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professora Edina Alvares Barbosa: 2017 – 4.3 | 2019 – 5
Mais Regrediu: EE Jardim Santa Rita II: 2017 – 4.9 | 2019 – 4.8
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Pequeno Coração II: 2017 – 3.4 | 2019 – 4.1
Menos Avançou: EE Nemésio Cândido Gomes: 2017 – 4.1 | 2019 – 4.3
Mogi Das Cruzes
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EM Professor Primo Villar: 2017 – 7.1 | 2019 – 8
Mais Regrediu: EM Paulo Tapajos: 2017 – 7.1 | 2019 – 6.3
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professora Laurinda Cardoso Mello Freire: 2017 – 4.7 | 2019 – 5.5
Mais Regrediu: EE Reverendo Professor Osmar Teixeira Serra: 2017 – 4.9 | 2019 – 4.2
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Professora Adelaide Maria de Barros : 2017 – 3.6 | 2019 – 4.9
Mais Regrediu: EE Koheiji Adachi: 2017 – 3.6 | 2019 – 3.5
Poá
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EMEB Professora Cybele Paiva Valsecchi: 2017 – 6 | 2019 – 6.6
Mais Regrediu: EMEB Roberto Elias Xidieh: 2017 – 6.7 | 2019 – 5.7
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professor Eliseu Jorge: 2017 – 4.5 | 2019 – 5.3
Mais Regrediu: EMEB Estância Hidromineral de Poa: 2017 – 6.5 | 2019 – 6.2
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: ETEC de Poá: 2017 – 6.5 | 2019 – 6.9
Menos Avançou: EE Padre Eustáquio: 2017 – 4.9 | 2019 – 5.3
Salesópolis
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EMEF Professora Sonia Maria da Fonseca: 2017 – 6.8 | 2019 – 6.7
Mais Regrediu: EMEF Mestra Henriqueta: 2017 – 7 | 2019 – 6.5
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professora Olga Chakur Farah: 2017 – 5.7 | 2019 – 5.9
Menos Avançou: EE Professora Rosa Maria de Souza: 2017 – 5.1 | 2019 – 5.5
Santa Isabel
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EMEB Prefeito Waldir Jose Cabral Saueia: 2017 – 6.3 | 2019 – 7.3
Mais Regrediu: EMEF João José de Almeida Filho: 2017 – 7.2 | 2019 – 6.6
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Joaquim Simão: 2017 – 4.2 | 2019 – 5.1
Menos Avançou: EE Professora Gabriela Freire Lobo: 2017 – 5.1 | 2019 – 5.3
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Professora Maria das Gracas Sales de Oliveira: 2017 – 3.9 | 2019 – 4.8
Menos Avançou: EE Joaquim Simão: 2017 – 3.8 | 2019: 4.2
Suzano
4ª Série / 5º Ano
Mais Avançou: EM Professor Manoel Vicente Ferreira Filho: 2017 – 6 | 2019 – 7
Mais Regrediu: EM Roberto Bianchi: 2017 – 6.1 | 2019: 5.6
8ª Série / 9º Ano
Mais Avançou: EE Professor Antonio José Campos de Menezes: 2017 – 4.5 | 2019 – 5.4
Mais Regrediu: EE Vereador Antonio Valdemar Galo: 2017 – 6.1 | 2019: 5.5
3ª Série Ensino Médio
Mais Avançou: EE Professor Raul Brasil: 2017 – 4.1 | 2019 – 4.8
Se manteve: ETEC de Suzano: 2017 – 6.6 | 2019 – 6.6
Para ficar de olho nas eleições
Sato afirma que o Ideb trouxe pontos positivos para a educação, até por ser um indicador fácil de ser entendido, que considera a escala de 0 a 10, como já ocorre em boa parte das instituições de ensino. No entanto, ele afirma que é preciso ficar atento e não considerá-lo como único termômetro da educação brasileira.
“Ele, ao mesmo tempo, que é um indicador voltado para a média, ele tem limitações voltadas para a desigualdade. Você pode ter uma escola com um grupo de alunos com desempenho muito bom, mas também tenha um grupo de alunos com um desempenho ruim, gerando uma média razoável”, comenta.
Nas eleições de 2020, além do Ideb, o especialista recomenda que os eleitores levem em consideração outros fatores, como o atraso escolar, o abandono e a taxa de aprovação. “São indicadores que são importantes também para um sistema mais indicativo de qualidade”, comenta.
Ele diz, ainda, que o eleitor deve reunir esses dados ao analisar as agendas propostas pelos candidatos e, principalmente, observar o modo como os futuros prefeitos e vereadores abordam os índices.
“Os resultados do Ideb desse ano, por exemplo, se referem ao ano de 2019. A gente sabe que os resultados de 2019 são frutos, também, de gestões passadas”.
“É importante olhar para a agenda que esses candidatos estão propondo e olhar se são aderentes às necessidades dos municípios e se é uma agenda de qualidade. Aqui eu cito alguns elementos que são importantes: bons programas de alfabetização; bons programas de formação de professores, formação continuada de professores; garantir que existam investimento adequado na educação do município”.
A recomendação é de que em 2020, além da qualidade da educação básica, o eleitor cobre que ela seja oferecida para todos, o que contribui para a melhoria do ensino de modo geral, em todas as suas etapas e para todos os perfis de estudantes.
“A gente vai ter imagens de alguns políticos se vangloriando de alguns resultados de algumas escolas, que não são e não serão acessadas pela grande maioria da população. É importante garantir que as políticas sejam entregues para as nossas crianças e nossos jovens em escala”, conclui.

By Midia ABC

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