Desenvolvimento infantil ‘perdido’ com escolas fechadas pode ser recuperado no futuro, diz especialista


Na cidade de SP, a prefeitura decidiu que as aulas não serão retomadas em setembro. Prefeitura e Governo fazem testes da Covid-19 na Brasilândia
Após o anúncio de que as escolas da cidade de São Paulo não reabrirão em setembro, muitos pais de alunos começaram a discutir sobre o impacto do distanciamento social no desenvolvimento das crianças, principalmente as menores, que estão na chamada “primeira infância”.
Mais de 64% das crianças infectadas por Covid-19 em SP são assintomáticas
Escolas da cidade de SP não poderão abrir para atividades de reforço em setembro
Bruno Covas afirmou, nesta terça-feira (18), que vetou a reabertura das escolas para atividades de reforço a partir do dia 8 de setembro. A medida foi autorizada pelo governo do estado para as cidades que estão na fase amarela do plano de flexibilização econômica.
De acordo com o prefeito, o resultado do inquérito sorológico realizado pela prefeitura em alunos da rede municipal, aponta que o retorno às aulas presenciais, ainda que com restrições, representa uma elevação do risco de contaminação por Covid-19 no município.
Embora seja difícil medir esse impacto a longo prazo, nem tudo é notícia ruim. O cérebro infantil é capaz de recuperar o desenvolvimento “perdido”, segundo Eduardo Marino, diretor de Conhecimento Aplicado da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, especializada no desenvolvimento e políticas para as crianças desde o nascimento e até os seis anos de idade.
“O cérebro das crianças pequenas tem uma plasticidade muito grande, portanto o que está sendo ‘perdido’ nesses meses será recuperado rapidamente no futuro”, explicou Marino.
Isso ocorre porque os processos de desenvolvimento e aprendizagem das crianças não estão paralisados durante o período sem frequentar as creches e escolas. As interações e brincadeiras no ambiente doméstico podem, em diferentes medidas, dar continuidade a estes processos.
“Em educação infantil não falamos de conteúdo, mas de campos de experiências. Nos primeiros anos de vida, a criança aprende experiências significativas e concretas. Por isso, faz mais sentido termos uma visão mais ampla relacionada ao desenvolvimento do que pensarmos em estimular habilidades e atividades específicas, com conteúdos e lições de casa”, afirma o especialista. “Nesse momento, os conteúdos importam menos do que o apoio que a unidade de educação pode dar para as famílias.”
Saúde e segurança são o mais importante
A saúde e a segurança das crianças são o mais importante, ressalta Marino. Mas ele reconhece que os pais que dependem de creches e escolas públicas, por exemplo, acabam sofrendo mais o impacto da extensão do tempo de fechamento. Muitas vezes o colégio é o único lugar onde os filhos podem ficar enquanto os pais saem para trabalhar. Algumas famílias, inclusive, dependem da alimentação escolar, que, nas creches, chega a cinco refeições por dia.
“O ideal seria que a reabertura da economia estivesse em consonância com a decisão sobre a reabertura das escolas. Ou seja, que os diferentes setores apenas voltassem à ativa com a retomada das aulas. Ou que fosse priorizada a retomada das aulas em lugar da abertura de alguns setores – opção que vem sendo discutida em alguns países, como a Inglaterra.”
Marino sugere que uma rede de apoio com familiares, vizinhos e amigos, fazendo um “revezamento” no cuidado com as crianças, pode ser uma opção para que as famílias se reorganizem para voltar ao trabalho enquanto não há uma reabertura das creches e escolas.
Atividades simples estimulam o desenvolvimento
“A boa notícia é que atividades simples podem, sim, atenuar os prejuízos da ausência de rotina do dia a dia na educação infantil. Mais do que nunca, é importante que a criança receba carinho, atenção, e que os adultos que vivem com ela estejam disponíveis para interagir, brincar e acolher”, ressalta o especialista.
“Devemos ter em mente que as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem por meio das brincadeiras e das interações. Tudo o que ela vivencia em casa é uma forma de aprendizado.”
Sala de aula em escola municipal de Mauá, na Grande SP
Rodrigo Zerneri/Prefeitura de Mauá
Veja abaixo algumas das recomendações de Marino:
Investir em propostas como faz de conta e contação de histórias;
Atividades como desenho e jogos (não virtuais);
Conversar com a criança, para desenvolver o raciocínio e a linguagem;
Manter o contato virtual com educadores e os amigos da escola, para manter o vínculo e o prazer da socialização, ainda que com distanciamento.
64% das crianças infectadas em SP são assintomáticas
Mais de 64% das crianças infectadas pelo coronavírus na cidade de São Paulo são assintomáticas, e 16% já tiveram contato com o vírus, aponta mapeamento feito pela Prefeitura de São Paulo em seis mil crianças e adolescentes de 4 a 14 anos.
“64,4% das crianças que testaram positivo foram completamente assintomáticas e 35,6% foram sintomáticas. Quase que praticamente duas vezes mais o número de crianças que testaram positivo e não apresentaram sintomas”, revelou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.
O dado faz parte do inquérito sorológico realizado pela gestão municipal entre os dias 6 e 10 de agosto, e foram apresentados no início da tarde desta terça-feira (18) pelo secretário e pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) em coletiva de imprensa virtual.
Segundo a prefeitura, foram testados 6 mil alunos divididos em três fases:
2 mil alunos do Ensino Infantil (4 a 6 anos)
2 mil alunos do fundamental I ( 1º ao 5º ano, crianças de 6 a 10 anos)
2 mil alunos do fundamental II (6º ao 9º ano, crianças e adolescentes de 11 a 14 anos)
O objetivo da pesquisa é tentar descobrir, por amostragem, quantas pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus na cidade. O exame sorológico avalia a presença de anticorpos específicos (IgM/igG). Portanto, identifica casos passados da doença. Ele é usado para monitorar a porcentagem da população que já teve contato com o vírus.
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By Midia ABC

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