Diretor da Fiocruz na linha de combate à Covid-19 diz que foi chamado de ‘genocida’ em Ribeirão Preto, SP


Segundo Rodrigo Stabeli, xingamentos partiram de um homem em um supermercado. Pesquisador participa de estudos de vacina e coordena processamento de exames em massa. Profissionais da saúde criticam ofensas de moradores em Ribeirão Preto, SP
Diretor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o pesquisador Rodrigo Stabeli diz que foi hostilizado enquanto fazia compras em um supermercado em Ribeirão Preto (SP). Ele afirma que as ofensas partiram de um homem que não concorda com a quarentena por causa do coronavírus.
“Um sujeito chegou e perguntou se eu era o pesquisador que aparecia na TV. Eu disse que sim e ele começou a dizer que eu era um genocida, que deveria ser investigado, porque eu estava matando gente por não ter adotado nenhum uso farmacêutico contra a doença e estava dizendo para as pessoas ficarem em casa”, conta.
Stabeli relata que, mal teve tempo de reagir aos comentários e que o homem começou a se afastar e a correr. O pesquisador diz que ficou com medo de que ele voltasse com algum objeto que pudesse feri-lo e decidiu deixar de lado o carrinho com as compras e ir para casa.
Diretor da Fiocruz em Ribeirão Preto relata agressões verbais em supermercado
Luciano Tolentino/EPTV
Coordenador de uma iniciativa da Fiocruz para processar 800 exames de Covid-19 por dia com ajuda de um robô na cidade, Stabile diz que a pandemia está prejudicando a saúde mental dos moradores, que estão em casa há quatro meses. A região de Ribeirão Preto está na fase vermelha do Plano São Paulo, etapa em que só podem funcionar serviços essenciais.
“O Brasil não tem trabalhado bem com a pandemia. Só aumenta o número de casos e tem um estresse psicológico grande. A medicina ocidental se baseia em entregar um produto à população, e a gente não tem conseguido entregar esse produto”, diz.
O pesquisador participa de estudos com anticorpos para produção de uma vacina contra o coronavírus, mas defende que, até o momento, o distanciamento social é a única maneira de se proteger da doença, por mais desagradável que seja.
“Tem gente que está estressado e angustiado. É importante que essas pessoas procurem atendimento médico. Quando a gente trata do desconhecido, o medo ainda é maior e a gente começa a se desesperar”, diz.
Diretor da Fiocruz em Ribeirão Preto relata agressões verbais em supermercado
Luciano Tolentino/EPTV
De acordo com Stabile, os pesquisadores estão trabalhando sob pressão para desenvolver um remédio ou uma vacina contra o coronavírus, mas não conseguiram chegar a uma solução prática que seja eficiente para barrar a doença.
“Além do coronavírus, temos uma pandemia de problemas mentais e uma ‘desinfodemia’, que é uma pandemia de desinformação. Isso também precisa ser tratado, porque deixa a população perdida e aqueles que falam que a doença é grave acabam passando de herói para vilões”, lamenta.
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By Midia ABC

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